Agentesde IA
© Valter Campanato/Agência Brasil

Bancários da Caixa Entram em Greve Nacional; Banco do Brasil Enfrenta Paralisação Parcial Após Acordo Coletivo

Funcionários da Caixa Econômica Federal iniciaram nesta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado, marcando um novo capítulo nas negociações trabalhistas do setor bancário. Paralelamente, o Banco do Brasil (BB) registra uma adesão parcial à paralisação em sindicatos que manifestaram insatisfação com as propostas atuais. As mobilizações ocorrem em um cenário de divergências pontuais, mesmo após a assinatura de uma nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) que abrange a categoria em todo o país.

Apesar do recente acordo de alcance nacional, que visava estabilizar as relações trabalhistas, a insatisfação em algumas instituições financeiras públicas evidencia desafios específicos que persistem, levando à interrupção dos serviços. As demandas se concentram em questões particulares a cada banco, que não foram totalmente contempladas pelo instrumento coletivo geral.

O Marco da Nova Convenção Coletiva Nacional

A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e diversas entidades sindicais selaram, na última quarta-feira (9), a nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT). Este acordo, com vigência até 31 de agosto de 2028, abrange aproximadamente 414 mil bancários em cerca de 3,6 mil municípios brasileiros, envolvendo 171 instituições financeiras e assinado por 245 sindicatos.

O principal ponto do acerto nacional é a reposição integral da inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescida de um aumento real de 0,6% nos anos de 2026 e 2027. Esta correção salarial também se estende a benefícios cruciais para os trabalhadores, como vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e diversos auxílios, garantindo um reajuste abrangente para a categoria.

Além das questões econômicas, a CCT incorpora avanços importantes em saúde mental, reforça o combate ao assédio e garante o direito à desconexão fora do horário de trabalho, estabelecendo regras para a transparência e limites no monitoramento digital dos empregados. Outras melhorias incluem a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional e aprimoramentos na indenização concedida a trabalhadores de bancos privados demitidos em decorrência do fechamento de agências.

A Greve Nacional dos Bancários da Caixa

Os empregados da Caixa Econômica Federal votaram pela rejeição da proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) específico com a instituição, optando pela greve em nível nacional. A Comissão Executiva dos Empregados (CEE) revelou que mais de 90% das bases sindicais não aprovaram os termos apresentados, indicando uma ampla insatisfação.

Entre os pontos de maior discórdia está o plano de assistência médica, o Saúde Caixa, considerado vital para os trabalhadores. Outras reivindicações incluem a aplicação efetiva da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que trata de segurança e saúde no trabalho, o combate a metas de produtividade consideradas abusivas e a promoção de ambientes de trabalho mais saudáveis, tópicos que vêm sendo discutidos desde junho.

Em resposta à mobilização, a Caixa informou, por meio de nota, que mantém o diálogo aberto e já retomou as negociações com os representantes dos funcionários, agendando uma nova rodada para o mesmo dia do início da greve. Contudo, a orientação das entidades sindicais é pela manutenção da paralisação até que eventuais avanços sejam novamente submetidos à aprovação em assembleias.

Paralisação Parcial no Banco do Brasil

Diferentemente da Caixa, a mobilização no Banco do Brasil não alcançou caráter nacional, sendo restrita às bases sindicais que rejeitaram a proposta da Convenção Coletiva de Trabalho. Entre as regiões onde a CCT não foi aprovada, destacam-se Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis, enquanto outras localidades optaram pela aceitação do acordo.

O Banco do Brasil, por sua vez, comunicou que participa ativamente da mesa geral de negociação coordenada pela Fenaban, e também mantém uma mesa de discussões específica para abordar questões exclusivas dos seus funcionários. A instituição ressaltou que, para a data-base de 2026, foram realizadas diversas rodadas de negociação que culminaram na proposta apresentada e aprovada em várias assembleias pelo país, antes das rejeições pontuais que levaram à paralisação parcial.

Canais de Atendimento Alternativos Durante a Greve

Em decorrência das paralisações, tanto a Caixa Econômica Federal quanto o Banco do Brasil orientam seus clientes a priorizarem o uso de canais digitais e serviços de autoatendimento para a realização de transações e acesso a informações.

A Caixa disponibiliza uma gama de opções, incluindo o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem e outros aplicativos institucionais. Os clientes também podem utilizar caixas eletrônicos próprios, a rede Banco24Horas, casas lotéricas e os Correspondentes Caixa Aqui. Para atendimento telefônico, os números são 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800-104-0104 (demais localidades).

No Banco do Brasil, permanecem acessíveis o aplicativo móvel, o Internet Banking, os correspondentes bancários, a Central de Relacionamento e o WhatsApp da instituição, garantindo a continuidade dos serviços essenciais por meios remotos.

Perspectivas para a Resolução dos Impasses

As greves na Caixa e a paralisação parcial no Banco do Brasil sublinham a complexidade das relações trabalhistas no setor bancário, mesmo após a formalização de um acordo coletivo amplo. A persistência de demandas específicas por parte dos empregados ressalta a importância dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT) para cada instituição. O cenário atual indica que a resolução dependerá da continuidade do diálogo e da capacidade de ambas as partes em construir um entendimento que contemple as particularidades e as reivindicações dos trabalhadores, enquanto se busca minimizar os impactos para a população usuária dos serviços bancários.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br