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Agressão entre vereadores marca fim de sessão em Sertãozinho, SP

ALESP

Uma cena lamentável de violência marcou o encerramento de uma sessão extraordinária na Câmara Municipal de Sertãozinho, interior de São Paulo, na última sexta-feira, 23 de fevereiro. O que deveria ser um ambiente de debate democrático e civilizado transformou-se em um palco de agressão física entre dois parlamentares. O incidente, envolvendo os vereadores Duílio Machado (União Brasil) e Rogério Magrini (Republicanos), popularmente conhecido como Zezinho Atrapalhado, gerou grande repercussão e levantou sérias questões sobre o decoro e a conduta de representantes públicos. A agressão entre vereadores ocorreu após discussões acaloradas no plenário, evidenciando uma escalada de tensão que culminou em um ato de violência repudiável. As imagens do ocorrido rapidamente circularam, chocando a comunidade local.

Os fatos da agressão em Sertãozinho

O incidente pós-sessão

A sessão extraordinária transcorreu com debates intensos, focados em temas sensíveis para a cidade de Sertãozinho. No entanto, a verdadeira confusão eclodiu após o término dos trabalhos legislativos, em um espaço de convivência da Câmara: a sala do café. Segundo relatos da assessoria do vereador Rogério Magrini, ele teria sido abordado de forma inesperada e violenta pelo colega Duílio Machado. A versão aponta que Magrini foi surpreendido por trás e, ao se virar, recebeu um soco no rosto desferido por Machado.

A violência não parou por aí. Após o impacto do soco, Magrini caiu ao chão, e as imagens que se disseminaram pelas redes sociais mostram o momento em que, já prostrado, ele foi atingido por um chute no pescoço dado por Machado. A sequência chocou os presentes, com um grupo de pessoas intervindo rapidamente para afastar o vereador do União Brasil, enquanto outros socorriam Magrini, que parecia ter ficado desacordado no chão por alguns instantes. O registro visual, apesar de não captar o início exato da altercação, é contundente ao exibir a gravidade dos golpes e a imediata assistência prestada ao vereador agredido.

As versões e o impacto imediato

Imediatamente após a agressão, Rogério Magrini foi amparado por colegas e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Sertãozinho. Ele passou por exames de imagem para avaliar a extensão das lesões. Vale ressaltar que Magrini se recuperava de uma cirurgia recente na garganta, o que tornava a agressão na região do pescoço ainda mais preocupante. Posteriormente, ele foi levado à cidade de Jaboticabal, também no interior paulista, para a realização de exame de corpo de delito, procedimento crucial para formalizar a denúncia de agressão. Sua assessoria confirmou a intenção de registrar um boletim de ocorrência, buscando as medidas legais cabíveis contra o agressor.

Em contrapartida, até o momento da publicação desta reportagem, Duílio Machado não havia se manifestado sobre o ocorrido. Tentativas de contato com o vereador não obtiveram retorno, deixando sua versão dos fatos sem esclarecimentos públicos. A Câmara Municipal de Sertãozinho, igualmente, não emitiu um comunicado oficial, permanecendo em silêncio diante do grave incidente envolvendo seus membros. Este silêncio inicial apenas amplifica as perguntas e a expectativa da população por respostas e providências.

O contexto político e os projetos em pauta

Discordâncias no plenário

A agressão física fora do plenário foi precedida por uma discussão acalorada durante a própria sessão extraordinária. Os pontos de discórdia eram de grande relevância para a administração municipal e para a vida dos cidadãos de Sertãozinho. Um dos focos do debate era a aprovação de um financiamento destinado a obras de mobilidade urbana na cidade. Projetos de mobilidade urbana frequentemente envolvem altos investimentos e podem gerar discussões sobre prioridades, impacto ambiental, endividamento público e os reais benefícios para a população.

Outro ponto de intensa divergência foi o projeto de lei complementar referente ao Estatuto do Magistério Público Municipal. Este estatuto é um documento fundamental que rege a carreira, os direitos, os deveres e as condições de trabalho dos professores e demais profissionais da educação da rede pública municipal. Debates sobre o Estatuto do Magistério são intrinsecamente complexos, pois afetam diretamente a vida de centenas de famílias e a qualidade da educação oferecida. Questões como salários, progressão de carreira, carga horária, benefícios e condições de aposentadoria são frequentemente motivos de embate entre os poderes Legislativo e Executivo, bem como entre os próprios parlamentares, cada qual defendendo diferentes visões e interesses. A paixão e a convicção nos debates são esperadas, mas a escalada para a violência é sempre inaceitável.

