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A Busca por peixe na quaresma movimenta pesqueiros no interior de São

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A Quaresma, período de quarenta dias que precede a Páscoa no calendário cristão, anualmente transforma hábitos alimentares de milhões de fiéis. Tradicionalmente, muitos optam por reduzir ou eliminar o consumo de carne vermelha, substituindo-a por peixe, um alimento central nesta observância religiosa. Essa mudança dietética, enraizada em séculos de fé, tem um impacto direto e significativo na economia local, especialmente no interior de São Paulo. A busca por peixe na quaresma impulsiona não apenas o comércio de pescados, mas também gera um movimento expressivo em pesqueiros da região centro-oeste paulista, que registram um aumento notável de visitantes em busca de lazer, alimento fresco e momentos de confraternização familiar. Este fenômeno demonstra como tradições seculares continuam a influenciar fortemente o mercado e o comportamento do consumidor.

Pesqueiros registram aumento expressivo de visitantes na Quaresma

Com o início da Quaresma, pesqueiros em diversas cidades do interior de São Paulo, como Pederneiras e Bauru, observam um incremento substancial no número de frequentadores. Este fenômeno é uma resposta direta à tradição religiosa que incentiva o consumo de peixe durante o período que antecede a Páscoa. Os estabelecimentos se preparam para atender a demanda crescente, oferecendo uma variedade de serviços que vão desde a pesca esportiva até o sistema “pesque e leve”, permitindo que os clientes garantam peixe fresco para suas refeições semanais. O movimento nesses locais chega a duplicar em comparação com períodos normais do ano.

Tradição, lazer e o sabor do peixe fresco

Para muitos frequentadores, a experiência nos pesqueiros durante a Quaresma transcende a simples busca por alimento. Ela se entrelaça com o lazer, a distração e a oportunidade de passar tempo de qualidade em meio à natureza. Marilene Barbosa, uma dona de casa assídua, exemplifica essa visão. “É uma distração para a gente, a gente se diverte, se distrai, aí tem o peixinho para levar para casa ainda, né? É muito bom”, relata, destacando a multifuncionalidade desses espaços que se tornam pontos de encontro familiar e de relaxamento.

Um pesqueiro em Pederneiras, por exemplo, que opera durante todo o ano, vê seu movimento praticamente dobrar com o começo da Quaresma. O local, além de oferecer cerca de 15 espécies de peixes para a pesca, dispõe de uma infraestrutura completa com restaurante e quiosques equipados com churrasqueiras. Essa estrutura é um atrativo poderoso para famílias que buscam não apenas peixe, mas também um ambiente tranquilo para o descanso e a recreação, longe do burburinho das grandes cidades.

A procura por peixes frescos e a conveniência de adquiri-los diretamente do local da pesca são fatores cruciais. Claudecir Santos, outro visitante, costuma pescar nos fins de semana e, durante a Quaresma, chega a receber encomendas. “Independente do serviço, a gente vem aqui para tirar um lazer e acaba pegando os peixinhos. Como a gente não come tanto, a gente passa para os outros. Aí mistura o útil e o agradável”, afirma, ilustrando como o passeio se torna uma oportunidade de lazer e, ao mesmo tempo, de abastecimento para a própria família e amigos.

Impacto regional e o fim da piracema impulsionam o setor

O aumento na procura por peixes não se restringe a uma única localidade. Em Bauru, o movimento também cresceu significativamente, atraindo visitantes de cidades vizinhas e até de outros estados, ansiosos por desfrutar da pesca e do contato com a natureza. O engenheiro Bruno Fabiano, por exemplo, viaja de Sorocaba até Bauru para aproveitar os pesqueiros da região. “Eu adoro os pesqueiros da região. Venho passear e aproveito para pescar e comer uma comidinha fresquinha, um pesqueiro maravilhoso. É uma ótima opção para passar o fim de semana”, declara, evidenciando o apelo regional desses estabelecimentos.

Regina Sakai, responsável por um pesqueiro em Bauru, confirma a tendência de crescimento do fluxo de clientes na Quaresma. Segundo ela, a demanda aumenta tanto para consumo próprio quanto para encomendas, demonstrando a versatilidade da oferta dos estabelecimentos frente às necessidades dos consumidores. A capacidade de atender a diferentes tipos de clientes – desde o pescador amador até aqueles que buscam apenas adquirir o produto – é um diferencial importante para o sucesso desses empreendimentos.

