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TSE mantém Jorge Seif no Senado após rejeitar acusação de abuso de

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por unanimidade, manter o mandato do senador Jorge Seif (PL-SC). A corte eleitoral rejeitou um recurso apresentado por uma coligação adversária que buscava a cassação do parlamentar, eleito em 2022. As acusações centravam-se no suposto abuso do poder econômico durante a campanha eleitoral, especificamente no uso de aeronaves de empresas privadas, o que poderia configurar doação ilegal de pessoa jurídica. A decisão do TSE alivia a situação do senador Jorge Seif, permitindo que ele continue a exercer suas funções legislativas, e reforça o entendimento de que a cassação de um mandato exige provas robustas e inquestionáveis.

Decisão unânime do TSE e as acusações contra Jorge Seif

Na sessão plenária desta quinta-feira, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proferiu uma decisão crucial que impacta diretamente a composição do Senado Federal. Por um placar de sete votos a zero, o tribunal rejeitou o recurso eleitoral que pleiteava a cassação do mandato do senador Jorge Seif (PL-SC). As acusações, inicialmente apresentadas pela coligação “Bora Trabalhar” (composta por PSD, Patriota e União Brasil), adversária de Seif nas eleições de 2022, giravam em torno da prática de abuso do poder econômico durante o pleito. Este tipo de infração é considerado grave, pois compromete a igualdade de oportunidades entre os candidatos e a lisura do processo democrático.

O cerne da denúncia: abuso do poder econômico

A principal alegação contra Jorge Seif era o suposto uso irregular de aeronaves pertencentes às empresas Havan, de propriedade do empresário Luciano Hang, para deslocamentos em Santa Catarina durante o período de campanha. Segundo a coligação denunciante, se comprovado, o uso desses recursos configuraria uma doação à campanha por pessoa jurídica, prática vedada pela legislação eleitoral brasileira desde uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). A proibição visa evitar a influência desproporcional do poder econômico nas eleições, garantindo que os recursos financeiros não distorçam a escolha popular. Seif, por sua vez, sempre negou veementemente qualquer irregularidade em suas atividades de campanha, argumentando que todas as suas ações foram pautadas pela legalidade e transparência.

A análise do relator e a falta de provas cabais

O ponto central da decisão do TSE baseou-se no entendimento do ministro relator, Floriano de Azevedo Marques. Embora reconhecesse a existência de indícios que poderiam apontar para a irregularidade, o relator destacou a ausência de uma “prova cabal” – ou seja, uma evidência irrefutável e acima de qualquer dúvida – que sustentasse a acusação de abuso do poder econômico. A legislação eleitoral exige um alto padrão de prova para a cassação de um mandato eletivo, um princípio fundamental para a estabilidade democrática e a segurança jurídica dos eleitos. A cassação de um senador é uma medida extrema, que só pode ser aplicada quando a ilicitude é comprovada de forma inequívoca.

O entendimento do ministro Floriano de Azevedo

Em seu voto, o ministro Floriano de Azevedo Marques ressaltou que, “a despeito da existência de indícios”, a prova para uma cassação de mandato deve ser “mais forte e indene de dúvidas”. Essa argumentação sublinha a importância da certeza jurídica em processos que podem resultar na anulação da vontade popular expressa nas urnas. Para tentar elucidar a questão, o próprio TSE chegou a determinar a realização de novas diligências investigativas. O objetivo era colher evidências que pudessem comprovar a presença de Seif nas aeronaves de Luciano Hang durante os períodos alegados pela denúncia. Contudo, essas novas investigações não foram capazes de produzir a prova cabal necessária para validar as alegações da coligação, conforme os rigorosos requisitos da legislação eleitoral.

Os votos dos ministros e a posição da presidente Cármen Lúcia

A unanimidade do colegiado reflete a solidez da argumentação do relator. A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, em seu voto, corroborou a análise de Floriano de Azevedo. Ela pontuou que, embora o percurso feito pelas aeronaves de Hang pudesse levar a uma “ilação plausível” sobre a presença de Seif, não havia uma prova concreta e definitiva para confirmar tal fato. Essa distinção entre “ilação plausível” e “prova cabal” foi crucial para o desfecho do julgamento. Além do relator e da presidente Cármen Lúcia, votaram pela manutenção do mandato de Jorge Seif os ministros Estela Aranha, Nunes Marques, André Mendonça, Antonio Carlos Ferreira e Ricardo Villas Bôas Cueva, consolidando o resultado unânime.

