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© Marcello Casal jr/Agência Brasil

Desinformação em Saúde Acelera no Brasil com Novas Táticas e Focos, Alerta Estudo

Mesmo após o declínio da crise sanitária global, a desinformação em saúde no Brasil não apenas persiste, mas se adapta e se intensifica. Um estudo aprofundado do observatório Lupa revela que o cenário de notícias falsas evoluiu, migrando seu epicentro da pandemia de COVID-19 para uma gama mais ampla de temas que afetam diretamente o cotidiano e o bem-estar da população brasileira. Essa adaptação não se restringe ao conteúdo, mas também às ferramentas e estratégias utilizadas para enganar o público.

A Persistência Alarmante da Desinformação

A análise realizada pelo Lupa, que abrangeu quase uma década de checagens rigorosas sobre saúde no Brasil — especificamente entre 2017 e o período mais recente analisado —, expõe a gravidade do problema. Durante este intervalo, foram examinadas 764 alegações distintas, e o veredito foi claro: mais de 87% delas foram categorizadas como falsas. Esta estatística contundente sublinha a prevalência esmagadora de informações incorretas no ambiente digital e seu impacto na percepção pública sobre temas cruciais de saúde. O foco das narrativas enganosas, antes centrado na COVID-19, agora se espalha para assuntos como vacinação, doenças endêmicas como a dengue, condições crônicas como diabetes e câncer, além de questões relacionadas à nutrição.

Ferramentas Avançadas para Velhas Intenções

Apesar de as intenções por trás da desinformação permanecerem inalteradas, buscando enganar e manipular, as metodologias de disseminação se modernizaram significativamente. A pesquisa do Lupa aponta que as mensagens falsas agora utilizam vídeos manipulados, conteúdos gerados por inteligência artificial, anúncios pagos em plataformas digitais e publicações patrocinadas para atingir um público ainda maior. Anteriormente, era comum encontrar promessas de curas milagrosas baseadas em chás, alimentos ou receitas caseiras. Com a pandemia, surgiram boatos sobre vacinas, tratamentos e medidas preventivas. Contudo, mesmo após o arrefecimento da crise sanitária, os imunizantes continuam sendo alvos frequentes de notícias falsas, muitas vezes associados a doenças graves ou risco de morte. Tais conteúdos, frequentemente, se valem da imagem de médicos, supostos especialistas ou até mesmo simulam estudos científicos para conferir uma falsa credibilidade e induzir o receptor ao erro.

Onde a Mentira Floresce: Canais e Motivações

Quando se trata dos canais preferenciais para a circulação de desinformação em saúde, o WhatsApp mantém sua liderança indiscutível, sendo a plataforma identificada em mais de 70% das checagens analisadas pelo estudo. Outros importantes veículos de propagação incluem Facebook, Instagram e diversos websites. Uma motivação recorrente por trás de muitas dessas publicações é o interesse comercial, visando à venda de produtos ou serviços. Isso é particularmente evidente em conteúdos que prometem controlar ou até mesmo curar doenças crônicas como o diabetes, explorando a vulnerabilidade de pacientes em busca de soluções. Além disso, para amplificar o alcance e a persuasão das inverdades, o estudo constatou uma crescente utilização da imagem e do nome de figuras públicas ou pessoas conhecidas, numa tática para emprestar credibilidade a informações comprovadamente enganosas.

Conclusão: Um Desafio Constante à Saúde Pública

O panorama traçado pelo observatório Lupa é um alerta contundente para a saúde pública no Brasil. A persistência e a sofisticação da desinformação em saúde, que agora abrange um leque diversificado de temas e emprega tecnologias avançadas para sua propagação, representam um desafio complexo. A capacidade de discernir informações verídicas das falsas tornou-se uma habilidade essencial para a população, enquanto as autoridades de saúde e as plataformas digitais enfrentam a tarefa contínua de combater a disseminação de narrativas que podem comprometer a saúde e o bem-estar de milhões de pessoas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br