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© Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Adolescentes Revelam Consciência Crítica e Desejo por Melhorias na Internet, Aponta Estudo

Uma nova pesquisa, intitulada 'Adolescência Sem Filtro', lançada pelo Instituto Alana em parceria com a Agência Koga, desvenda a complexa e, por vezes, ambivalente relação dos adolescentes com o universo digital. Entrevistando mais de 500 jovens entre 13 e 18 anos, o estudo revela que, apesar de desfrutarem da conexão, a maioria reconhece a necessidade urgente de reformular o ambiente online para torná-lo mais seguro e saudável.

A Ambiguidade da Experiência Digital Juvenil

Os dados coletados ilustram um panorama de dualidade: enquanto 63% dos entrevistados expressam felicidade ao se conectar à internet, uma parcela significativa, 50%, admite passar tempo demais online. Essa percepção se traduz em um anseio por mudança, com 71% dos adolescentes acreditando que a internet deve persistir, mas com profundas transformações, e apenas 9% desejando o seu fim. Essa postura reflete uma experiência predominantemente positiva, onde 71% utilizam a rede para diversão, 63% encontram alegria e 55% saciam a curiosidade, mas com uma forte consciência de seus potenciais malefícios.

A pesquisa destaca que os jovens demonstram um senso crítico apurado sobre os impactos negativos da internet. Quase metade dos participantes (49%) atribui às plataformas a responsabilidade por um ambiente digital melhor, e 43% solicitam maior controle sobre essas ferramentas. Gabriela Barbosa, especialista em Planejamento Estratégico de Comunicação do Instituto Alana, ressalta que esses resultados confirmam a capacidade dos adolescentes de discernir os aspectos problemáticos e a necessidade de aprimoramento desse espaço virtual.

Estratégias de Autoproteção e Alerta à Dependência

Cientes de que o design de muitas plataformas visa reter sua atenção excessivamente, os adolescentes demonstram proatividade na gestão de sua experiência online. O estudo revela que 44% bloqueiam contas ou conteúdos que consideram nocivos, e 32% realizam pausas deliberadas ao longo do dia. No entanto, essa autoproteção nem sempre é suficiente, já que 41% se sentem mais dependentes do celular e 39% acreditam ter prejudicado seus estudos devido ao tempo gasto na internet. A preocupação com o uso excessivo é uma constante, e 69% se mostram abertos a receber apoio para lidar com a dependência digital.

Gabriela Barbosa enfatiza a importância dessa consciência: “O tempo gasto na internet é uma grande preocupação para eles. Além da consciência de que nem tudo é positivo ou negativo, eles também estão conscientes da necessidade de se protegerem e conseguirem controlar o quanto puderem o que fazem desse tempo online também”.

As Redes Sociais no Centro da Vida Digital Juvenil

As redes sociais consolidam-se como o principal motor da interação online para os adolescentes. Segundo o levantamento, 46% utilizam a internet diariamente para acessar redes sociais, seguidos por 37% que conversam com amigos e familiares, 30% que jogam, 23% que estudam e 21% que assistem a vídeos. Plataformas como o TikTok são citadas como um refúgio para "anestesia do tédio", mas o instituto destaca que esses ambientes também são fontes vitais de pertencimento, informação, curiosidade e aprendizado, não devendo ser vistas apenas sob uma ótica negativa.

O estudo também identifica diferenças significativas no uso da internet entre gêneros. Os meninos se destacam no consumo de jogos online (66% contra 44% das meninas), enquanto as meninas utilizam a internet com maior frequência para comunicação com família e amigos (64% ante 50% dos meninos) e para fins acadêmicos (60% em comparação com 46% dos meninos).

Voz Ativa: Jovens Entrevistando Jovens

A metodologia do 'Adolescência Sem Filtro' é notável por sua abordagem qualitativa inovadora, na qual oito pesquisadores adolescentes, com idades entre 13 e 18 anos, foram recrutados e treinados para conduzir as entrevistas. Cada um realizou de oito a dez entrevistas, com o objetivo de capturar a perspectiva dos entrevistados sem as barreiras ou filtros que poderiam surgir em conversas com adultos. A escolha de entrevistadores da mesma faixa etária foi estratégica para fugir de uma visão adultocêntrica e criar um ambiente de identificação, permitindo que os participantes se sentissem confortáveis para expressar suas opiniões mais genuínas.

Embora os adultos nem sempre reconheçam o senso crítico dos mais jovens, a pesquisa aponta que 19% dos adolescentes acreditam ser capazes de contribuir para a melhoria da internet. Esse dado, embora pareça pequeno, representa uma oportunidade valiosa, como observa Gabriela Barbosa. “Se a gente abre esse espaço para que eles consigam ser escutados e fazer parte dos processos de discussão e de construção, a gente consegue extrair muita coisa valiosa”, afirma, reforçando o potencial de engajamento juvenil na construção de um futuro digital mais consciente e equitativo.

Em suma, o estudo 'Adolescência Sem Filtro' transcende a mera constatação do uso da internet, oferecendo um olhar profundo sobre a capacidade dos jovens de analisar criticamente o ambiente digital em que estão imersos. Ele não apenas expõe as complexidades da sua relação com a rede, mas também sublinha a urgência de dar voz a esses protagonistas na construção de uma internet mais ética, segura e alinhada com suas expectativas e necessidades.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br