Repercussão e a manifestação do senador Jorge Seif

A decisão do TSE foi recebida com alívio pela equipe do senador Jorge Seif. Ele, que foi Secretário Nacional de Pesca e Aquicultura entre 2019 e 2022, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, viu-se envolvido em um processo que gerou grande incerteza política. A manutenção do seu mandato garante a continuidade de sua atuação no Senado, representando o estado de Santa Catarina.

A declaração de Seif após o julgamento

Em nota divulgada após o julgamento, Jorge Seif expressou seu sentimento de superação. Ele afirmou que o processo que buscava sua cassação o fez passar por “provações como homem público e como ser humano”, mas que, através dessa experiência, aprendeu que “a verdade pode até ser atacada, mas ela nunca deixa de existir”. O senador reiterou a legitimidade de sua eleição, afirmando que a decisão do TSE apenas confirma o que o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC) já havia reconhecido: a ausência de irregularidades ou crimes. “Não houve crime. Houve uma eleição legítima, fruto do voto livre e soberano do povo catarinense”, declarou Seif, reafirmando seu “respeito à democracia e compromisso absoluto com o povo”. Sua manifestação reforça a percepção de que a justiça eleitoral, ao exigir provas robustas, assegura a validade dos resultados eleitorais e a estabilidade das instituições democráticas.

O desfecho do processo e a manutenção do mandato

O desfecho do caso Jorge Seif no Tribunal Superior Eleitoral representa um marco importante para a segurança jurídica e a jurisprudência eleitoral brasileira. A decisão unânime de manter o mandato do senador, apesar dos indícios apresentados, reafirma o princípio de que a cassação de um cargo eletivo, obtido pelo voto popular, exige um padrão de prova irrefutável e sem margem para dúvidas. A corte, ao seguir o entendimento do relator, ministro Floriano de Azevedo Marques, privilegiou a ausência de provas cabais em detrimento de ilações, consolidando a estabilidade dos mandatos e a validade do processo eleitoral de 2022 em Santa Catarina.

Perguntas frequentes sobre o caso Jorge Seif

Quais foram as acusações contra o senador Jorge Seif?
O senador Jorge Seif foi acusado pela coligação “Bora Trabalhar” de abuso do poder econômico durante sua campanha eleitoral em 2022. A principal denúncia era o uso de aeronaves da empresa Havan, de Luciano Hang, para seus deslocamentos em Santa Catarina, o que poderia configurar doação ilegal de pessoa jurídica à campanha.

Por que o TSE decidiu manter o mandato de Seif?
O Tribunal Superior Eleitoral decidiu manter o mandato de Jorge Seif devido à ausência de “prova cabal” das acusações. Embora houvesse indícios, o ministro relator Floriano de Azevedo Marques e os demais ministros entenderam que as evidências não eram fortes e conclusivas o suficiente para justificar a cassação do mandato, que exige um alto padrão de prova.

Qual a importância de uma “prova cabal” em casos de cassação de mandato?
A exigência de “prova cabal” – ou seja, evidência irrefutável e acima de qualquer dúvida – é crucial em casos de cassação de mandato para garantir a segurança jurídica e a estabilidade democrática. Ela assegura que a vontade popular, expressa nas urnas, só seja anulada em situações onde a ilegalidade é comprovada de forma inequívoca, protegendo os eleitos de acusações infundadas.

Quem era a coligação que apresentou o recurso contra Jorge Seif?
O recurso que pedia a cassação do mandato do senador Jorge Seif foi apresentado pela coligação “Bora Trabalhar”, que era composta pelos partidos PSD, Patriota e União Brasil. Essa coligação foi adversária de Seif na disputa pelo Senado por Santa Catarina nas eleições de 2022.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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