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TRE-SP mantém prefeito e vice de Barueri nos cargos após recurso

ALESP

A governança de Barueri, na Grande São Paulo, segue sob escrutínio judicial intenso, mas com uma definição provisória crucial. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu recentemente que o prefeito José Roberto Piteri (Republicanos) e sua vice, Cláudia Aparecida Afonso Marques (PSB), permanecerão em seus respectivos mandatos. A decisão, proferida pelo juiz relator Regis de Castilho, concede efeito suspensivo a novos embargos de declaração, congelando qualquer determinação de afastamento imediato que pudesse advir de sentenças anteriores. Este desenvolvimento marca mais um capítulo em uma complexa batalha jurídica que envolve acusações de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante o período eleitoral, mantendo a estabilidade administrativa na cidade de Barueri até o julgamento final dos recursos na Justiça Eleitoral.

O desenrolar da decisão judicial

A mais recente reviravolta no cenário político-jurídico de Barueri foi anunciada nesta sexta-feira (23), quando o juiz Regis de Castilho, relator do caso no TRE-SP, acolheu o pedido de efeito suspensivo. Esta medida legal impede, por ora, a execução da cassação dos mandatos do prefeito José Roberto Piteri e da vice Cláudia Marques, que havia sido determinada em decisões anteriores da própria corte. A ação foi motivada pelos embargos de declaração apresentados pela defesa da vice-prefeita, buscando esclarecimentos e revisões sobre pontos específicos da sentença. Tais embargos são recursos utilizados para solicitar que o tribunal sane omissão, obscuridade ou contradição em suas decisões.

A suspensão imediata do afastamento

Ao deferir o pedido, o magistrado explicitou a finalidade da medida: “Defere-se o pedido de efeito suspensivo aos Embargos de Declaração opostos por Claudia Aparecida Afonso Marques, para que torne sem efeito a determinação de cumprimento imediato da cassação do mandato de prefeito e vice-prefeito do Município de Barueri.” Essa determinação significa que a ordem de afastamento imediato, que resultou de uma decisão do TRE-SP em dezembro do ano passado, está temporariamente anulada. Com isso, os gestores podem continuar a exercer suas funções enquanto os recursos apresentados são analisados pela Justiça Eleitoral, garantindo a continuidade da administração municipal sem interrupções abruptas.

Paralelamente, o juiz Raul de Aguiar Ribeiro Filho, responsável pela 199ª Zona Eleitoral de Barueri, emitiu uma decisão complementar corroborando que qualquer eventual afastamento dos cargos só poderá ocorrer após o esgotamento de todas as instâncias recursais. Esta condição inclui, notavelmente, a análise final pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que garante um longo caminho processual pela frente antes de qualquer modificação definitiva na liderança municipal. A medida ressalta a importância do devido processo legal e do direito à ampla defesa, assegurando que todas as possibilidades de recurso sejam exauridas.

Os advogados da chapa, Rafael Carneiro e Felipe Corrêa, expressaram satisfação com o resultado. Em nota divulgada, celebraram a decisão, afirmando que o relator do caso no TRE-SP “reconheceu, corretamente, que a liminar proferida pelo Tribunal Superior Eleitoral continua vigente, preservando o exercício dos cargos pelo prefeito e vice-prefeita até que a análise do processo seja finalizada na Justiça Eleitoral.” Este posicionamento reforça a visão da defesa de que a permanência dos gestores é um direito assegurado pelas instâncias superiores enquanto o mérito da questão ainda não foi definitivamente julgado.

O histórico das acusações de abuso de poder

O cerne do processo judicial que envolve a chapa Piteri-Marques reside em graves acusações de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2020. A denúncia aponta para uma sistemática utilização de recursos e plataformas digitais para promover indevidamente a candidatura, influenciando o pleito de maneira ilegal e desequilibrando a disputa em detrimento de outros concorrentes.

As alegações e condenações anteriores

A controvérsia ganhou proeminência com a inclusão do ex-prefeito Rubens Furlan (também do PSB) nas acusações. Segundo os autos, Furlan teria desempenhado um papel central na estratégia de impulsionamento de conteúdo, o que configura o uso indevido dos meios de comunicação para beneficiar a chapa. As investigações e o desenrolar do processo revelaram que um total de 94 publicações foram impulsionadas nas redes sociais por Rubens Furlan durante o período eleitoral, com o objetivo explícito de promover a candidatura que ele apoiava. Este número elevado de impulsionamentos pagos, segundo a acusação, teria desequilibrado a disputa eleitoral e ferido os princípios da igualdade entre os candidatos, prática vedada pela legislação eleitoral.

