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Lei Rouanet gera retorno de R$ 7,59 por real investido, aponta estudo

ALESP

Um levantamento aprofundado revela que, para cada R$ 1 investido em projetos executados com recursos da Lei Rouanet, a economia brasileira recebe um retorno de R$ 7,59. A análise detalhada sobre os impactos desse mecanismo de incentivo à cultura, agora disponibilizada, oferece uma perspectiva clara sobre a sua relevância. Os dados indicam não apenas um expressivo multiplicador financeiro, mas também um crescimento substancial no número de projetos apoiados, que saltou de aproximadamente 2.600 para mais de 14 mil por ano entre 2022 e 2024. Este panorama reforça o papel da Lei Rouanet como uma ferramenta vital para o desenvolvimento econômico e social, impulsionando diversos setores e regiões do país.

A dinâmica econômica da Lei Rouanet

Multiplicador financeiro e geração de empregos

O estudo divulgado corrobora o significativo impacto econômico da Lei Rouanet, demonstrando que o investimento cultural funciona como um poderoso motor de crescimento. A cada real direcionado a iniciativas culturais, quase oito vezes esse valor reverte para a economia, evidenciando uma cadeia produtiva robusta e interligada. Em 2024, a atuação da lei foi responsável pela abertura de cerca de 230 mil postos de trabalho, a um custo médio de R$ 12,3 mil por vaga. Especialistas enfatizam que esses recursos não são consumidos de forma isolada, mas geram “ondas de gastos” que se propagam por múltiplos elos da economia, abrangendo desde a produção direta até os serviços e bens indiretamente envolvidos. Desde a sua criação em 1993, o mecanismo de incentivo à cultura já movimentou um montante superior a R$ 60 bilhões em valores não corrigidos, consolidando-se como um dos pilares do fomento cultural e econômico nacional.

Perfil dos projetos e distribuição de recursos

A análise do panorama de 2024 revela que 4.939 projetos foram executados com apoio da Lei Rouanet. A maioria dos proponentes, totalizando 3.154 empresas ou 86,7%, demonstrou o engajamento do setor privado no apoio à cultura. Esses projetos culminaram em 567 mil pagamentos diversos a uma ampla gama de fornecedores e prestadores de serviços, abrangendo aproximadamente 1.800 categorias distintas. A captação de recursos mostrou uma concentração em projetos de menor e médio porte: 76,72% das iniciativas captaram até R$ 1 milhão, enquanto 21,70% alcançaram até R$ 10 milhões. A maior parte do investimento foi destinada a custos logísticos, administrativos e às equipes técnicas, com cerca de um terço dos recursos sendo direcionado diretamente para o pagamento de artistas. Uma característica notável é o efeito distributivo de renda, observado no fato de que 96,9% dos pagamentos realizados via Lei Rouanet são de valores inferiores a R$ 25 mil, espalhando os benefícios financeiros de forma mais pulverizada na sociedade.

Expansão regional e desburocratização

Distribuição geográfica dos investimentos

A movimentação de R$ 25,7 bilhões por meio dos mecanismos de incentivo à cultura em 2024 demonstra uma distribuição geográfica concentrada, mas com esforços crescentes em outras regiões. O Sudeste captou a maior parte dos recursos, com R$ 18 bilhões, refletindo sua infraestrutura cultural e econômica mais desenvolvida. A Região Sul recebeu R$ 4,5 bilhões, seguida pelo Nordeste, com R$ 1,92 bilhão. O Centro-Oeste e o Norte registraram captações de cerca de R$ 400 milhões e R$ 360 milhões, respectivamente. Além dos recursos formais, o levantamento apontou que os projetos da Lei Rouanet têm um considerável potencial de captação extraconcurso, atraindo mais de R$ 500 milhões de outras fontes e aproximadamente R$ 300 milhões em apoios não financeiros no mesmo período, evidenciando a capacidade de mobilização cultural para além do incentivo fiscal direto.