Implicações para a governabilidade

Incidentes de tamanha gravidade têm o potencial de causar danos significativos não apenas à imagem dos vereadores envolvidos, mas à própria instituição legislativa e, por extensão, à governabilidade do município. A harmonia e o respeito mútuo são pilares essenciais para o funcionamento eficaz de qualquer corpo legislativo. Quando a discordância política transcende os limites do debate e deságua em agressão física, a credibilidade da Câmara como fórum democrático é seriamente abalada.

A capacidade de os vereadores colaborarem em futuros projetos pode ser comprometida, criando um ambiente de desconfiança e inimizade. Isso pode impactar diretamente a aprovação de leis importantes, a fiscalização do Executivo e a representação dos interesses da população. A ausência de um posicionamento imediato da Câmara também contribui para a percepção de uma instituição que pode estar falhando em manter a ordem e a ética entre seus membros, exigindo uma resposta institucional robusta para reafirmar seu compromisso com a civilidade e a legalidade.

Desdobramentos e consequências esperadas

Abertura de inquérito e responsabilidades

A formalização do boletim de ocorrência por Rogério Magrini é o primeiro passo para a instauração de um inquérito policial. A polícia civil de Sertãozinho será responsável por investigar os fatos, coletar depoimentos, analisar as imagens e, se necessário, requisitar laudos complementares. Duílio Machado poderá ser indiciado por lesão corporal, cuja gravidade dependerá da extensão das lesões de Magrini.

Além das implicações penais, o caso certamente terá desdobramentos na esfera político-administrativa. A Câmara Municipal possui regimento interno e um Código de Ética que preveem sanções para condutas consideradas incompatíveis com o decoro parlamentar. A depender da apuração interna, que pode ser iniciada a partir de uma representação de outros vereadores ou da própria Mesa Diretora, Duílio Machado poderá ser alvo de um processo disciplinar que pode resultar em advertência, suspensão ou, nos casos mais graves, cassação do mandato. A pressão popular e da mídia por uma resposta enérgica da Casa Legislativa será considerável, exigindo transparência e celeridade nas ações.

A repercussão na comunidade

O incidente da agressão entre vereadores de Sertãozinho, SP, rapidamente ganhou as redes sociais e os noticiários regionais, gerando um intenso debate na comunidade local. A população, que espera de seus representantes conduta exemplar e capacidade de dialogar, manifestou-se com indignação e preocupação. A imagem de um vereador chutando outro, já caído, é chocante e contrária aos valores de urbanidade e respeito que devem pautar a vida pública.

Essa repercussão negativa pode ter consequências diretas para a confiança dos eleitores nas instituições políticas e na capacidade dos vereadores de gerir os assuntos da cidade com maturidade e responsabilidade. Em tempos de polarização política, a violência física em um ambiente legislativo serve apenas para aprofundar a crise de representatividade e a descrença na política. É fundamental que a resposta das autoridades e da própria Câmara seja à altura da gravidade dos fatos, para restabelecer a ordem e reafirmar o compromisso com a ética e o bom exemplo.

Conclusão

A agressão física entre os vereadores Duílio Machado e Rogério Magrini na Câmara Municipal de Sertãozinho representa um lamentável episódio que macula a imagem do Poder Legislativo e da política local. Originada de divergências em projetos importantes para a cidade, a tensão escalou para um ato de violência inaceitável. As imagens do ocorrido e as lesões sofridas por Magrini exigem uma pronta e rigorosa apuração, tanto na esfera judicial quanto dentro da própria Câmara. A comunidade de Sertãozinho espera que as instituições atuem com firmeza para que tais atos não se repitam e que os princípios do decoro parlamentar e do respeito mútuo sejam restabelecidos como pilares fundamentais da vida pública.

FAQ

Onde ocorreu a agressão entre os vereadores?
A agressão ocorreu na Câmara Municipal de Sertãozinho, SP, especificamente na sala do café, após o término de uma sessão extraordinária.

Quais vereadores estiveram envolvidos na confusão?
Os vereadores envolvidos foram Duílio Machado (União Brasil), que desferiu os golpes, e Rogério Magrini (Republicanos), conhecido como Zezinho Atrapalhado, que foi a vítima da agressão.

Quais foram os motivos da discussão inicial no plenário?
A discussão prévia à agressão estava centrada na discordância sobre a aprovação de um financiamento para obras de mobilidade urbana e sobre o projeto de lei complementar para o Estatuto do Magistério Público Municipal.

Houve registro de boletim de ocorrência?
Sim, a assessoria do vereador Rogério Magrini informou que ele irá registrar um boletim de ocorrência para formalizar a denúncia de agressão.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos deste caso e de outros eventos importantes em sua cidade. Acompanhe as notícias locais e participe do debate para garantir a transparência e a responsabilidade na gestão pública.

Fonte: https://g1.globo.com

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