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© Gustavo Moreno/STF

Fachin arquiva investigações contra Eduardo Bolsonaro, Malafaia e Fiúza no Inquérito das Fake News do STF

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (27) o arquivamento de três investigações que integravam o controverso inquérito das Fake News. As decisões beneficiam o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, o pastor Silas Malafaia e o escritor Guilherme Fiúza, marcando um desenvolvimento significativo na apuração que tramita na Corte desde 2019.

Razões por Trás dos Arquivamentos Individuais

No caso de Eduardo Bolsonaro, a justificativa para o encerramento da apuração se deu pela existência de uma condenação anterior transitada em julgado contra o ex-parlamentar, que já havia sido objeto de análise pela Corte em outro contexto. Em setembro do corrente ano, a Primeira Turma do STF havia confirmado sua condenação a quatro anos e dois meses de prisão em processo relacionado ao 'tarifaço' dos Estados Unidos contra o Brasil, tornando a continuidade da investigação neste inquérito redundante, conforme a análise de Fachin.

A investigação que apurava a suposta participação de Silas Malafaia nas ações atribuídas a Eduardo Bolsonaro também foi arquivada. O ministro Fachin, alinhando-se ao parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), concluiu pela ausência de indícios que corroborassem o envolvimento do pastor nas condutas do ex-deputado. Com essa decisão, Malafaia terá seu passaporte restituído e estará novamente autorizado a realizar viagens internacionais.

Já em relação a Guilherme Fiúza, a acusação de incitação ao crime, que motivava a investigação, foi declarada prescrita. O escritor havia sido alvo de apuração em 2023 por publicações em redes sociais que, supostamente, continham discursos de ódio e favoreciam a “quebra da normalidade institucional”. A PGR também manifestou-se favoravelmente ao arquivamento neste caso, reforçando a decisão do presidente do STF.

O Cenário Amplo do Inquérito das Fake News

O inquérito das Fake News, um dos mais emblemáticos e longos do Supremo, foi instaurado em março de 2019 pelo então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. Sua criação visava combater a veiculação de notícias falsas e ataques que, segundo a justificativa à época, atingiam a honra e a segurança do próprio STF, de seus membros e familiares, com o ministro Alexandre de Moraes sendo inicialmente nomeado como relator do caso.

Recentemente, no mês passado, o ministro Fachin assumiu a relatoria do inquérito, antes sob a responsabilidade de Moraes. Desde então, Fachin tem sinalizado sua intenção de arquivar o inquérito em sua totalidade. Essa medida é condicionada à verificação de eventuais pendências e à análise de solicitações de diligências que possam vir da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal.

O extenso escopo do inquérito foi revelado por Fachin, que identificou um total de 108 procedimentos investigatórios vinculados à apuração original. A complexidade e o volume de casos exigem uma análise minuciosa antes de qualquer desfecho definitivo para a investigação como um todo.

Os arquivamentos anunciados pelo ministro Fachin representam um passo importante na possível conclusão do inquérito das Fake News, um processo que gerou intensos debates sobre liberdade de expressão e segurança institucional. As decisões individuais refletem a análise jurídica de cada caso, enquanto a intenção de arquivamento integral sinaliza um novo capítulo para a forma como o STF abordará futuras alegações de ataques digitais e disseminação de informações inverídicas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br