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Vira-lata agredido em praia Grande morre; agressor preso por maus-tratos

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Um ato de violência chocante contra animais culminou na morte de um vira-lata em Praia Grande, litoral de São Paulo, oito dias após ser brutalmente agredido. O incidente, que também envolveu um pit bull, ocorreu na faixa de areia do bairro Guilhermina em 18 de fevereiro. Carlos Ricardo Moreno Pinto, de 34 anos, foi preso em flagrante, alegando que as agressões faziam parte de um método de “adestramento” dos cães. As vítimas foram resgatadas e encaminhadas para atendimento veterinário urgente, mas o vira-lata sucumbiu aos graves ferimentos. A comunidade local e defensores da causa animal acompanham com consternação o desdobramento deste caso de maus-tratos a animais, que reforça a necessidade de vigilância e punição rigorosa contra a crueldade. A prisão preventiva do agressor sublinha a seriedade com que as autoridades estão tratando o crime e a importância de não tolerar a violência contra seres indefesos.

O incidente e as agressões brutais

No fatídico dia 18 de fevereiro, a tranquilidade da praia do bairro Guilhermina, em Praia Grande, foi quebrada por cenas de extrema crueldade. Um homem, posteriormente identificado como Carlos Ricardo Moreno Pinto, foi flagrado agredindo dois cães, um vira-lata e um pit bull, de forma violenta. Testemunhas chocadas relataram que o agressor desferia socos nos animais e os arremessava para o alto, em um comportamento que, segundo ele, seria uma forma de “adestramento”. A brutalidade das agressões motivou uma denúncia imediata às autoridades, que agiram prontamente para intervir e resgatar os animais. Este tipo de incidente reacende o debate sobre a proteção animal e a importância da denúncia por parte da população para coibir tais atos.

O sofrimento dos animais e o resgate

Após o resgate, ambos os cães foram encaminhados a uma clínica veterinária para receberem os cuidados emergenciais necessários. A médica veterinária Sophia Mandari detalhou o estado crítico em que o vira-lata, um cão Sem Raça Definida (SRD), chegou ao Hospital Veterinário BrasilVet. O animal apresentava-se sujo de areia, com tremores generalizados, dificuldade de se manter em pé, latidos constantes e extrema sensibilidade à palpação, indicando dor intensa.

O quadro do vira-lata rapidamente se agravou. O cão começou a apresentar episódios convulsivos, uma grave sequela neurológica diretamente atribuída às agressões sofridas. Apesar de todos os esforços da equipe veterinária para salvá-lo, o animal não resistiu aos ferimentos e à deterioração de seu estado de saúde. Sua morte foi constatada na quarta-feira, 26 de fevereiro, oito dias após o incidente, em decorrência de uma parada cardiorrespiratória. A perda do vira-lata causou grande comoção entre os profissionais envolvidos e a comunidade.

O pit bull, por sua vez, apresentava um corte e escoriações com edema ao redor de um dos olhos, também resultado da violência sofrida. Felizmente, com o tratamento adequado na clínica, o pit bull conseguiu se recuperar. Após um período de recuperação e observação, ele foi encaminhado para um lar temporário, onde continuará a receber cuidados e terá a oportunidade de ser reabilitado. A diferença nos desfechos entre os dois cães destaca a imprevisibilidade e a gravidade das consequências dos maus-tratos.

A prisão do agressor e a alegação de “adestramento”

A prisão do agressor ocorreu em flagrante, graças à rápida ação de uma mulher que testemunhou as agressões e imediatamente acionou a Polícia Militar. Ao chegarem ao local, na praia do Guilhermina, os policiais militares presenciaram as agressões contra os animais, confirmando a denúncia. A intervenção policial foi decisiva para impedir que a violência continuasse e para garantir a segurança dos cães.

Desdobramentos judiciais e a prisão preventiva

No momento da abordagem, Carlos Ricardo Moreno Pinto apresentava comportamento alterado e tentou resistir à prisão, sendo contido com o uso de força moderada e algemas pelos agentes. O caso foi prontamente registrado como maus-tratos a animais na Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Praia Grande, dando início ao processo legal contra o agressor.

Questionado sobre a motivação de seus atos, Carlos Ricardo Moreno Pinto alegou que as agressões eram uma “prática comum” e uma “forma de adestramento”. Ele afirmou que “tratava seus animais daquela maneira”, uma justificativa que choca pela sua insensibilidade e total desconformidade com qualquer método de adestramento ético e humano. A autoridade policial registrou essa declaração no boletim de ocorrência, ressaltando a crença do agressor de que seus atos eram aceitáveis.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que, durante a audiência de custódia realizada no dia 19 de fevereiro, um dia após o flagrante, a prisão de Carlos Ricardo Moreno Pinto foi convertida de flagrante para preventiva. Essa medida significa que o agressor permanecerá detido enquanto aguarda o julgamento do caso, evidenciando a gravidade do crime de maus-tratos a animais e o risco que o indivíduo pode representar. A conversão da prisão em preventiva demonstra o rigor das autoridades diante de crimes de crueldade contra animais, buscando garantir a justiça e a segurança.

A repercussão do caso e a luta contra os maus-tratos

O caso de Praia Grande serve como um doloroso lembrete da persistência dos maus-tratos a animais em nossa sociedade, mas também da crescente conscientização e da importância da denúncia. A morte do vira-lata e a agressão ao pit bull geraram grande comoção, reacendendo discussões sobre a responsabilidade de tutores e a eficácia das leis de proteção animal no Brasil. A Lei nº 14.064/2020, conhecida como Lei Sansão, endureceu as penas para quem comete crimes de maus-tratos contra cães e gatos, podendo resultar em reclusão de 2 a 5 anos, além de multa e proibição de guarda. Este caso sublinha a aplicação prática dessa legislação.

A ação rápida da testemunha e da Polícia Militar, culminando na prisão preventiva do agressor, reforça a mensagem de que a crueldade contra animais não será tolerada. É fundamental que a população continue vigilante e não hesite em denunciar qualquer suspeita de agressão ou negligência contra animais. Organizações de proteção animal, veterinários e cidadãos engajados trabalham incansavelmente para educar, resgatar e lutar por direitos, mas a colaboração de todos é essencial para erradicar essa prática. A memória do vira-lata que perdeu a vida deve servir como um catalisador para uma sociedade mais empática e protetora de todos os seres vivos.

Perguntas frequentes (FAQ)

Qual foi o desfecho para os animais agredidos?
O vira-lata agredido não resistiu aos ferimentos e às sequelas neurológicas, vindo a óbito oito dias após o incidente. O pit bull, que também foi agredido, recuperou-se dos ferimentos e foi encaminhado para um lar temporário.

O que aconteceu com o agressor após o incidente?
Carlos Ricardo Moreno Pinto, de 34 anos, foi preso em flagrante no local do incidente. Sua prisão foi convertida em preventiva durante a audiência de custódia, e ele permanece detido enquanto aguarda o julgamento pelo crime de maus-tratos a animais.

Como denunciar casos de maus-tratos a animais?
Casos de maus-tratos a animais podem ser denunciados à Polícia Militar (telefone 190), Polícia Civil (presencialmente em uma delegacia), ou através de canais específicos de denúncia online oferecidos por alguns estados e municípios, além de organizações de proteção animal. Recomenda-se coletar o máximo de provas possível (fotos, vídeos, testemunhas).

Denunciar maus-tratos a animais é um ato de cidadania. Não hesite em buscar as autoridades competentes ou organizações de proteção animal para garantir a segurança e o bem-estar de nossos companheiros.

Fonte: https://g1.globo.com

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