Crescimento de projetos e agilidade processual

Uma notável melhora na gestão processual foi identificada, com uma redução significativa no tempo de análise dos projetos, que caiu de mais de 100 dias em 2022 para 35 dias em 2025. Essa agilidade contribui para a execução mais rápida das propostas culturais. No período comparativo entre 2018 e 2024, todas as regiões do Brasil apresentaram crescimento no número de projetos aprovados. A Região Nordeste se destacou com um aumento superior a 400%, passando de 337 projetos para 1.778. A Região Norte também demonstrou uma evolução expressiva, indo de 125 para 635 projetos. Mesmo a Região Sudeste, que já possuía uma base maior, dobrou sua quantidade de projetos, de 3.414 para 7.617, representando o maior crescimento em números absolutos. O Centro-Oeste registrou um aumento de 245,4%, com 829 projetos em 2024 contra 240 em 2018, e a Região Sul cresceu 165,1%, passando de 1.268 para 3.362 projetos. Esses resultados são reflexo de um esforço direcionado para envolver empresas de médio porte e qualificar produtores culturais em diversas regiões, visando fortalecer a proposição de projetos e a captação de recursos. A expectativa é que ações focalizadas, como as realizadas no Nordeste, gerem impactos ainda mais robustos no Norte a partir de 2026 e no Centro-Oeste em 2027, promovendo uma descentralização e democratização do acesso aos recursos culturais.

Impacto abrangente do investimento cultural

O estudo recente sobre a Lei Rouanet solidifica a compreensão de que o investimento em cultura transcende o mero patrocínio artístico, configurando-se como um pilar estratégico para o desenvolvimento socioeconômico do país. Os resultados robustos, que apontam um retorno de quase oito vezes o valor investido para a economia, a criação de centenas de milhares de empregos e a dinamização de cadeias produtivas diversas, desmistificam percepções equivocadas sobre o setor. A Lei Rouanet não apenas fomenta a produção cultural, mas também impulsiona o crescimento regional, melhora a distribuição de renda e moderniza processos burocráticos, tornando o acesso aos recursos mais eficiente. O crescimento expressivo no número de projetos e a descentralização dos investimentos, com regiões como Nordeste e Norte experimentando taxas de crescimento notáveis, indicam um caminho promissor para a diversificação e inclusão. A contínua dedicação à coleta de dados e à transparência é crucial para sustentar e aprimorar esses mecanismos, assegurando que o investimento em cultura seja cada vez mais reconhecido como um catalisador de progresso e bem-estar social para todos os brasileiros. Em linha com essa abordagem, futuras análises sobre outros marcos legais do setor, como a Lei Aldir Blanc, já estão sendo planejadas, reforçando o compromisso com a avaliação contínua do impacto das políticas culturais.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual é o retorno financeiro da Lei Rouanet para a economia?
Para cada R$ 1 investido em projetos executados com recursos da Lei Rouanet, estima-se um retorno de R$ 7,59 para a economia brasileira, conforme revelado em estudo recente.

Quantos empregos são gerados pela Lei Rouanet?
Em 2024, a Lei Rouanet contribuiu para a abertura de aproximadamente 230 mil vagas de emprego, com um custo médio de R$ 12,3 mil por vaga.

Como os recursos da Lei Rouanet são distribuídos regionalmente?
Em 2024, dos R$ 25,7 bilhões movimentados, a maior parte foi para o Sudeste (R$ 18 bilhões), seguido pelo Sul (R$ 4,5 bilhões), Nordeste (R$ 1,92 bilhão), Centro-Oeste (cerca de R$ 400 milhões) e Norte (cerca de R$ 360 milhões).

A Lei Rouanet apoia apenas grandes projetos?
Não. A maioria dos projetos (76,72%) captou até R$ 1 milhão, e 96,9% dos pagamentos realizados são de valores inferiores a R$ 25 mil, demonstrando um foco significativo em projetos de pequeno e médio porte e um efeito distributivo de renda.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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