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Vistoria Em Congonhas detecta carreamento de material por enxurrada na CSN Mineração

A prefeitura de Congonhas, em Minas Gerais, realizou uma fiscalização aprofundada na área da CSN Mineração, revelando a movimentação de uma significativa quantidade de materiais levados por enxurradas dentro dos limites do empreendimento. Esta ação, que ocorreu entre os dias 23 e 27 do mês corrente, foi desencadeada por denúncias de moradores preocupados com as condições locais e o impacto ambiental. Embora a vistoria tenha constatado a presença desses resíduos, um ponto crucial foi a exclusão de qualquer rompimento de estruturas vitais, como o sump — um fosso utilizado para drenagem — ou outras instalações de contenção da mineradora. O foco das deficiências identificadas recaiu sobre os sistemas de drenagem internos das vias da empresa, sugerindo a necessidade de intervenções para gerenciar o fluxo hídrico durante períodos de fortes chuvas, um desafio comum em regiões montanhosas e com intensa atividade minerária. A situação levanta questões sobre a infraestrutura de prevenção e mitigação de impactos ambientais na região.

A fiscalização e as deficiências identificadas

A cidade histórica de Congonhas, localizada em uma região de relevo acidentado e com presença marcante da mineração, frequentemente enfrenta desafios relacionados às fortes chuvas e ao manejo de águas pluviais. Foi nesse contexto que uma equipe de fiscais da prefeitura mobilizou-se para inspecionar a área da CSN Mineração, atendendo a apelos e denúncias de residentes que observaram anomalias no entorno do complexo minerário. A vistoria minuciosa, que se estendeu por quase uma semana, entre os dias 23 e 27, teve como objetivo principal verificar a integridade das estruturas e a adequação das práticas operacionais da companhia frente aos eventos climáticos recentes.

Detalhes da vistoria e primeiras constatações

Durante a inspeção, os técnicos municipais confirmaram a ocorrência de carreamento de materiais, predominantemente solo, sedimentos e detritos vegetais, resultantes de intensas enxurradas. Essa movimentação foi observada em diversas áreas dentro dos limites da CSN Mineração. Apesar da preocupação inicial gerada pelas denúncias, que em alguns casos sugeriam um risco mais elevado, a vistoria foi categórica ao descartar a hipótese de rompimento do sump, um componente crucial para a gestão da drenagem em operações de mineração, ou de quaisquer outras estruturas de barragem ou contenção de sedimentos pertencentes ao empreendimento. Esta constatação trouxe um alívio em relação a cenários de risco iminente, mas não isentou a identificação de problemas estruturais subjacentes.

Sistemas de drenagem sob escrutínio

A análise aprofundada dos técnicos apontou que os episódios de carreamento de materiais são decorrentes de deficiências nos sistemas de drenagem das vias internas da mineradora. Tais sistemas são projetados para direcionar e controlar o fluxo da água da chuva, evitando a erosão e o acúmulo desordenado de sedimentos. No entanto, a capacidade ou a manutenção desses sistemas se mostrou insuficiente para lidar com o volume de água e materiais mobilizados pelas recentes chuvas.

Um dos pontos de atenção específicos foi o Dique do Fraille, situado na região do bairro Plataforma. Ali, os técnicos exigiram da CSN Mineração adequações imediatas na estrutura para que esta possa suportar, de forma eficaz e segura, a quantidade de material que chega com as enxurradas. A Cachoeira Santo Antônio, um local de importância ambiental e de lazer para a comunidade, também foi afetada pelas enxurradas, com o curso d’água apresentando alterações devido ao aporte de sedimentos e detritos arrastados, evidenciando o impacto que as deficiências de drenagem podem causar além dos limites diretos da operação minerária. A situação acende um alerta para a necessidade de revisões e aprimoramentos nos planos de gestão hídrica e ambiental da empresa.

Medidas administrativas e o posicionamento da mineradora

Diante do cenário e das constatações da vistoria, a prefeitura de Congonhas articulou uma série de medidas administrativas destinadas a garantir a correção das deficiências e a responsabilização da empresa. A fiscalização municipal reforçou seu papel de vigilância e proteção do meio ambiente e da comunidade local, adotando os procedimentos cabíveis previstos na legislação ambiental e urbanística.

