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Justiça de Minas paralisa operações da Vale em Ouro Preto por segurança

ANUNCIO COTIA/LATERAL

A Justiça mineira determinou a suspensão imediata das operações da Vale no Complexo Minerário de Fábrica, localizado em Ouro Preto, na região central de Minas Gerais. A decisão judicial, proferida na última sexta-feira, visa garantir a estabilidade e segurança de todas as estruturas do empreendimento, após um incidente grave que levantou sérias preocupações. A medida judicial impõe a paralisação total das atividades da mineradora na área, com exceção expressa para ações emergenciais estritamente voltadas à contenção de riscos iminentes e à proteção ambiental. Este desdobramento sublinha a crescente fiscalização e a intolerância das autoridades frente a potenciais ameaças ambientais e sociais decorrentes da atividade minerária no estado. A determinação reforça o compromisso com a segurança e a integridade do ecossistema local.

O incidente na Cava Área 18 e seus impactos

A determinação judicial surge como resposta direta a um colapso estrutural ocorrido no dia 25 de janeiro na Cava Área 18 do complexo. O evento crítico resultou no extravasamento de um volume considerável de material – aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos – que se espalhou por diversas áreas. A onda de rejeitos e água não apenas atingiu setores operacionais da própria Vale, mas também se estendeu a propriedades de terceiros, causando danos e preocupação entre a população local.

O impacto ambiental foi significativo, com o material escoando para importantes cursos d’água da região. O Córrego Água Santa e o Rio Maranhão foram diretamente afetados, integrando a Bacia do Rio Paraopeba, que já possui um histórico sensível de contaminação e desastres ambientais relacionados à mineração. A gravidade do incidente foi acentuada por falhas evidentes no sistema de drenagem da estrutura, bem como pelo uso inadequado da cava. A Cava Área 18 estava sendo utilizada não apenas como reservatório hídrico, mas também para o armazenamento de rejeitos, o que amplificou os riscos e as consequências do colapso.

Falhas estruturais e o potencial de risco

As investigações que fundamentaram a decisão judicial destacaram que as falhas no sistema de drenagem da Cava Área 18 comprometeram a capacidade da estrutura de gerenciar adequadamente os volumes de água e sedimentos, especialmente em períodos de maior pluviosidade. Esta deficiência é considerada crítica em operações minerárias, onde o controle hídrico é fundamental para a estabilidade geotécnica de barragens e cavas. Além disso, a utilização da cava como um repositório para múltiplos tipos de materiais, incluindo rejeitos, sem os devidos estudos de estabilidade e licenciamento específico para tal fim, é um fator de risco agravante.

A combinação desses fatores criou uma situação de vulnerabilidade que culminou no extravasamento, pondo em xeque a segurança operacional de todo o Complexo Minerário de Fábrica. As autoridades judiciais e ambientais expressaram preocupação com o precedente que tal incidente representa, ressaltando a necessidade urgente de a Vale comprovar a integridade e segurança de todas as suas estruturas no local. A ausência de uma gestão robusta de riscos, especialmente em áreas de alta sensibilidade ambiental e social, pode acarretar danos irreversíveis e coloca em alerta toda a comunidade e os órgãos reguladores.

Medidas urgentes e a resposta da Vale à paralisação

Diante do cenário de risco e dos danos já constatados, a Justiça mineira impôs à Vale uma série de medidas de urgência, com prazos e exigências claras, visando mitigar futuros problemas e garantir a segurança das operações. Entre as determinações mais prementes, a mineradora foi notificada a apresentar um plano emergencial detalhado em até cinco dias, delineando as ações que serão tomadas para contenção e correção das anomalias identificadas. Este plano deve abranger desde a estabilização das estruturas até a recuperação das áreas impactadas pelo extravasamento.

