© Bruno Spada/Agência Câmara

Câmara dos Deputados Aprova Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada para 40 Horas Semanais

Em uma votação histórica, a Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (27), em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que estabelece o fim da escala de trabalho 6×1 e, consequentemente, a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Com um placar expressivo de 461 votos favoráveis e apenas 19 contrários no segundo turno, a medida avança significativamente rumo à promulgação, prometendo impactar positivamente a vida de milhões de trabalhadores brasileiros. O texto, agora, segue para análise e votação no Senado Federal.

Princípios da Nova Jornada: Descanso e Manutenção Salarial

A essência da PEC aprovada pela Câmara visa modernizar as relações de trabalho no Brasil, garantindo condições mais justas e humanas. A proposta determina que a jornada semanal de trabalho seja reduzida de 44 para 40 horas, mantendo integralmente o salário do trabalhador. Além da diminuição da carga horária, um dos pilares fundamentais da mudança é a garantia de duas folgas semanais, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. Essa alteração põe fim à antiga escala 6×1, que por muito tempo foi alvo de críticas por sua natureza exaustiva e pela dificuldade em conciliar a vida profissional com o lazer e o convívio familiar.

Processo Legislativo e Consolidação da Proposta

O texto final aprovado é resultado de um substitutivo elaborado pelo relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA). Sua proposta integrou e aprimorou duas PECs anteriormente em tramitação: a PEC 221/19, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que originalmente estabelecia 36 horas semanais após um período de dez anos, e a PEC 8/25, da deputada Erika Hilton (Psol-SP), que introduzia a escala 4×3 (quatro dias de trabalho e três de descanso) com o mesmo limite de 36 horas após um ano. Antes de chegar ao plenário da Câmara, a matéria passou pela aprovação de uma comissão especial, que registrou 34 votos a favor e 4 contra, demonstrando o alinhamento da Casa com as pautas trabalhistas.

Transição Gradual para as Novas Regras

Para assegurar uma transição suave e adaptável para empresas e trabalhadores, a PEC prevê um período de implementação faseada. As novas regras começarão a valer 60 dias após a promulgação do texto. Nesse primeiro estágio, a jornada de trabalho será reduzida de 44 para 42 horas semanais, e a escala de trabalho passará a ser de 5 dias trabalhados com 2 dias de descanso (escala 5×2). A etapa final da redução para 40 horas semanais será efetivada 14 meses após a promulgação da PEC, ou seja, 12 meses após a entrada em vigor da jornada de 42 horas, mantendo-se a escala 5×2 com um limite máximo de 8 horas diárias de trabalho. Durante o período de transição, a legislação prevê a possibilidade de ampliar a duração diária normal do trabalho, desde que essa flexibilização seja negociada por meio de convenção ou acordo coletivo.

Reações e Perspectivas Políticas sobre a Medida

A aprovação da PEC gerou reações diversas no espectro político. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou a decisão como um 'passo importante para uma mudança fundamental para os trabalhadores e trabalhadoras do país desde a Constituição de 1988', ressaltando os pilares de 40 horas, dois dias de descanso e manutenção salarial como inegociáveis. Parlamentares da base governista, como o líder Paulo Pimenta (PT-RS), e deputadas como Dandara (PT-MG), que compartilhou sua experiência pessoal com a escala 6×1, e Alice Portugal (PCdoB-BA), que enfatizou a luta histórica das centrais sindicais, celebraram a vitória como um avanço na dignidade e qualidade de vida. Em contrapartida, deputados da oposição, como Kim Kataguiri (Missão-SP) e Sérgio Turra (PP-RS), criticaram a proposta, questionando sua real efetividade e rotulando-a como 'eleitoreira'.

Um Novo Horizonte para as Relações de Trabalho

A deliberação da Câmara dos Deputados marca um ponto de virada nas discussões sobre direitos trabalhistas no Brasil, simbolizando a busca por um modelo que priorize o bem-estar e a qualidade de vida do trabalhador. A expectativa agora se concentra no Senado Federal, onde a PEC passará por mais etapas de debate e votação. Caso seja aprovada e promulgada, essa proposta representará uma das mais significativas alterações na legislação trabalhista brasileira em décadas, reformulando o cotidiano de milhões de profissionais e impactando profundamente o mercado de trabalho nacional.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br