© Paulo Pinto/ Agência Brasil

Procon-SP multa Enel em R$ 14 milhões por falhas no fornecimento

ALESP

A Enel, concessionária responsável pela distribuição de energia elétrica em grande parte da região metropolitana de São Paulo, foi penalizada com uma multa de R$ 14 milhões pelo Procon-SP. A sanção é resultado de uma série de falhas no fornecimento de energia elétrica que impactaram milhões de consumidores no final do ano passado. O órgão de defesa do consumidor agiu após registrar um volume expressivo de reclamações, evidenciando interrupções prolongadas e a inadequação do serviço. As falhas, que ocorreram em períodos críticos de setembro e dezembro, geraram desconforto e prejuízos, colocando em xeque a qualidade da prestação de um serviço essencial. Esta não é a primeira vez que a Enel é autuada por problemas similares, levantando preocupações sobre a confiabilidade de sua operação na maior metrópole do país.

A origem das falhas e a atuação do Procon-SP

Reclamações e base legal da penalidade

A multa imposta pelo Procon-SP à Enel é um desdobramento direto de eventos críticos de interrupção no fornecimento de energia elétrica. As falhas em questão foram registradas entre os dias 21 e 23 de setembro, e novamente de 8 a 14 de dezembro do ano passado. Durante esses períodos, moradores de diversos municípios da Grande São Paulo enfrentaram a falta de eletricidade por mais de 48 horas, em muitos casos, excedendo significativamente esse tempo. O volume e a gravidade das reclamações de consumidores foram determinantes para a ação do Procon-SP, que identificou violações claras às normas de defesa do consumidor.

A base legal para a penalidade reside no artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Este dispositivo legal estabelece que as concessionárias, empresas ou órgãos públicos que operam serviços essenciais “são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos”. A interrupção prolongada e generalizada do fornecimento de energia elétrica, especialmente em uma região de alta densidade populacional e econômica como a Grande São Paulo, configura uma clara infração a essa obrigatoriedade. A energia elétrica é reconhecidamente um serviço essencial, cuja descontinuidade impacta diretamente a vida e a segurança dos cidadãos, além de causar prejuízos econômicos significativos.

Histórico de autuações e reincidência

A penalidade de R$ 14 milhões aplicada pelo Procon-SP não é um incidente isolado na trajetória da Enel. Desde 2019, a concessionária foi autuada nove vezes pelo órgão de defesa do consumidor paulista, o que sinaliza um padrão de problemas na prestação do serviço. Essa recorrência reforça a gravidade das atuais falhas e a percepção de que as medidas corretivas adotadas pela empresa até então podem não ter sido suficientes para garantir a qualidade e a continuidade exigidas.

Adicionalmente, em dezembro do ano passado, a Enel já havia sido multada em R$ 14,3 milhões pelo Procon Paulistano, um órgão vinculado à prefeitura da capital. Aquela multa foi aplicada após milhões de consumidores da cidade de São Paulo ficarem sem energia devido à passagem de um ciclone extratropical, ocorrido entre os dias 8 e 10 de dezembro. Os eventos, embora distintos em termos de órgão autuador, sublinham a persistência dos desafios enfrentados pela concessionária e a crescente insatisfação das autoridades e da população com a instabilidade do fornecimento de energia.

Repercussões políticas e o impacto aos consumidores

Mobilização de autoridades e pedido de caducidade

As constantes falhas no fornecimento de energia elétrica pela Enel provocaram uma forte reação das autoridades estaduais e federais. Em meados de dezembro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, realizaram uma reunião para discutir a crise. O encontro resultou em um posicionamento conjunto contundente: as autoridades anunciaram que protocolariam junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) um pedido de caducidade do contrato de concessão de distribuição que a Enel detém em São Paulo.

O pedido de caducidade é uma medida extrema e representa a solicitação de encerramento da concessão, o que implicaria a saída da Enel da operação na capital paulista e em outros 23 municípios da região metropolitana. Essa movimentação política demonstra a gravidade com que a situação é tratada pelos gestores públicos, que veem na reincidência das falhas uma quebra de contrato e uma falha na capacidade da empresa de cumprir suas obrigações essenciais. A possibilidade de caducidade adiciona uma camada de pressão significativa sobre a concessionária.

Intervenção presidencial e apuração de responsabilidades

A crise no fornecimento de energia em São Paulo alcançou até mesmo o mais alto escalão do governo federal. No início deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou a apuração rigorosa das falhas da Enel. A diretriz presidencial foi clara: deveriam ser adotadas “medidas cabíveis e necessárias à plena garantia da prestação adequada, contínua e eficiente do serviço público de distribuição de energia elétrica” para a população da região metropolitana de São Paulo.

Essa intervenção presidencial ressalta a importância estratégica do serviço e a preocupação com o impacto social e econômico das interrupções. A determinação de Lula coloca a Enel sob um escrutínio ainda maior, com a expectativa de que as agências reguladoras e os órgãos de fiscalização ajam com rigor para assegurar que a concessionária cumpra integralmente suas obrigações contratuais e regulatórias. A busca por responsabilidades e a exigência de um plano de contingência robusto são temas centrais nesta apuração.

