A capacidade de transformar o sofrimento em palavras tem se revelado um caminho crucial para a reconstrução emocional de indivíduos em busca de bem-estar. No Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Jaguariúna, a escrita terapêutica emergiu como uma poderosa ferramenta, proporcionando aos pacientes um espaço seguro para ressignificar suas trajetórias. Eliene Soares, uma das participantes, encontrou na narrativa coletiva a coragem e a força necessárias para enfrentar os desafios da vida, testemunhando a profundidade do impacto desse processo na autoestima e nas relações sociais. Este projeto inovador não apenas oferece um meio de expressão, mas também fortalece a conexão entre os participantes, quebrando barreiras e promovendo a empatia dentro da comunidade do CAPS Jaguariúna.
A jornada de reconstrução através da narrativa pessoal
A iniciativa de criar um livro coletivo, que reúne as histórias reais de pacientes atendidos pelo CAPS de Jaguariúna, representa um marco no tratamento psicossocial. O projeto, que nasceu de uma oficina de contação de histórias realizada em 2024, teve como principal objetivo dar voz às vivências dos participantes, permitindo que cada um se reconhecesse em suas próprias narrativas e, ao mesmo tempo, transformasse suas experiências individuais em um relato coletivo de superação. Para Eliene Soares, o registro de sua história foi um divisor de águas, impulsionando um notável fortalecimento emocional.
O impacto da escrita na autoestima e nas relações
Ao ver sua própria história em palavras, Eliene Soares descreve uma transformação profunda. “A minha autoestima, meu relacionamento lá fora com a sociedade, lá em casa, eu tenho mais coragem, mais força para lutar. É emocionante eu saber que a minha história está contada aqui, em palavras”, afirma ela. Essa externalização do sofrimento e das vitórias, por meio da escrita, permitiu-lhe não apenas organizar sentimentos, mas também reconhecer seu valor e potencial. A experiência de Eliene reflete o propósito do projeto: criar um ambiente onde a vulnerabilidade se transforma em resiliência e a solidão em comunidade. Marcos de Oliveira, outro frequentador do centro psicossocial, ecoa esse sentimento ao destacar a importância de ter um espaço para se expressar e fazer amigos, reforçando que no CAPS ele não se sente mais sozinho e tem com quem compartilhar suas vivências. A interação e o apoio mútuo entre os pacientes demonstram como a partilha de histórias pode ser um pilar fundamental na recuperação e no fortalecimento dos laços sociais.
O poder terapêutico das palavras na saúde mental
Profissionais do CAPS de Jaguariúna ressaltam que o ato de colocar o sofrimento em palavras transcende a mera descrição, atuando como um catalisador para a organização dos sentimentos e a ressignificação de experiências difíceis. A enfermeira Laudecir Araújo, idealizadora do projeto, enfatiza a intrínseca capacidade de cura da linguagem. Segundo ela, “A palavra tem o poder de cura. O paciente, quando ele fala, ele organiza os sentimentos. Quando ele lê a história dele, ele ressignifica o sofrimento. E quando outra pessoa lê, gera empatia e quebra o preconceito.” Essa visão holística da palavra como ferramenta terapêutica demonstra o impacto multifacetado da iniciativa.
Perspectivas profissionais sobre a cura pela expressão
A coordenadora de saúde mental do serviço, Mariana Mancini da Silva, salienta o protagonismo central dos pacientes na construção da obra. Ela explica que as histórias não são meras anedotas, mas reflexos autênticos de quem são as pessoas atendidas pelo CAPS e dos caminhos únicos que cada uma percorreu. Para a professora da Faculdade de Educação da Unicamp, Angela Soligo, a influência das palavras não reside em um efeito mágico ou instantâneo, mas na sua capacidade de moldar a forma como os indivíduos interpretam suas próprias vivências. “O poder das Palavras não é um poder mágico. O poder das palavras é o poder de influenciar”, explica a especialista. Ela destaca que, quando empregadas com sensibilidade e propósito, as palavras se tornam instrumentos poderosos para construir sentido, fortalecer laços e promover um acolhimento essencial, especialmente em contextos de sofrimento psíquico. O projeto do CAPS Jaguariúna valida essas perspectivas, ao oferecer um caminho concreto para que a voz dos pacientes seja ouvida e valorizada, transformando-a em um agente de cura e transformação.
A consolidação da esperança e da voz coletiva
O projeto de escrita terapêutica do CAPS de Jaguariúna, que culminou na publicação de um livro coletivo, demonstra o profundo impacto da narrativa pessoal na saúde mental. Ao proporcionar um espaço seguro para a expressão e a partilha, a iniciativa permitiu que pacientes como Eliene Soares encontrassem a força interior e o apoio comunitário necessários para sua reconstrução emocional. A voz dos participantes, validada e eternizada nas páginas do livro, não só fortalece a autoestima e as relações sociais de cada um, mas também gera empatia e combate o preconceito na sociedade. A convergência entre o desejo dos pacientes de contar suas histórias e a expertise dos profissionais em facilitar esse processo sublinha a palavra como um elo vital entre o sofrimento individual e a cura coletiva. Este projeto é um testemunho eloquente de que a escrita pode ser uma poderosa aliada na jornada em busca de bem-estar e autonomia.
Perguntas frequentes
O que é escrita terapêutica e como ela beneficia os pacientes?
A escrita terapêutica é uma técnica que incentiva a expressão de sentimentos, pensamentos e experiências por meio da escrita. Ela beneficia os pacientes ao ajudar a organizar emoções, ressignificar traumas, fortalecer a autoestima e melhorar a comunicação, atuando como uma ferramenta de autoconhecimento e cura.
Como o projeto do livro coletivo no CAPS de Jaguariúna foi iniciado?
O projeto do livro coletivo nasceu a partir de uma oficina de contação de histórias, realizada em 2024 no CAPS de Jaguariúna. A iniciativa visava dar voz às trajetórias dos pacientes, permitindo-lhes compartilhar suas vivências e transformar suas experiências individuais em uma narrativa coletiva.
Qual o papel dos profissionais de saúde mental neste tipo de iniciativa?
Os profissionais de saúde mental, como enfermeiros e coordenadores, desempenham um papel crucial na idealização, facilitação e apoio a projetos de escrita terapêutica. Eles guiam os pacientes no processo de expressão, garantem um ambiente seguro e validam a importância da narrativa como parte integrante do tratamento e da recuperação.
Se você ou alguém que conhece está passando por um momento difícil, explore as possibilidades de apoio e tratamento que serviços como o CAPS Jaguariúna oferecem. A sua história merece ser contada e ouvida.
Fonte: https://g1.globo.com
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