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TSE: Ministro proíbe suspensão monocrática de canal e reforça competência do plenário

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) viveu mais um capítulo de sua intensa atuação regulatória no ambiente digital nesta sexta-feira (23), com uma decisão que solidifica a prerrogativa do colegiado sobre medidas drásticas. O ministro Floriano de Azevedo Marques determinou que o canal 'Exército do Lula' não poderá ser suspenso ou restringido novamente por uma decisão monocrática da Corte. A medida, que impede ações individuais sobre o tema, reafirma que somente o plenário do Tribunal possui a competência para deliberar sobre uma eventual interrupção das atividades do canal, no contexto da legislação eleitoral.

A Decisão de Floriano de Azevedo Marques e Seu Fundamento Legal

A determinação do ministro Floriano de Azevedo Marques foi proferida em resposta a um mandado de segurança preventivo apresentado pela campanha do candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em sua argumentação, Floriano enfatizou que, uma vez que a matéria é afetada ao colegiado, qualquer deliberação monocrática sobre o mesmo assunto, especialmente as de natureza administrativa, padece de um 'grave e incontornável vício de competência'. Esta decisão busca garantir que o controle sobre canais de grande alcance no período eleitoral seja pautado por um consenso ampliado dos ministros, evitando interpretações isoladas sobre o cumprimento das regras de integridade.

Controvérsias e as Medidas Anteriores em Relação ao Canal

A decisão de Floriano de Azevedo Marques insere-se em um cenário de sucessivas intervenções e debates sobre o 'Exército do Lula', um canal criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e que já conta com quase 9,6 milhões de inscritos. Na véspera da determinação de Floriano, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia atendido a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para realizar um 'pente-fino' nas publicações do canal. Segundo Floriano de Azevedo Marques, a intenção subjacente a esse pedido de escrutínio era a suspensão das atividades do canal, mesmo que não expressa na petição inicial. Ele também salientou que o presidente do TSE não tem prerrogativa para determinar a suspensão do canal por meio de uma análise administrativa do acordo de integridade eleitoral, pois tal medida não pode resultar em sanções diretas a candidatos, partidos ou pessoas não participantes do pleito.

O Papel da Meta e as Reuniões com Plataformas Digitais

O ambiente de discussões sobre o 'Exército do Lula' foi intensificado por eventos recentes envolvendo a Meta, empresa proprietária do WhatsApp. Mais cedo, o próprio TSE negou, via nota, ter ordenado a retirada de quaisquer canais de transmissão do aplicativo, após o deputado André Janones alertar sobre uma possível suspensão iminente. Essa suspeita surgiu em virtude de um despacho de Kassio Nunes Marques, que havia dado um prazo de 24 horas para a Meta apresentar um relatório técnico detalhando o funcionamento do canal. A nota do TSE procurou acalmar os ânimos, afirmando que 'ilações a partir desses despachos que pedem informação em tempo curto são absolutamente indevidas'. No mesmo dia, a cúpula do TSE, incluindo os ministros responsáveis por julgar casos de propaganda eleitoral, se reuniu com representantes da Meta, TikTok e Kwai. Durante o encontro, Kassio Nunes Marques solicitou que as plataformas garantam tratamento isonômico às campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, reforcem suas equipes na reta final do pleito e assegurem o pleno cumprimento da legislação eleitoral.

Acusações Recíprocas e o Histórico de Decisões do TSE

A controvérsia em torno do canal 'Exército do Lula' é um reflexo do embate acirrado entre as campanhas presidenciais. A equipe de Lula acusa a Meta de tratamento desigual, argumentando que publicações favoráveis ao campo adversário teriam maior alcance em plataformas como o Instagram. Por sua vez, a campanha de Flávio Bolsonaro denunciou ao TSE o que seriam ações coordenadas do 'Exército do Lula' para manipular buscas no Google e impulsionar publicações em redes sociais de forma artificial. Vale ressaltar que o canal já foi alvo de outras decisões de suspensão que foram posteriormente revertidas. Em 11 de outubro, Kassio Nunes Marques havia determinado a suspensão do 'Exército do Lula' por replicação de conteúdos considerados inverídicos, como postagens que sugeriam que o candidato do PL seria favorável à retirada do título de Nossa Senhora Aparecida. Essa decisão, contudo, foi derrubada pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Vilas Bôas Cuêva. Posteriormente, Nunes Marques voltou a suspender o canal, alegando que, apesar de administrado por um apoiador, ele teria vínculo com a campanha oficial e deveria, portanto, estar registrado no TSE. Essa última suspensão foi igualmente revertida após o canal ser devidamente oficializado junto à Corte Eleitoral.

A recente decisão do ministro Floriano de Azevedo Marques, ao proibir futuras suspensões monocráticas, sublinha a importância da colegialidade na Justiça Eleitoral, especialmente em casos de alta visibilidade e impacto. Em um período eleitoral marcado pela polarização e pela intensa utilização das redes sociais, o TSE busca consolidar um arcabouço de decisões que garantam a integridade do processo, a igualdade de condições entre os candidatos e a liberdade de expressão, ao mesmo tempo em que combate a desinformação e as práticas que visam manipular o debate público.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br