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Memória de Brumadinho ressoa em ato e espetáculo cultural em São Paulo

ALESP

O mês de janeiro carrega consigo datas de profunda reflexão e celebração em diversas esferas da sociedade brasileira. Enquanto o dia 21 de janeiro é dedicado à fraternidade e ao respeito mútuo, um convite à tolerância religiosa e à valorização das raízes africanas, o dia 25 marca uma dupla efeméride na cidade de São Paulo. Além de celebrar o aniversário da metrópole, a data também assinala, há exatos sete anos, um dos eventos mais dolorosos da história recente do país: a tragédia de Brumadinho. Neste contexto de memória e cultura, a cidade se prepara para receber eventos que buscam manter viva a recordação das vítimas e o compromisso com a justiça, destacando o espetáculo “Ganga” como um pilar dessa mobilização cultural e social.

Raízes da memória e da fé

O dia 21 de janeiro ressoa com um chamado à união e ao respeito às diversas manifestações de fé, especialmente as de matriz africana. A celebração da tolerância religiosa e da força ancestral é um lembrete da rica tapeçaria cultural que compõe o Brasil. Nesse contexto, a figura do “Ganga” ganha destaque. No Candomblé, Umbanda e outras religiões afro-brasileiras, “Ganga” é um termo reverenciado, designando chefes de terreiro, guardiões de saberes e tradições que representam a vitalidade e a resistência da “mãe África” em terras brasileiras. Esse simbolismo de liderança espiritual e ancestralidade profunda permeia a programação cultural que se avizinha.

O significado de “Ganga” e sua ressonância cultural

A figura do Ganga, portanto, transcende o aspecto meramente religioso, tornando-se um símbolo de resiliência, sabedoria e conexão com as origens. É com essa carga semântica que o nome “Ganga” foi escolhido para um espetáculo que será apresentado em São Paulo. Essa obra artística propõe uma ponte entre a espiritualidade africana e a necessidade de evocar a memória em um contexto de dor e superação. A escolha do nome não é acidental, pois busca inspirar a mesma força e união presentes nas comunidades de fé para a mobilização social em torno de causas urgentes. O espetáculo, ao incorporar elementos da cultura e religiosidade de matriz africana, não apenas presta homenagem, mas também atua como um veículo para a reflexão e o ativismo, lembrando que a arte tem um papel crucial na construção da memória coletiva e na busca por justiça social.

25 de janeiro: A Pauliceia e a ferida de Brumadinho

Enquanto a cidade de São Paulo se prepara para celebrar seu aniversário em 25 de janeiro, a data também é um marco sombrio para o Brasil. Há sete anos, neste mesmo dia, a cidade de Brumadinho, em Minas Gerais, foi palco de uma das maiores tragédias ambientais e humanas do país. O rompimento da barragem de Córrego do Feijão, pertencente à mineradora Vale S.A., ceifou 270 vidas e deixou um rastro de destruição ambiental e social sem precedentes. A data, para muitas famílias e ativistas, é um lembrete doloroso da necessidade contínua de memória, justiça e prevenção. A dualidade do 25 de janeiro, entre a festa paulistana e a luto mineiro, sublinha a complexidade e as cicatrizes que o país ainda carrega.

Sete anos da tragédia: um chamado por justiça

A tragédia de Brumadinho não é apenas um evento passado; é uma ferida aberta que exige constante atenção e reparação. Sete anos após o desastre, a luta por justiça e responsabilização continua. Centenas de famílias ainda enfrentam o luto e a busca por respostas, enquanto a reconstrução de vidas e do meio ambiente é um processo lento e doloroso. O impacto se estendeu muito além das vítimas diretas, afetando comunidades inteiras, a economia local e o ecossistema do Rio Paraopeba. A data, portanto, serve como um poderoso chamado à mobilização social, um ato em nome da memória que busca assegurar que tais catástrofes não se repitam e que os responsáveis sejam devidamente punidos. A impunidade, temem os familiares e ativistas, alimenta a negligência e coloca em risco outras comunidades e barragens em todo o país.

O espetáculo “Ganga”: arte como ferramenta de recordação

É nesse cenário de memória e ativismo que o espetáculo “Ganga” se insere. Apresentado em São Paulo, ele faz parte de uma programação maior que visa mobilizar a população em torno da data de 25 de janeiro. O evento busca unir a potência cultural das religiões de matriz africana, simbolizada pelo nome “Ganga”, com a urgência de manter viva a memória das vítimas de Brumadinho. A arte, nesse contexto, não é apenas entretenimento, mas uma forma poderosa de expressão e resistência, capaz de comunicar a dor, a esperança e o clamor por justiça. Ao dar voz a essa narrativa, o espetáculo se torna um ato de solidariedade e um veículo para que a história de Brumadinho não seja esquecida.

Helena Taliberti e a voz das vítimas

Entre os mais dedicados a manter viva a memória das vítimas de Brumadinho está Helena Taliberti. Com uma conexão pessoal profunda à tragédia – ela perdeu seu irmão, cunhada e sobrinho que estava para nascer no rompimento da barragem –, Helena tem sido uma voz incansável na busca por justiça e memória. Sua presença nos atos e eventos que marcam o aniversário da catástrofe é fundamental para humanizar os números e os processos, lembrando que por trás de cada dado há uma história, uma família, um sonho interrompido. Ela e outros familiares são a força motriz de movimentos que buscam não apenas punição, mas também a implementação de políticas preventivas mais rigorosas, para que nenhuma outra família precise passar pela mesma dor. O chamado de Helena Taliberti é um convite à sociedade brasileira para se irmanar nesse ato de recordação e exigir um futuro mais seguro e justo.

Luta contínua por memória e reparação

A memória das vítimas de Brumadinho, tão dolorosamente evocada a cada 25 de janeiro, é um pilar fundamental para a construção de um futuro mais seguro e justo no Brasil. As celebrações culturais, como o espetáculo “Ganga”, e os atos de mobilização social em São Paulo, liderados por vozes como a de Helena Taliberti, demonstram a resiliência e a determinação da sociedade em não permitir que a impunidade e o esquecimento prevaleçam. A conexão entre a tolerância religiosa, as raízes africanas de força e o clamor por justiça em Brumadinho tece uma narrativa complexa de dor, resistência e esperança. É um lembrete constante de que a vigilância cidadã e a busca incansável por responsabilização são essenciais para honrar os que se foram e proteger as gerações futuras de tragédias evitáveis. A luta por memória e reparação é um compromisso contínuo, que exige a participação de todos.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é o espetáculo “Ganga” e qual sua relação com Brumadinho?
“Ganga” é uma peça teatral em São Paulo que usa o simbolismo da liderança espiritual africana para evocar a memória e a resiliência, prestando homenagem às vítimas da tragédia de Brumadinho e buscando mobilizar a sociedade.

2. Qual a importância da data de 25 de janeiro para a memória de Brumadinho?
Em 25 de janeiro de 2019, ocorreu o rompimento da barragem em Brumadinho, Minas Gerais, causando 270 mortes. A data se tornou um marco para lembrar as vítimas e exigir justiça e prevenção de novas catástrofes.

3. Quem é Helena Taliberti e qual seu papel na busca por justiça?
Helena Taliberti é uma ativista que perdeu familiares na tragédia de Brumadinho. Ela é uma voz ativa na busca por justiça e na manutenção da memória das vítimas, mobilizando a sociedade para a responsabilização e a prevenção.

Participe dos atos em nome da memória e apoie as iniciativas que buscam justiça e reparação para Brumadinho, garantindo que esta história não seja esquecida.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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