O presidente Luiz Inácio Lula da Silva elevou a ampliação do acordo de comércio preferencial Mercosul-Índia a uma prioridade estratégica para o Brasil, com o objetivo claro de fortalecer as relações comerciais e pavimentar o caminho para o livre comércio. A declaração foi proferida no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Índia, em Nova Délhi, capital indiana, onde o líder brasileiro enfatizou o vasto potencial de uma parceria econômica e tecnológica mais profunda entre as duas nações. Lula destacou avanços concretos, como o acordo de cooperação em micro, pequenas e médias empresas e a primeira parceria digital do Brasil com outro país, iniciativas que visam impulsionar a inovação, a geração de empregos e a inclusão social em ambos os lados. A agenda bilateral foca na convergência de interesses em setores-chave, da tecnologia de ponta à sustentabilidade ambiental, com a transição energética e o aproveitamento estratégico de minerais críticos como pilares fundamentais. Este posicionamento reforça a ambição do Brasil em diversificar suas parcerias globais e consolidar sua presença em mercados emergentes, sinalizando uma nova fase nas relações Sul-Sul.
Ampliação do acordo Mercosul-Índia: Uma prioridade estratégica
A declaração do presidente Lula ressalta a importância de aprofundar os laços econômicos com a Índia, um dos mercados mais dinâmicos e populosos do mundo. O atual Acordo de Comércio Preferencial (PTA) entre o Mercosul e a Índia, em vigor desde 2009, já permitiu a redução tarifária para centenas de produtos, mas seu escopo é considerado limitado frente ao potencial de ambas as economias. A visão brasileira é de expandir significativamente a lista de bens e serviços abrangidos, além de aprofundar as concessões tarifárias, vislumbrando um caminho para o livre comércio no longo prazo.
Horizontes do comércio preferencial
A ampliação do acordo pode impulsionar o fluxo comercial bilateral, que já movimenta bilhões de dólares anualmente, mas que ainda possui grande margem para crescimento. Para o Brasil, a Índia representa um mercado consumidor em expansão para produtos agrícolas, proteínas animais e insumos industriais. Em contrapartida, o Brasil pode se beneficiar do acesso a produtos farmacêuticos indianos, tecnologia da informação, componentes automotivos e produtos manufaturados com preços competitivos. A diversificação de parceiros comerciais, especialmente com economias emergentes como a Índia, é crucial para a resiliência da economia brasileira diante de flutuações e tensões geopolíticas globais. Além do comércio de mercadorias, a expansão do acordo pode abrir portas para investimentos recíprocos e para a colaboração em cadeias de valor globais, fortalecendo a integração produtiva e tecnológica entre os dois blocos.
Cooperação para micro, pequenas e médias empresas
Um dos pilares do avanço nas relações bilaterais é o recém-assinado acordo sobre cooperação em micro, pequenas e médias empresas (MPMEs). O presidente Lula enfatizou a vitalidade desse setor para a geração de empregos e para o dinamismo econômico de ambos os países. A parceria visa apoiar a troca de experiências em áreas cruciais como gestão empresarial, acesso a mercados internacionais, adoção de novas tecnologias e mecanismos de financiamento. Essa cooperação pode resultar em programas conjuntos de capacitação, missões empresariais, feiras e rodadas de negócios que conectem empreendedores brasileiros e indianos. Além disso, a troca de conhecimentos sobre políticas públicas de fomento às MPMEs, incubadoras de startups e ecossistemas de inovação pode catalisar o crescimento e a competitividade desses negócios em ambos os países, contribuindo para a inclusão social e o desenvolvimento regional.
Parcerias estruturais para o futuro
Além do comércio de bens, a agenda de cooperação entre Brasil e Índia se estende a áreas estratégicas que moldarão o futuro global. A convergência de interesses em tecnologia de ponta, sustentabilidade e exploração de recursos essenciais demonstra o caráter abrangente e inovador da parceria.
