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São Paulo antecipa 1,3 milhão de doses da vacina da dengue do

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Em um movimento estratégico para intensificar o combate à doença, o governo de São Paulo anunciou a antecipação da entrega de 1,3 milhão de doses da inovadora vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan ao Ministério da Saúde. A decisão, revelada pelo governador Tarcísio de Freitas durante as celebrações dos 125 anos da renomada instituição, representa um avanço significativo na luta contra a arbovirose que tem desafiado a saúde pública. A expectativa é que essa aceleração no cronograma de distribuição do imunizante, inicialmente previsto para o segundo semestre, permita uma resposta mais rápida e eficaz diante do crescente número de casos em todo o país. A vacina Butantan-DV destaca-se por sua formulação de dose única, prometendo otimizar as campanhas de imunização e proteger a população de forma abrangente.

Acelerando a imunização: entrega antecipada da Butantan-DV

Cronograma e volume de doses
O anúncio da antecipação da entrega de 1,3 milhão de doses da vacina Butantan-DV foi feito na segunda-feira, dia 23 de janeiro, durante o evento comemorativo dos 125 anos do Instituto Butantan. Segundo as informações divulgadas, a previsão inicial para a disponibilização dessas doses era o segundo semestre deste ano. Contudo, o cronograma foi adiantado, e já até o fim de fevereiro, 200 mil doses do imunizante deverão ser enviadas à pasta federal. O volume restante será distribuído progressivamente ao longo dos meses subsequentes, reforçando o arsenal de combate à dengue em nível nacional. Esta medida sublinha a urgência e a prioridade dadas à vacinação em um cenário de aumento da incidência da doença.

Pioneirismo e expansão: o papel do Instituto Butantan

Inovação da Butantan-DV e investimentos futuros
A Butantan-DV representa um marco na pesquisa biomédica global, sendo a única vacina contra a dengue de dose única em desenvolvimento no mundo. Este diferencial tecnológico permite uma imunização mais rápida da população, além de reduzir custos e simplificar a logística de aplicação em campanhas de grande escala, especialmente em comparação com outras vacinas que exigem múltiplas doses. Durante o evento de aniversário do Butantan, o governador de São Paulo reiterou o compromisso de transformar a instituição no maior centro de biotecnologia da América Latina, destacando a Butantan-DV como a “melhor vacina do mundo contra a dengue”.

Para consolidar essa visão e ampliar a capacidade produtiva do instituto, foram anunciados novos investimentos substanciais. Entre eles, destaca-se a doação de um terreno de 46 mil metros quadrados no bairro do Jaguaré, na Zona Oeste da capital paulista. Esta expansão da estrutura física do Butantan visa aumentar significativamente a capacidade fabril e de pesquisa, fortalecendo sua posição como um polo de inovação em biotecnologia. A cerimônia, que reuniu autoridades estaduais e municipais da saúde, além de funcionários do Butantan, também ressaltou o papel histórico da instituição na produção de vacinas e soros, especialmente evidente durante a pandemia de Covid-19.

Resultados de eficácia e abrangência
A vacina Butantan-DV, aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para pessoas de 12 a 59 anos, é um imunizante tetravalente, o que significa que induz proteção contra os quatro sorotipos da dengue. Os estudos clínicos que levaram à sua aprovação apresentaram resultados promissores. A eficácia da vacina foi demonstrada em quase 75% contra casos gerais da doença, superando 91% contra casos graves e atingindo 100% de proteção contra hospitalizações. Atualmente, a cidade de Botucatu, no interior paulista, participa de um estudo que avalia a aplicação da vacina em moradores do município, testando sua efetividade em um cenário real. A expectativa é que, após a conclusão das etapas regulatórias e de avaliação, a vacinação seja ampliada para um público maior. A vacina mostrou-se segura e eficaz tanto em indivíduos com infecção prévia quanto naqueles que nunca tiveram contato com o vírus, com a maioria das reações sendo leves a moderadas, como dor e vermelhidão no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Eventos adversos sérios relacionados ao imunizante foram raros e todos os indivíduos afetados se recuperaram completamente.

