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Sancetur recua e não assume plenamente linhas da Transwolff na capital

A Sancetur, empresa de transporte rodoviário, comunicou recentemente à Prefeitura de São Paulo a impossibilidade de assumir plenamente a execução do contrato emergencial para operar as linhas de ônibus anteriormente geridas pela Transwolff. A notificação, enviada poucos dias antes da data prevista para o início completo da operação, levanta incertezas sobre a estabilidade do serviço de transporte público na capital paulista. As 133 linhas em questão atendem cerca de 555 mil passageiros diariamente e já vinham sendo operadas pela Sancetur desde a intervenção na Transwolff. Este cenário complexo se desenrola em meio a um imbróglio jurídico e investigativo, envolvendo a Transwolff, alvo da Operação Fim da Linha por suspeitas de lavagem de dinheiro. A prefeitura reafirma seu compromisso em garantir a continuidade do serviço e a segurança dos empregos, enquanto prepara um novo edital de concessão.

O recuo da Sancetur e o impacto no serviço

O dilema da operação emergencial

A decisão da Sancetur de recuar da plena execução do contrato emergencial representa um novo capítulo na crise do transporte público de São Paulo. A empresa, que já operava as 133 linhas dos lotes D10 e D11 desde a intervenção municipal na Transwolff, alegou “impossibilidade de assumir plenamente a execução” do acordo, conforme nota divulgada pela gestão municipal. Essas linhas são cruciais para a mobilidade urbana, transportando diariamente uma média de 555 mil passageiros em diversas regiões da cidade.

O contrato emergencial visava assegurar a continuidade do serviço enquanto a prefeitura se preparava para lançar um novo edital de concessão para os referidos lotes. A urgência na transição foi motivada pelas graves acusações contra a Transwolff, investigada por suposto envolvimento com lavagem de dinheiro e favorecimento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no âmbito da Operação Fim da Linha. Diante do ofício da Sancetur, a administração municipal reiterou que “segue adotando todas as medidas necessárias para publicação do edital para concessão do serviço” e garantiu que não haverá prejuízo para os passageiros nem para os funcionários da antiga concessionária. A manutenção dos empregos, salários e benefícios da equipe operacional está assegurada durante este período de transição e reestruturação.

Imbróglio jurídico: Transwolff e a justiça

As decisões conflitantes da justiça

A situação do transporte público na capital paulista é ainda mais complexa devido a decisões judiciais divergentes proferidas em dezembro de 2025, envolvendo a Transwolff. Em uma das sentenças, a Vara de Crimes Tributários e Organizações Criminosas determinou a suspensão das atividades da Transwolff Transportes, sob investigação por organização criminosa. A decisão manteve o afastamento dos réus da gestão da companhia e autorizou a prefeitura a vender antecipadamente imóveis e veículos apreendidos, com o objetivo de evitar a rearticulação do grupo. O magistrado responsável, Thiago Machado, ressaltou que a medida não afeta a prestação do serviço de transporte à população.

Contrariando essa perspectiva, em outro processo, o juiz Rodolfo Campos, da 14ª Vara da Fazenda Pública, suspendeu o encerramento do contrato entre a prefeitura e a Transwolff. Sua decisão, de caráter liminar, considerou que o município não seguiu os trâmites adequados do processo administrativo para o decreto de caducidade, que havia sido emitido pelo prefeito Ricardo Nunes. A liminar proíbe a gestão municipal de contratar outras empresas para os lotes operacionais da Transwolff e determina a devolução da concessão à empresa. Adicionalmente, o juiz estabeleceu que a prefeitura deve entregar à Transwolff, em até cinco dias úteis após a notificação, cópias integrais de todo o processo administrativo para que a empresa possa se defender, sob pena de multa diária e apuração de responsabilidades criminal e funcional.

A posição da prefeitura e da Transwolff

Diante das decisões judiciais, a Prefeitura de São Paulo manifestou que apresentará recurso para restabelecer os efeitos do decreto municipal que encerrava o contrato com a Transwolff. A Procuradoria Geral do Município (PGM) alegou que a decisão da Vara da Fazenda Pública foi tomada sem que o município fosse ouvido, impedindo a apresentação de informações e documentos cruciais para a elucidação dos fatos e a correta avaliação do interesse público. A PGM reforça a legalidade do decreto de caducidade, afirmando que foi adotado após um processo administrativo regular e determinado por ordem judicial devido ao envolvimento dos sócios da Transwolff com o crime organizado. Em relação à decisão da Vara de Crimes Tributários, a prefeitura informou que ainda está analisando o caso.

