A comunidade médica e a cidade de Rafard, no interior de São Paulo, estão em luto após a trágica morte do médico cardiologista Luis Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e de seu colega Vinicius Dos Santos Oliveira, de 35 anos. Os dois foram baleados fatalmente por um terceiro médico, Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos, em frente a um restaurante de luxo em Alphaville, Barueri, na noite da última sexta-feira (16). A notícia chocou amigos e familiares, especialmente o prefeito de Rafard, Fábio Santos, que era amigo de infância de Luis Roberto. O crime, que teria sido motivado por disputas comerciais no setor de gestão hospitalar, levanta sérias questões sobre a violência e os conflitos no ambiente profissional, resultando na prisão em flagrante do autor dos disparos e a apreensão da arma utilizada.
A tragédia em Barueri e o luto em Rafard
O adeus a Luis Roberto Pellegrini Gomes
O crime bárbaro que tirou a vida do cardiologista Luis Roberto Pellegrini Gomes causou profunda consternação. Em Rafard, sua cidade natal, o velório e o sepultamento do médico, carinhosamente conhecido como Robertinho, mobilizaram a comunidade neste domingo (18) no Velório Municipal. O prefeito de Rafard, Fábio Santos, amigo de infância de Luis Roberto, expressou seu choque e tristeza com a perda. “A gente foi pego de surpresa com essa triste notícia, com esse crime bárbaro do nosso grande amigo, carinhosamente conhecido como Robertinho”, declarou o prefeito. Ele descreveu Luis Roberto como uma pessoa “querida”, “carinhosa” e com um “coração imenso”, relembrando os tempos de escola e as partidas de futebol que jogaram juntos.
Mesmo após se formar e construir sua vida profissional em São Paulo, Luis Roberto mantinha laços estreitos com Rafard e com sua família, que ainda reside na cidade. Fábio Santos relatou que o médico sempre o procurava quando visitava seus pais, e mesmo à distância, demonstrava preocupação com o bem-estar do município. “Ele levava o nome de Rafard com ele, mesmo estando distante, trabalhando fora”, afirmou o prefeito, ressaltando o orgulho que a cidade sentia por ele. A morte prematura de Luis Roberto, que trabalhava em um hospital municipal de Barueri, deixa uma lacuna na vida de muitos e reforça o sentimento de injustiça diante da violência que tirou a vida de um profissional tão estimado.
Dinâmica do confronto e a investigação policial
Os desdobramentos da noite da última sexta-feira (16) revelam uma sequência de eventos que culminou nos assassinatos. Luis Roberto e Vinicius Dos Santos Oliveira, este último funcionário de Luis Roberto e que atuava em unidades de saúde de Cotia, foram alvos dos disparos de Carlos Alberto Azevedo Silva Filho na Avenida Copacabana, em Alphaville Plus. Segundo a polícia civil, os três médicos se encontraram por acaso no restaurante. Uma discussão acalorada iniciou-se no interior do estabelecimento, levando à intervenção de uma equipe da Guarda Civil, que questionou Carlos Alberto sobre a posse de armas, o que ele negou.
No entanto, a situação se agravou fora do local. Câmeras de segurança registraram o momento em que, após Luis Roberto e Vinicius deixarem o restaurante, Carlos Alberto os seguiu, sacou uma pistola 9 mm que estava em uma maleta e abriu fogo. Luis Roberto foi atingido por oito tiros, enquanto Vinicius foi baleado duas vezes. Ambos foram socorridos e encaminhados ao pronto-socorro, mas não resistiram aos ferimentos e faleceram. Carlos Alberto foi preso em flagrante por homicídio, e sua prisão foi convertida em preventiva. A arma do crime, as cápsulas deflagradas, uma bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil foram apreendidos para perícia, sendo parte crucial da investigação que busca esclarecer todos os detalhes da tragédia.
Disputas comerciais e o histórico do agressor
O pano de fundo dos contratos hospitalares
A principal linha de investigação da Polícia Civil aponta para uma motivação ligada a disputas comerciais no setor da saúde. O delegado Andreas Schiffmann, responsável pelo caso, revelou à TV Globo que Carlos Alberto e Luis Roberto eram proprietários de empresas de gestão hospitalar e que havia um histórico de desentendimentos entre eles devido a contratos de licitação. Parentes das vítimas e do agressor teriam confirmado a existência de uma rixa e ameaças mútuas. “Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças de ambas as partes. E eles se encontraram naquele restaurante e os ânimos se excederam”, explicou Schiffmann.
O encontro fortuito no restaurante de Alphaville, que deveria ser um local de lazer, transformou-se em palco para um trágico desfecho de uma rivalidade que já vinha se arrastando. A presença de Vinicius, que trabalhava para Luis Roberto, indica que ele foi uma vítima colateral de um conflito que não o envolvia diretamente, mas o colocou na linha de fogo. A Polícia Civil continua a investigar a extensão dessas disputas contratuais para compreender a profundidade do desentendimento e confirmar se a busca por controle de mercado no setor de gestão hospitalar foi, de fato, a ignição para a violência fatal.
Carlos Alberto Azevedo Silva Filho: antecedentes e prisão
O autor dos disparos, Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, além de ser proprietário de uma empresa no ramo de gestão hospitalar, possui um histórico que inclui um incidente anterior de agressão e racismo. Em uma ocasião anterior, ele havia sido preso por racismo e agressão contra funcionários de um hotel de luxo em Aracaju, Sergipe, sendo liberado após o pagamento de fiança. Este antecedente levanta questões sobre seu temperamento e a capacidade de lidar com conflitos de forma pacífica.
No que tange à arma utilizada no crime, Carlos Alberto tinha registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) para a pistola 9 mm. Contudo, a legislação federal é clara: o registro de CAC não confere licença para portar a arma para defesa pessoal. Para isso, seria necessária uma autorização separada e específica, a qual ele não possuía. A posse da arma em um local público, fora das condições permitidas pela lei, agrava a situação legal de Carlos Alberto, que agora enfrenta acusações de homicídio com a prisão preventiva já decretada. A apreensão do material, incluindo R$ 16 mil em dinheiro, faz parte do processo investigativo para desvendar todas as circunstâncias do duplo assassinato e garantir a devida responsabilização pelos atos cometidos.
Perguntas Frequentes
Quem são as vítimas do crime em Barueri?
As vítimas são os médicos Luis Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, cardiologista, e Vinicius Dos Santos Oliveira, de 35 anos, que era funcionário de Luis Roberto.
Qual seria a motivação para os assassinatos?
A Polícia Civil investiga se os assassinatos foram motivados por disputas de contratos e licitações na área da saúde entre Carlos Alberto Azevedo Silva Filho e Luis Roberto Pellegrini Gomes, que eram proprietários de empresas do setor de gestão hospitalar.
O autor dos disparos tinha permissão para portar a arma?
Carlos Alberto Azevedo Silva Filho possuía registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) para a pistola 9 mm utilizada no crime, mas não tinha licença para portar a arma para defesa pessoal, o que é uma autorização separada e específica e que ele não possuía.
Qual a relação do prefeito de Rafard com uma das vítimas?
O prefeito de Rafard, Fábio Santos, era amigo de infância do médico Luis Roberto Pellegrini Gomes. Eles cresceram e estudaram juntos na cidade, e o prefeito descreveu Luis Roberto como uma pessoa muito querida e com um “coração imenso”.
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Fonte: https://g1.globo.com
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