Exigências e autuações municipais

A prefeitura de Congonhas anunciou que não hesitará em adotar todas as medidas administrativas cabíveis para resolver a situação. Isso inclui, notavelmente, a lavratura de autos de infração contra a CSN Mineração. Tais autuações são instrumentos legais que formalizam as irregularidades encontradas e podem resultar em multas e outras sanções, além de exigir prazos para a implementação das adequações necessárias. As exigências incluem a revisão e o aprimoramento dos sistemas de drenagem internos da mineradora, especialmente em pontos críticos como o Dique do Fraille, onde a capacidade de contenção de material precisa ser significativamente reforçada. O objetivo é assegurar que eventos futuros de chuva não resultem no mesmo nível de carreamento de materiais e impacto ambiental, protegendo tanto a infraestrutura da empresa quanto os recursos hídricos e a paisagem natural de Congonhas. A ação municipal reflete o compromisso em zelar pela conformidade ambiental dos empreendimentos instalados na cidade.

A versão da CSN Mineração

Em resposta às constatações da prefeitura e às notícias sobre a vistoria, a CSN Mineração divulgou uma nota oficial para esclarecer sua posição. A empresa reconheceu o carreamento de resíduos apontado pela fiscalização, mas atribuiu o fenômeno à dinâmica natural das fortes chuvas. Segundo a mineradora, o material em questão está diretamente relacionado à drenagem de estradas de terra e acessos existentes na região, bem como ao arrasto de galhos e outros detritos vegetais pela força da água.

A CSN Mineração enfatizou que o caso não tem qualquer relação com barragens ou com suas atividades operacionais essenciais, buscando diferenciar o ocorrido de questões de segurança de grandes estruturas, que são frequentemente motivo de grande preocupação pública. A nota destacou ainda que as estruturas inspecionadas, que têm a função de contenção de sedimentos, passam por manutenções e limpezas periódicas. A empresa reiterou seu compromisso com a gestão ambiental responsável e a segurança de suas instalações. Para reforçar sua argumentação, a CSN Mineração fez questão de citar um trecho do próprio comunicado emitido pela prefeitura, que afirmava que “não houve qualquer extravasamento, transbordamento, rompimento ou anormalidade em quaisquer das estruturas de barragem ou contenção de sedimentos da Companhia”, sublinhando a avaliação positiva quanto à integridade estrutural das principais contenções.

Conclusão

A vistoria da prefeitura de Congonhas na CSN Mineração revela uma complexa interação entre eventos climáticos, infraestrutura minerária e fiscalização ambiental. Enquanto a ausência de rompimento de estruturas críticas como barragens ou sumps trouxe um alívio importante, a constatação de deficiências nos sistemas de drenagem internos aponta para a necessidade de melhorias contínuas e investimentos em prevenção de impactos ambientais menores, mas ainda significativos. As medidas administrativas anunciadas pelo município, incluindo autuações, reforçam a prerrogativa do poder público em exigir conformidade e responsabilidade ambiental de grandes empreendimentos. Por sua vez, a CSN Mineração, ao reconhecer o carreamento de materiais e justificar sua origem, destaca os desafios inerentes à gestão de áreas extensas e expostas às forças da natureza, ao mesmo tempo em que reitera a segurança de suas estruturas de maior porte. O episódio serve como um lembrete da vigilância constante necessária para assegurar que o desenvolvimento econômico da mineração seja harmonizado com a proteção do meio ambiente e o bem-estar das comunidades locais, impulsionando um diálogo contínuo e a busca por soluções eficazes para a sustentabilidade.

FAQ

O que foi encontrado na área da CSN Mineração em Congonhas?
A vistoria da prefeitura de Congonhas encontrou movimentação e carreamento de materiais, como solo, sedimentos e detritos vegetais, causados por enxurradas dentro da área da CSN Mineração.

Houve rompimento de alguma estrutura de barragem ou contenção?
Não. A vistoria descartou o rompimento do sump (um fosso de drenagem) ou de quaisquer outras estruturas de barragem ou contenção de sedimentos pertencentes à CSN Mineração. A própria prefeitura confirmou a ausência de extravasamento, transbordamento ou anormalidade nessas estruturas.

Quais medidas a prefeitura de Congonhas pretende tomar?
A prefeitura de Congonhas exigiu adequações na estrutura do Dique do Fraille para suportar a quantidade de material que chega e afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis. Isso inclui a lavratura de autos de infração contra a mineradora devido às deficiências identificadas nos sistemas de drenagem.

Como a CSN Mineração se posicionou sobre o ocorrido?
A CSN Mineração afirmou que o carreamento de resíduos está relacionado à drenagem de estradas de terra e acessos da região, assim como ao arrasto de galhos pelas fortes chuvas. A empresa destacou que o caso não tem relação com barragens ou atividades operacionais, e que suas estruturas de contenção de sedimentos passam por manutenções e limpezas periódicas.

Mantenha-se informado sobre as últimas notícias e desenvolvimentos na região de Congonhas e acompanhe de perto as ações das autoridades e empresas em prol da sustentabilidade ambiental.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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