Por sua vez, a Transwolff, embora não tenha recebido notificação sobre a suspensão de suas atividades pela Vara de Crimes Tributários, celebrou a decisão da Vara da Fazenda Pública. A empresa defende que a suspensão do decreto de caducidade demonstra a presença de provas indicativas da probabilidade de seu direito, além do perigo de dano irreversível caso fosse alijada das concessões. A Transwolff reafirma a ausência de qualquer fundamento para as alegações de suposta relação da empresa ou de seus representantes com atividades ilícitas e repudia veementemente qualquer associação com organizações criminosas. A empresa destaca que o transporte vinha sendo realizado sob intervenção há mais de um ano sem risco de paralisações, e que continua se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades.

O futuro do transporte e o desdobramento da Operação Fim da Linha

A complexa teia de eventos envolvendo a Sancetur, a Transwolff e a Prefeitura de São Paulo lança um véu de incerteza sobre a estabilidade do transporte público na maior cidade do país. Enquanto a Sancetur recua da plena operação emergencial, a gestão municipal se vê imersa em batalhas judiciais para garantir a continuidade do serviço e a regularização dos contratos. A causa raiz dessa crise reside na Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que investigou a Transwolff — e outra empresa, a UPBus — por suspeitas de lavagem de dinheiro e favorecimento ao PCC.

As investigações apontam que recursos ilícitos, supostamente provenientes de atividades criminosas do PCC, teriam sido utilizados para aumentar o capital da Transwolff. O esquema envolveria o uso de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”, mecanismos comuns em processos de lavagem de dinheiro para ocultar a verdadeira origem dos valores. Em dezembro de 2024, a Prefeitura de São Paulo, em resposta a essas graves suspeitas, iniciou o processo para rescindir os contratos com a Transwolff e a UPBus. A defesa da Transwolff, contudo, nega qualquer vínculo com o crime organizado, afirmando não haver comprovação de tais relações ou atividades ilícitas, e promete contestar as decisões na Justiça. O cenário atual exige que a prefeitura atue com celeridade e transparência para assegurar que os cidadãos de São Paulo tenham acesso a um serviço de transporte público eficiente e livre de quaisquer laços com atividades criminosas.

Perguntas frequentes

1. Qual o motivo do recuo da Sancetur na operação das linhas da Transwolff?
A Sancetur enviou um ofício à Prefeitura de São Paulo informando a “impossibilidade de assumir plenamente a execução do contrato emergencial” para as linhas de ônibus da Transwolff, sem detalhar os motivos específicos da decisão.

2. O que é a Operação Fim da Linha?
A Operação Fim da Linha foi deflagrada em abril de 2024 pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Ela investiga as empresas Transwolff e UPBus por suspeita de lavagem de dinheiro e favorecimento ao Primeiro Comando da Capital (PCC), através do uso de recursos ilícitos e esquemas de “laranjas” e “CNPJs fantasmas”.

3. Os passageiros serão afetados pela situação das linhas de ônibus?
A Prefeitura de São Paulo garantiu que não haverá prejuízo para os passageiros. Medidas estão sendo adotadas para assegurar a continuidade do serviço, e os empregos dos funcionários da Transwolff serão mantidos, assim como seus salários e benefícios.

4. Qual a posição da Transwolff diante das acusações e decisões judiciais?
A Transwolff nega veementemente qualquer relação com atividades ilícitas ou organizações criminosas. A empresa afirma que a decisão da 14ª Vara da Fazenda Pública suspendeu o decreto de caducidade do contrato, mantendo-a como concessionária. Ela segue se defendendo nas instâncias competentes e colaborando com as autoridades.

Para se manter atualizado sobre os desdobramentos dessa importante questão que afeta milhões de paulistanos, acompanhe as notícias e os comunicados oficiais da Prefeitura de São Paulo e das autoridades competentes.

Fonte: https://g1.globo.com

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