Em abril de 2021, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia inicialmente cassado os diplomas de Piteri e Cláudia Marques, determinando o afastamento imediato dos cargos e decretando a inelegibilidade de Piteri e Furlan por oito anos. Contudo, em maio do mesmo ano, uma importante reviravolta ocorreu: o ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), suspendeu a cassação. A decisão do ministro foi baseada na aceitação de recursos da defesa que apresentavam novos documentos técnicos, questionando o real alcance e impacto das publicações impulsionadas. Com essa liminar do TSE, Piteri e Cláudia puderam retornar aos seus postos, mantendo-se no comando da prefeitura.

No entanto, o caso não se encerrou. Em dezembro de 2021, o TRE-SP, em uma votação apertada de 4 a 3, decidiu por manter a cassação dos mandatos do prefeito e da vice. Apesar dessa deliberação, José Roberto Piteri conseguiu permanecer no cargo, amparado pela liminar anteriormente concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral. Essa complexidade de decisões e recursos tem sido uma constante no processo, evidenciando as nuances e as diferentes interpretações jurídicas sobre os fatos apresentados. A possibilidade de novas eleições em Barueri, caso a decisão de cassação fosse mantida e transitasse em julgado, tem pairado sobre o município, gerando incertezas políticas e administrativas.

Perspectivas e próximos passos na justiça eleitoral

A decisão recente do TRE-SP, que mantém o prefeito e a vice de Barueri em seus cargos, embora traga um alívio momentâneo para a administração municipal, não representa o fim do processo judicial. Pelo contrário, ela apenas adia a resolução final, sublinhando a complexidade e a natureza litigiosa do caso. A Justiça Eleitoral, em suas diferentes instâncias, ainda tem um papel fundamental a desempenhar na elucidação definitiva das acusações e na aplicação da lei, garantindo a lisura dos processos democráticos.

A complexidade do litígio e o aguardado julgamento final

O futuro político de Barueri depende agora dos próximos julgamentos, especialmente no Tribunal Superior Eleitoral. Os embargos de declaração que concederam o efeito suspensivo serão analisados, e a validade das acusações de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação será reavaliada em profundidade. A chapa Piteri-Marques continuará a defender a legalidade de suas ações, apresentando argumentos e provas que refutem as alegações, enquanto a acusação insistirá na comprovação das irregularidades que, segundo ela, comprometeram a lisura do pleito.

A dinâmica processual, com recursos sendo interpostos e decisões sendo proferidas e suspensas em diferentes níveis da Justiça Eleitoral, demonstra a meticulosidade com que esses casos são tratados. Para o município de Barueri, essa prolongada batalha judicial implica um período de relativa instabilidade política, embora a continuidade dos atuais gestores minimize o impacto imediato na administração. A comunidade e os eleitores aguardam com expectativa um desfecho que traga clareza e encerre definitivamente a questão da legitimidade dos mandatos. A decisão final do TSE será um marco importante não apenas para Barueri, mas também para a jurisprudência eleitoral brasileira, estabelecendo precedentes sobre o uso de mídias sociais e o impulsionamento de conteúdo em campanhas políticas, impactando futuras eleições em todo o país.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual a decisão mais recente do TRE-SP sobre o caso de Barueri?
O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) decidiu manter o prefeito José Roberto Piteri e a vice Cláudia Marques em seus cargos. A decisão concedeu efeito suspensivo a novos embargos de declaração, o que impede, por ora, a execução de qualquer ordem de afastamento imediato que havia sido determinada.

O que significa “efeito suspensivo” neste contexto?
Efeito suspensivo é uma medida judicial que paralisa os efeitos de uma decisão anterior até que novos recursos ou análises sejam concluídos. Neste caso, ele suspende a ordem de cassação dos mandatos, permitindo que o prefeito e a vice permaneçam em suas funções enquanto os embargos de declaração e outros recursos são julgados nas instâncias superiores.

Quais são as acusações contra o prefeito e vice de Barueri?
Eles são acusados de abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha eleitoral de 2020. As acusações incluem o impulsionamento de 94 publicações em redes sociais pelo ex-prefeito Rubens Furlan, visando promover indevidamente a candidatura da chapa.

Quem é Rubens Furlan e qual sua relação com o caso?
Rubens Furlan é o ex-prefeito de Barueri e também é parte nas acusações de abuso de poder. Ele é apontado como o responsável por impulsionar publicações nas redes sociais em apoio à chapa de José Roberto Piteri e Cláudia Marques durante a campanha, sendo inclusive decretada sua inelegibilidade por oito anos em decisões anteriores do TRE-SP.

Haverá novas eleições em Barueri?
A possibilidade de novas eleições em Barueri depende do julgamento final dos recursos na Justiça Eleitoral, especialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto houver recursos pendentes e liminares vigentes, como o atual efeito suspensivo, os atuais gestores permanecem no cargo, e novas eleições não são automaticamente convocadas. A decisão final do TSE determinará o futuro político da cidade.

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Fonte: https://g1.globo.com

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