Fronteiras da inovação digital e tecnológica
A colaboração em setores de ponta, como tecnologia da informação, inteligência artificial (IA), biotecnologia e exploração espacial, foi destacada como fonte de inúmeras oportunidades. A Índia é uma potência reconhecida em software e serviços de TI, enquanto o Brasil possui um ecossistema de startups vibrante e crescente expertise em diversas áreas tecnológicas. A parceria digital, a primeira dessa natureza assinada pelo Brasil, é um marco. Ela reúne cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e apoio a startups de base tecnológica, visando o intercâmbio de conhecimento e o desenvolvimento conjunto de soluções inovadoras. O presidente Lula também ressaltou a liderança de ambos os países na criação de infraestrutura pública digital, citando o Pix brasileiro e o India Stack como exemplos de como a tecnologia pode ser democratizada e posta a serviço da inclusão, oferecendo modelos para o mundo em desenvolvimento. O Pix revolucionou os pagamentos no Brasil, e o India Stack é um conjunto de APIs que permitem a governos, bancos, startups e desenvolvedores utilizarem uma identidade digital exclusiva (Aadhaar), pagamentos sem dinheiro (UPI) e um sistema de compartilhamento de dados consentido.
Sustentabilidade e minerais críticos: motores da transição
A agenda ambiental e a transição energética também ocupam um lugar central na parceria. O presidente Lula mencionou a significativa redução de 50% no desmatamento na Amazônia em comparação com 2022, reafirmando o compromisso do Brasil com a sustentabilidade e o combate às mudanças climáticas. Ele enfatizou que a transição energética global, crucial para um futuro de baixo carbono, e a própria transição digital, não se concretizarão sem o acesso a minerais críticos. O Brasil, um gigante geológico, possui pelo menos 26% das reservas mundiais desses minerais essenciais, tendo explorado apenas 30% de seu território. Minerais como lítio, cobalto, grafite, terras raras e nióbio são vitais para a fabricação de baterias de veículos elétricos, componentes eletrônicos, turbinas eólicas e painéis solares. A estratégia brasileira é atrair a cadeia de processamento desses recursos para o território nacional, agregando valor, gerando empregos e desenvolvendo tecnologia local, em vez de ser um mero exportador de matéria-prima. O acordo com a Índia visa justamente a essa direção, abrindo portas para investimentos e colaboração tecnológica na exploração e beneficiamento desses ativos estratégicos, sem fazer opções excludentes.
Conclusão
A visita do presidente Lula à Índia e as declarações feitas no Fórum Empresarial Brasil-Índia delineiam uma visão ambiciosa e multifacetada para a parceria bilateral. A ampliação do acordo Mercosul-Índia emerge como um pilar fundamental para o aprofundamento das relações comerciais, enquanto a cooperação em setores como MPMEs, tecnologia de ponta e minerais críticos aponta para uma agenda de desenvolvimento inovadora e sustentável. A convergência de esforços na democratização da tecnologia e na construção de um futuro mais verde demonstra o potencial de Brasil e Índia como líderes na promoção de uma nova ordem econômica global, baseada em inclusão e desenvolvimento sustentável. Essa iniciativa se insere em uma agenda diplomática mais ampla, que inclui a subsequente viagem do presidente à Coreia do Sul, reforçando o papel ativo do Brasil no cenário internacional.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual é o principal objetivo da ampliação do acordo Mercosul-Índia?
O objetivo principal é aprofundar as relações comerciais entre o Brasil e a Índia, buscando expandir a lista de produtos com preferência tarifária e, eventualmente, avançar em direção a um acordo de livre comércio. Isso visa aumentar o fluxo comercial, diversificar parceiros econômicos e promover o crescimento mútuo.
2. Como a parceria digital Brasil-Índia pode beneficiar a população?
A parceria digital focará na cooperação em inteligência artificial, computação de alto desempenho e startups de base tecnológica. Ela busca democratizar o acesso à tecnologia e promover a inclusão social, inspirada em modelos de sucesso como o Pix brasileiro e o India Stack, que são exemplos de infraestrutura pública digital acessível.
3. Qual a importância dos minerais críticos para a agenda de cooperação?
Minerais críticos são essenciais para a transição energética e digital global (baterias, eletrônicos, energias renováveis). O Brasil possui vastas reservas, e a cooperação com a Índia visa atrair investimentos e tecnologia para o processamento desses minerais no país, agregando valor, gerando empregos e garantindo o suprimento para as indústrias de alta tecnologia.
Para mais informações sobre as estratégias de comércio exterior do Brasil e as oportunidades com a Índia, consulte os canais oficiais do governo e das instituições de fomento ao comércio.
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