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Olinda Celebra Legado de Liêdo Maranhão com Exposição Inédita de Cordel Político

A partir deste sábado, Olinda, Pernambuco, se torna palco de uma significativa celebração cultural, homenageando a memória e o vasto legado de Liêdo Maranhão, um dos mais renomados colecionadores e defensores da Literatura de Cordel brasileira. A Casa da Memória Popular abre suas portas para a exposição “100 Anos de Liêdo Maranhão – A Política no Universo do Cordel”, oferecendo ao público uma imersão única na história política do país sob a ótica dos poetas populares.

Um Mergulho no Acervo de um Guardião da Cultura

Cerca de 120 folhetos, cuidadosamente selecionados do extraordinário acervo particular de Liêdo Maranhão, estarão em exibição. Este conjunto representa apenas uma fração da paixão de uma vida dedicada à pesquisa e preservação da cultura popular, que resultou na reunião de mais de 25 mil peças. A exposição não apenas democratiza o acesso a esse tesouro, mas também marca o centenário de nascimento do próprio Liêdo, um cineasta, escritor, pesquisador e colecionador que fundou a Casa da Memória Popular, vindo a falecer em 2014, no Recife.

O Cordel como Crônica Política: De 1960 a 1990

O recorte temático da mostra é singular: a política brasileira entre as décadas de 1960 e 1990. Por meio das narrativas rimadas e das expressivas xilogravuras que são a marca registrada do cordel, os visitantes serão guiados por uma perspectiva popular dos acontecimentos que moldaram o país. Os cordelistas, com sua sensibilidade e acuidade, registram fatos históricos, personalidades políticas, questões sociais e as profundas transformações pelas quais o Brasil passou ao longo de quarenta anos do século passado, transformando cada folheto em uma verdadeira cápsula do tempo social e político.

Vozes e Versos Notáveis da Literatura Popular

A riqueza do conteúdo exposto é amplificada pela presença de obras de grandes nomes da literatura de cordel. Entre os talentosos cordelistas cujos trabalhos compõem a coleção em destaque, figuram mestres como José Bernardo da Silva, Manoel D’Almeida Filho, o icônico J. Borges, Rodolfo Coelho Cavalcante e Heleno Francisco. Suas contribuições artísticas reforçam a importância do cordel como ferramenta de análise e comentário social, além de celebrar a diversidade de estilos e vozes que compõem este gênero literário tão genuíno.

Informações para Visitação

A oportunidade de vivenciar essa jornada pela cultura e história brasileira estará disponível ao público pelos próximos 45 dias. Os interessados em explorar a mostra podem visitar a Casa da Memória Popular de terça a sábado, sendo necessário realizar um agendamento prévio para garantir a entrada e a melhor experiência na exposição.

Esta exposição é mais do que uma simples mostra de folhetos; é uma reafirmação do papel do cordel como espelho da sociedade e da voz do povo. Ao abrir ao público parte do legado de Liêdo Maranhão, a Casa da Memória Popular não apenas celebra a vida e a obra de seu fundador, mas também perpetua a rica tradição da literatura de cordel, garantindo que suas histórias e suas rimas continuem a ecoar, informando e inspirando novas gerações.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br