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São Luís Celebra a Tradição Viva: 31º Festival de Boi de Zabumba Mantém A Chama Junina Acesa

Ainda que o calendário oficial dos festejos juninos se encerre, São Luís, a vibrante capital maranhense, reitera que a cultura do bumba meu boi pulsa o ano inteiro. Reforçando essa tradição, a cidade se prepara para sediar a 31ª edição do Festival de Boi de Zabumba, um evento aguardado que promete encantar o público neste sábado (25), a partir das 19h, no Largo da Antiga Barrigudeira, situado no bairro Monte Castelo.

O Sotaque de Zabumba: Uma Imersão nas Raízes do Bumba Meu Boi

Considerado a manifestação mais antiga associada ao bumba meu boi do Maranhão, o sotaque de zabumba emergiu no século 18, nas fazendas e senzalas da região da Baixada Maranhense. Com o tempo, a riqueza cultural do estado deu origem a múltiplos modos de celebrar o festejo, conhecidos como sotaques, destacando-se, além do zabumba, os de matraca, baixada, costa de mão e orquestra. O autor Américo Azevedo Neto, em sua obra “Bumba Meu Boi no Maranhão”, ressalta a singularidade dos grupos de zabumba, que preservam saberes técnicos originais, como a comédia, os personagens tradicionais, o toque, os cantos e as danças, além de indumentárias peculiares.

O ritmo distintivo do zabumba é ditado por instrumentos rústicos e artesanais: as zabumbas, meticulosamente confeccionadas à mão com madeira retirada do mangue em datas específicas, sob a lua apropriada, seguindo preceitos ancestrais, e os pandeiros feitos de jenipapo e cobertos com couro. A narrativa cênica se desenrola através de personagens icônicos como o amo, indígenas, rajados, vaqueiros, palhaços, pai Francisco, Catirina e, claro, o boi, cada um desempenhando um papel crucial na encenação que cativa gerações.

Homenagens e Reconhecimento Nacional e Global da Manifestação Cultural

A edição deste ano do festival dedica homenagens póstumas e celebrações a figuras e grupos emblemáticos. O Boi de Carutapera, fundado em 1965, é um dos homenageados, reconhecendo sua trajetória e contribuição. A folclorista Therezinha Jansen, falecida em 2008, também recebe tributo por seu pioneirismo, sendo a primeira mulher a liderar um grupo de bumba meu boi no Maranhão, o Boi da Fé em Deus, além de dirigir o Tambor de Crioula Amor de São Benedito, ambos de São Luís. Sua visão e liderança foram fundamentais para a perpetuação dessas manifestações.

A relevância do Festival de Boi de Zabumba e do bumba meu boi em si transcende as fronteiras estaduais. Em 2016, o Festival foi agraciado com o prestigioso Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo Iphan, em reconhecimento ao seu papel essencial na preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. Antes disso, em 2011, o bumba meu boi do Maranhão já havia sido oficialmente registrado como Patrimônio Cultural do Brasil no Livro das Celebrações, e, em um marco histórico, a Unesco o reconheceu como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2019, atestando seu valor universal e a necessidade de sua salvaguarda.

A Celebração Através dos Grupos: Uma Confluência de Talentos

Para a 31ª edição, espera-se que mais de 15 grupos de bumba meu boi de diversas localidades do estado desfilem sua arte e tradição. O evento será anfitrião do Boi Brilho de São João Liberdade 2, que acolherá os demais participantes. Dentre os conjuntos já confirmados para abrilhantar a festa, destacam-se nomes de peso como o Boi da Fé em Deus – que remete à história de Therezinha Jansen –, o Boi da Liberdade, o Boi de Guimarães, o Boi de Dona Zeca e o Boi Orgulho de Pinheiro. Essa reunião de talentos não apenas celebra o sotaque de zabumba, mas também reforça a vitalidade e diversidade do bumba meu boi maranhense, garantindo uma noite de profunda conexão com a cultura popular.

O 31º Festival de Boi de Zabumba em São Luís é mais do que um evento; é uma afirmação da riqueza cultural do Maranhão e da resiliência de suas tradições. Ao honrar mestres e grupos, e ao reunir diversas manifestações do bumba meu boi, a capital maranhense demonstra que a chama junina arde ininterruptamente, perpetuando um patrimônio que encanta e educa, conectando passado, presente e futuro através do som vibrante da zabumba.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br