O dimensionamento do problema: milhões de afetados

O impacto do ciclone extratropical e a contagem de clientes

As falhas mais amplas e impactantes no fornecimento de energia ocorreram em dezembro, em grande parte devido à passagem de um ciclone extratropical que atingiu a região metropolitana de São Paulo. A Enel confirmou que um total de 4,4 milhões de clientes foram afetados pela falta de energia durante esse período. Este número, segundo a própria empresa, refere-se à “soma de unidades afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de ventos fortes”.

A concessionária esclareceu que, enquanto equipes trabalhavam para reconectar clientes desligados, outros eram impactados sucessivamente pela força do vendaval, o que resultou em uma contagem cumulativa maior. Anteriormente, o número estimado de clientes afetados divulgado durante a operação de restabelecimento era de 2,2 milhões, correspondente ao pico de instalações interrompidas simultaneamente. Essa distinção numérica ilustra a complexidade da gestão de crises em eventos climáticos extremos e a amplitude do problema enfrentado pelos consumidores.

Posição da Enel diante das acusações

Até o momento, a Enel não se manifestou publicamente sobre a aplicação específica da multa de R$ 14 milhões imposta pelo Procon-SP. No entanto, a empresa já havia se pronunciado anteriormente sobre os eventos de dezembro, justificando os problemas com a força e a persistência dos ventos do ciclone extratropical. A concessionária tem enfatizado os desafios operacionais impostos por condições climáticas severas, que teriam provocado danos extensos à infraestrutura de distribuição.

A empresa comunicou que estava realizando um esforço concentrado para o restabelecimento e que as informações sobre o número de afetados foram apuradas internamente após o evento climático. Apesar das justificativas, a percepção pública e das autoridades é que a resposta da Enel foi insuficiente e que a infraestrutura não estava devidamente preparada para suportar tais condições, levando às sucessivas interrupções no fornecimento. A falta de um posicionamento sobre a multa atual mantém o foco na necessidade de transparência e de ações concretas para prevenir futuras ocorrências.

Perspectivas futuras e os desafios da concessão

A multa de R$ 14 milhões e o histórico de autuações do Procon-SP, somados à pressão política de esferas estadual, municipal e federal, colocam a Enel em uma posição delicada em sua operação na região metropolitana de São Paulo. A exigência de um serviço adequado, eficiente, seguro e, acima de tudo, contínuo, é fundamental para uma metrópole que depende intrinsecamente da energia elétrica para seu funcionamento diário. A continuidade das falhas tem gerado não apenas prejuízos financeiros e desconforto para os milhões de consumidores, mas também tem abalado a confiança na capacidade da concessionária em honrar seus compromissos. A discussão sobre a caducidade do contrato é um indicativo claro da insustentabilidade da situação atual, caso não haja uma mudança significativa e perceptível na qualidade do serviço. A Enel, por sua vez, anunciou investimentos bilionários, incluindo R$ 10 bilhões com foco em rede subterrânea, o que poderia ser uma solução para mitigar futuros problemas. A fiscalização e a cobrança por parte dos órgãos reguladores e da sociedade civil serão cruciais para assegurar que esses investimentos se traduzam em melhorias tangíveis e duradouras, garantindo a estabilidade energética necessária para o desenvolvimento da região.

FAQ

Qual o valor total das multas aplicadas à Enel por órgãos de defesa do consumidor no final do ano passado?
Considerando a multa de R$ 14 milhões do Procon-SP e a multa de R$ 14,3 milhões do Procon Paulistano em dezembro, a Enel foi penalizada em mais de R$ 28 milhões por falhas no fornecimento de energia.

Qual artigo do Código de Defesa do Consumidor a Enel infringiu, segundo o Procon-SP?
A Enel infringiu o artigo 22 do Código de Defesa do Consumidor, que obriga as concessionárias de serviços essenciais a fornecê-los de forma adequada, eficiente, segura e contínua.

Quantos clientes da Enel foram afetados pela falta de energia na Grande São Paulo em dezembro, de acordo com a própria empresa?
A Enel confirmou que 4,4 milhões de clientes foram afetados pela falta de energia na região metropolitana de São Paulo após a passagem de um ciclone extratropical em dezembro, considerando a soma de unidades afetadas ao longo de mais de 12 horas seguidas de ventos fortes.

Quais autoridades se reuniram para discutir a situação da Enel e o que foi solicitado à Aneel?
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o prefeito da capital, Ricardo Nunes, e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, se reuniram e anunciaram que levariam à Aneel um pedido de caducidade do contrato de concessão da Enel.

Quais são os planos da Enel para melhorar o serviço, segundo notícias relacionadas?
A Enel anunciou um plano de investimentos de R$ 10 bilhões, com foco na modernização da rede, incluindo a expansão da rede subterrânea, visando aprimorar a qualidade e a resiliência do fornecimento de energia.

Para se manter atualizado sobre a qualidade dos serviços de energia em sua região e entender seus direitos como consumidor, acompanhe os comunicados dos órgãos reguladores e de defesa do consumidor.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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