Estratégia de vacinação em São Paulo

Campanha inicial e públicos-alvo
No início de fevereiro, o governo de São Paulo lançou uma campanha de vacinação contra a dengue com a Butantan-DV em todos os 645 municípios paulistas. Nesta primeira etapa, a imunização foi direcionada prioritariamente aos profissionais da Atenção Primária à Saúde, que atuam na rede municipal. Para o lançamento da campanha, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) enviou 99 mil doses ao estado. A estimativa é que aproximadamente 216 mil profissionais da atenção básica, incluindo médicos, enfermeiros, agentes comunitários de saúde e agentes de endemias, sejam imunizados ao longo desta fase inicial. A estratégia de começar a imunização por este grupo foi articulada em conjunto com os Grupos de Vigilância Epidemiológica (GVEs) de todas as regiões do estado, o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems-SP) e o Ministério da Saúde, visando proteger a linha de frente do combate à doença.

Cenário epidemiológico e logística
O cenário epidemiológico da dengue em São Paulo justifica a urgência da campanha. Até o dia 5 de fevereiro, o estado havia registrado 4.647 casos de dengue e um óbito. Em dados cumulativos de 2025, já foram confirmados 882.884 casos e 1.124 óbitos em todo o território paulista, números que destacam a gravidade da situação. A distribuição das doses para os municípios foi coordenada pela Secretaria de Estado da Saúde, seguindo critérios técnicos e a capacidade operacional de cada região, garantindo que o imunizante chegasse onde mais era necessário. A tecnologia da Butantan-DV, com sua característica de dose única, é vista como um avanço fundamental ao permitir uma imunização mais rápida da população, além de otimizar os custos e simplificar toda a logística de aplicação em campanhas de grande escala, um fator crucial para a eficácia das ações de saúde pública.

Estudos clínicos e expansão para outras faixas etárias

Ampliando a segurança e eficácia
A busca por uma cobertura vacinal ainda mais abrangente continua. Recentemente, o Instituto Butantan iniciou o recrutamento de voluntários com idades entre 60 e 79 anos para ensaios clínicos da Butantan-DV. Estes estudos estão sendo conduzidos em quatro centros de pesquisa localizados em Porto Alegre e Pelotas, no Rio Grande do Sul, e em um centro em Curitiba, no Paraná. O objetivo é avaliar a segurança e a eficácia da vacina nesta faixa etária, expandindo o público-alvo autorizado a receber o imunizante no futuro. A produção desta vacina em São Paulo é fruto de anos de pesquisa e inovação científica, com o potencial de impactar diretamente a redução de casos graves e de hospitalizações causadas pela doença, contribuindo significativamente para a saúde pública no Brasil e globalmente.

Perguntas frequentes sobre a vacina da dengue do Butantan

O que torna a Butantan-DV única?
A Butantan-DV é a única vacina contra a dengue em desenvolvimento no mundo que é aplicada em dose única, simplificando as campanhas de vacinação e otimizando a logística. Além disso, ela confere proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

Quem pode receber a vacina Butantan-DV atualmente?
A vacina foi aprovada pela Anvisa para pessoas entre 12 e 59 anos. A campanha inicial em São Paulo está focada nos profissionais da Atenção Primária à Saúde da rede municipal. Estudos para outras faixas etárias, como 60 a 79 anos, estão em andamento.

Quais são os níveis de eficácia da vacina Butantan-DV?
Os estudos clínicos indicaram eficácia de quase 75% contra casos gerais de dengue, mais de 91% contra casos graves e 100% contra hospitalizações, demonstrando um alto perfil de proteção.

Mantenha-se informado sobre os avanços na saúde pública e as próximas etapas da vacinação contra a dengue. Consulte a unidade de saúde mais próxima para informações atualizadas sobre a disponibilidade do imunizante em sua região.

Fonte: https://g1.globo.com

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