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FGC aprova plano emergencial para cobrir rombo do Banco Master

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial robusto para recompor seu caixa, severamente impactado pela liquidação do Banco Master. A decisão, tomada recentemente, visa assegurar a liquidez necessária para o fundo, que é crucial para a estabilidade do sistema financeiro nacional. Com essa iniciativa, o FGC busca não apenas cobrir o déficit atual, mas também fortalecer sua capacidade de resposta a futuros eventos de quebra ou liquidação de instituições financeiras. A medida representa um compromisso significativo das instituições financeiras associadas, que contribuirão com aportes antecipados e aumentos temporários em suas contribuições mensais, garantindo a solidez e a confiança no mercado bancário brasileiro até o fim do primeiro trimestre.

Estratégias para a recuperação da liquidez do FGC

Para mitigar o impacto financeiro decorrente da liquidação do Banco Master, o FGC delineou um plano que envolve múltiplas frentes de ação. A principal delas é a antecipação de contribuições futuras por parte dos bancos associados, somada a um aumento extraordinário nas contribuições mensais. Essas medidas foram cuidadosamente calibradas para garantir que o fundo recupere sua liquidez e mantenha sua capacidade de proteger os depositantes e investidores no menor prazo possível.

Antecipação de contribuições e aumento de aportes

O plano de recuperação prevê a antecipação imediata de um volume equivalente a cinco anos de contribuições futuras dos bancos associados ao FGC. Esse montante será distribuído em três parcelas mensais, facilitando a injeção rápida de capital no fundo. Além dessa medida imediata, o cronograma inclui novos adiantamentos programados: mais 12 meses de aportes em 2027 e outros 12 meses em 2028. Na prática, isso significa que até sete anos de contribuições normais serão antecipadas para reforçar o caixa do FGC.

Paralelamente à antecipação, as instituições financeiras também concordaram em elevar temporariamente o valor de suas contribuições mensais ao fundo. O aumento extraordinário deve variar entre 30% e 60% sobre as alíquotas atuais e terá vigência por, no mínimo, cinco anos, conforme informações obtidas de fontes próximas às negociações. Atualmente, os bancos associados recolhem mensalmente 0,01% sobre o total de instrumentos financeiros cobertos pela garantia do FGC. Para os Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), as alíquotas são diferenciadas, sendo mais elevadas e variando de acordo com a estrutura específica de cada emissão. Em comunicado oficial, o FGC confirmou que discute ativamente a recomposição de sua própria liquidez com as instituições associadas e o Banco Central, mantendo a confidencialidade sobre os detalhes das alternativas em análise, mas indicando que uma deliberação final é esperada em curto prazo.

Cenário de desembolsos e futuras discussões

O cenário financeiro do FGC tem sido desafiador em decorrência dos eventos recentes. A necessidade de cobrir os passivos de instituições liquidadas tem gerado um volume significativo de desembolsos, o que ressalta a importância das medidas de recomposição de liquidez aprovadas.

Desembolsos e propostas futuras

Até o momento, o FGC já desembolsou cerca de R$ 36 bilhões para ressarcir os credores do Banco Master, de um total superior a R$ 40 bilhões previstos para este caso específico. A complexidade do conglomerado financeiro, contudo, se estende. O fundo ainda não iniciou os pagamentos relacionados ao Will Bank, que integrava o mesmo grupo e teve sua liquidação decretada em um momento posterior. Para o Will Bank, a estimativa é de que as garantias somem aproximadamente R$ 6,3 bilhões. É importante notar que uma parcela adicional das perdas está associada a linhas de crédito que o próprio FGC havia concedido a empresas do grupo Master, evidenciando a interconexão e os desafios na recuperação desses valores.

Além das medidas já aprovadas, uma alternativa adicional em discussão no setor financeiro é a destinação de parte dos recursos provenientes do compulsório de depósitos à vista para reforçar o caixa do FGC. O compulsório refere-se às reservas que os bancos são legalmente obrigados a manter no Banco Central. No entanto, essa proposta depende diretamente da autorização do Banco Central, que ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema, deixando a possibilidade em fase de análise e negociação.

Governançae o futuro do fundo garantidor

A recomposição da liquidez do FGC é amplamente percebida pelo setor financeiro como um passo preliminar indispensável para uma reforma mais abrangente nas regras do fundo. Essa visão reflete a necessidade de aprimorar a estrutura e o funcionamento do FGC, garantindo sua eficácia e sustentabilidade a longo prazo, diante de um cenário financeiro em constante evolução.

Entre as discussões preliminares, estão medidas cruciais para aprimorar a governança e a fiscalização. Propostas incluem a ampliação da fiscalização sobre a qualidade dos balanços das instituições financeiras associadas, a implementação de restrições mais rigorosas a níveis elevados de alavancagem e a redução da concentração na distribuição de produtos financeiros em poucas plataformas. Essas iniciativas visam mitigar riscos sistêmicos e promover um ambiente de maior solidez. Contudo, parte das instituições financeiras, em especial os bancos tradicionais de maior porte, tem expressado críticas ao uso que o FGC tem tido nos últimos anos. Segundo esse segmento, algumas plataformas e instituições de menor porte teriam se valido do FGC para alavancar seus balanços, utilizando recursos emprestados para emprestar novamente, num modelo de negócio que consideram insustentável. Essa perspectiva argumenta que o fundo teria sido usado arbitrariamente para recompor perdas de investidores em situações que, para esses críticos, deveriam ter sido evitadas por uma gestão de risco mais prudente. A efetiva recomposição do caixa, portanto, abre caminho para um debate aprofundado sobre o papel do FGC e as adaptações necessárias para seu futuro.

Perguntas frequentes

O que é o FGC e qual sua função?
O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida pelas instituições financeiras brasileiras. Sua principal função é proteger depositantes e investidores em caso de intervenção, liquidação ou falência de uma instituição financeira associada, garantindo a recuperação de valores até um limite estabelecido por lei.

Qual o impacto da liquidação do Banco Master no FGC?
A liquidação do Banco Master gerou um impacto financeiro significativo no FGC, exigindo um desembolso de bilhões de reais para cobrir as garantias de seus credores. Esse evento impulsionou a necessidade de um plano emergencial para recompor a liquidez do fundo e assegurar sua capacidade de honrar futuros compromissos.

Quais são as principais medidas do plano emergencial do FGC?
O plano emergencial do FGC inclui a antecipação de até sete anos de contribuições futuras dos bancos associados, a serem pagas em parcelas, e um aumento temporário, entre 30% e 60%, nas contribuições mensais por um período mínimo de cinco anos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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