O fim do defeso da piracema e suas implicações

Coincidindo com o período de alta demanda por peixes, o encerramento do defeso da piracema, ocorrido no sábado, dia 28, também exerce influência sobre o setor pesqueiro. A piracema é um período de proibição da pesca de espécies nativas em bacias hidrográficas específicas, visando à proteção e reprodução dos peixes. Anualmente, esta medida ajuda a controlar o estoque pesqueiro, garantindo a sustentabilidade dos recursos aquáticos para as futuras gerações.

Com o fim do defeso, algumas restrições são flexibilizadas, permitindo a pesca de certas espécies e com métodos específicos. A pesca desembarcada, por exemplo, é autorizada apenas com linha de mão, caniço, molinete ou carretilha, utilizando iscas naturais ou artificiais. O lambari também pode ser usado como isca natural, desde que o pescador possua uma nota fiscal de piscicultura, garantindo sua procedência legal e evitando a captura irregular de juvenis de outras espécies.

Durante o período de piracema, que geralmente vai de 1º de novembro a 23 de fevereiro, a pesca é totalmente proibida em áreas de restrição, como lagoas marginais, e trechos acima e abaixo de cachoeiras e corredeiras. No entanto, mesmo durante o defeso, algumas espécies exóticas ou alóctones – aquelas que não são nativas da bacia hidrográfica – têm a pesca liberada. Entre as 15 espécies permitidas, destacam-se tilápias, carpas, bagres africanos, tucunarés, corvinas de água doce e porquinhos, oferecendo opções para os pescadores mesmo sob as restrições mais severas.

A Polícia Ambiental de Bauru, responsável pela fiscalização, divulgou dados relevantes sobre as operações durante o último período de piracema (entre 1º de novembro e 23 de fevereiro). A fiscalização abrangeu 375 pescadores amadores e 78 pescadores profissionais, resultando na apreensão de 640 metros de rede. Além disso, 179 embarcações com pescadores foram vistoriadas e 1.365 termos de vistorias ambientais foram lavrados, demonstrando o rigor e a abrangência das ações para proteger a fauna aquática e assegurar o cumprimento das normas ambientais.

Quaresma e o fim da piracema: impulsionando a economia e o lazer no interior paulista

A sinergia entre a tradição religiosa da Quaresma e o encerramento do período de defeso da piracema cria um cenário dinâmico para os pesqueiros e o comércio de pescados no interior de São Paulo. Esses períodos, marcados por mudanças nos hábitos de consumo e nas regulamentações de pesca, não apenas revitalizam a economia local, mas também reforçam o papel dos pesqueiros como centros de lazer e de promoção do contato com a natureza. A busca por peixe, seja por preceito religioso ou por mero prazer culinário, consolida esses espaços como destinos preferenciais, oferecendo uma combinação única de entretenimento familiar e sustento para as comunidades locais.

Perguntas frequentes

O que é a Quaresma e como ela afeta o consumo de peixe?
A Quaresma é um período de 40 dias no calendário cristão que antecede a Páscoa, marcado por penitência e reflexão. Muitos fiéis tradicionalmente abstêm-se de carne vermelha, optando pelo consumo de peixe como alternativa, o que impulsiona a demanda e o movimento em pesqueiros e no comércio de pescados em diversas regiões.

Quais tipos de pesca são mais procurados nos pesqueiros durante a Quaresma?
Durante a Quaresma, os pesqueiros registram alta procura tanto pela pesca esportiva, focada no lazer e na recreação em família, quanto pelo sistema “pesque e leve”, onde os visitantes podem levar para casa os peixes capturados, garantindo assim o alimento fresco para a semana, atendendo à tradição religiosa.

O que é o período de piracema e quais suas regras?
A piracema é o período de defeso em que a pesca de espécies nativas é proibida em certas bacias hidrográficas, visando à proteção e reprodução dos peixes, geralmente de 1º de novembro a 23 de fevereiro. No entanto, a pesca de algumas espécies exóticas como tilápia, carpa e bagre africano é permitida. Após o fim da piracema, a pesca desembarcada é liberada com certas restrições de equipamentos (linha de mão, caniço, molinete ou carretilha) e cotas, sob fiscalização da Polícia Ambiental.

Quais são os benefícios de frequentar um pesqueiro além da pesca?
Além da oportunidade de pescar e adquirir peixe fresco, os pesqueiros oferecem um ambiente de lazer completo para famílias. Muitos possuem restaurantes, quiosques com churrasqueiras e áreas de recreação, proporcionando um local tranquilo para o descanso, a convivência social e o contato com a natureza, o que os torna um destino de lazer popular.

Planeje sua visita aos pesqueiros do interior de São Paulo e descubra o sabor da tradição e do lazer.

Fonte: https://g1.globo.com

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