Além disso, a decisão judicial exige o monitoramento contínuo e rigoroso da qualidade da água nos cursos hídricos afetados, como o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, para avaliar a extensão da contaminação e acompanhar os esforços de remediação. A Vale também foi instruída a realizar um mapeamento exaustivo de todas as estruturas do Complexo Minerário de Fábrica que apresentem potencial de risco, com o objetivo de identificar e classificar quaisquer outras fragilidades que possam comprometer a segurança. A adoção imediata de ações corretivas para quaisquer problemas detectados é mandatório, e o descumprimento de qualquer uma dessas medidas pode acarretar em severas penalidades financeiras. A multa diária estipulada é de 100 mil reais, limitada inicialmente a 10 milhões de reais, um valor que reflete a seriedade com que a Justiça encara a necessidade de conformidade.

Implicações e o posicionamento da mineradora

Em resposta à determinação judicial, a Vale informou que acatou a decisão e procedeu com a suspensão das operações no complexo de Ouro Preto, e também em Congonhas, embora a decisão judicial específica se refira a Ouro Preto. A empresa reafirmou que suas barragens na região permanecem estáveis, uma declaração que busca tranquilizar a opinião pública e os órgãos fiscalizadores. A Vale também comunicou que já deu início aos trabalhos de remoção de sedimentos nas áreas atingidas pelo extravasamento e que está em fase de elaboração de um plano de recuperação ambiental abrangente para as localidades impactadas.

A paralisação das atividades em um de seus complexos minerários mais importantes representa um desafio significativo para a Vale, tanto do ponto de vista operacional quanto reputacional. O caso ressalta a pressão contínua sobre as mineradoras para que operem com os mais altos padrões de segurança e governança ambiental, especialmente em Minas Gerais, um estado que já enfrentou tragédias de grandes proporções. A atenção dos órgãos reguladores, da comunidade e da mídia permanecerá focada nas ações da empresa para cumprir integralmente as exigências judiciais e restaurar a confiança pública em suas operações.

Uma questão contínua de segurança e responsabilidade

A decisão judicial que determina a suspensão das operações da Vale em Ouro Preto é um marco importante na garantia da segurança e na responsabilização ambiental no setor de mineração. O incidente na Cava Área 18 serve como um alerta contundente sobre a necessidade de vigilância constante e de adesão rigorosa aos protocolos de segurança, prevenindo desastres que podem ter consequências devastadoras para o meio ambiente e as comunidades. A imposição de medidas urgentes e o acompanhamento judicial reforçam a mensagem de que a exploração mineral deve ser conduzida com a máxima prudência e respeito às normativas, assegurando que o desenvolvimento econômico não comprometa a integridade ambiental e a vida humana.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Qual o motivo exato da suspensão das operações da Vale em Ouro Preto?
A suspensão foi determinada pela Justiça mineira após o colapso de uma estrutura na Cava Área 18 do Complexo Minerário de Fábrica, em 25 de janeiro. A decisão visa garantir a comprovação da estabilidade e segurança de todas as estruturas do empreendimento, devido a preocupações com falhas no sistema de drenagem e o uso inadequado da cava como reservatório de água e rejeitos.

2. Quais foram as consequências ambientais do colapso na Cava Área 18?
O colapso resultou no extravasamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos. Esse material atingiu áreas operacionais da Vale, propriedades de terceiros e, de forma crítica, cursos d’água como o Córrego Água Santa e o Rio Maranhão, ambos parte da Bacia do Rio Paraopeba, gerando impactos ambientais significativos e riscos de contaminação.

3. Que medidas a Justiça exigiu da Vale e qual a penalidade por descumprimento?
A Justiça exigiu que a Vale apresente um plano emergencial em até cinco dias, realize monitoramento contínuo da qualidade da água, mapeie estruturas com potencial de risco e adote ações corretivas imediatas. O descumprimento dessas medidas pode gerar uma multa diária de 100 mil reais, limitada inicialmente a 10 milhões de reais.

4. Como a Vale reagiu à decisão judicial e quais ações foram tomadas?
A Vale informou que acatou a decisão, suspendendo as operações em Ouro Preto e também em Congonhas. A empresa afirmou que suas barragens seguem estáveis e que já iniciou a remoção de sedimentos nas áreas atingidas, além de estar elaborando um plano de recuperação ambiental.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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