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Piloto de Guararema preso por abuso sexual infantil choca colegas de trabalho

ANUNCIO COTIA/LATERAL

A prisão de um piloto comercial em São Paulo por suspeita de chefiar uma complexa rede de abuso sexual infantil gerou profunda consternação e incredulidade. Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi detido temporariamente na manhã da última segunda-feira, 9 de outubro, no Aeroporto de Congonhas, enquanto se preparava para um voo da Latam. A notícia da prisão, que ocorreu após uma investigação minuciosa da Polícia Civil, causou um choque generalizado, especialmente entre aqueles que conviveram profissionalmente com Lopes. Ex-colegas expressaram repugnância e surpresa ao descobrirem que a imagem de um indivíduo calmo e educado escondia as graves acusações de crimes hediondos contra crianças e adolescentes. Este caso levanta um alerta crucial sobre a vigilância e a proteção de menores em nossa sociedade.

A prisão em flagrante e a reação dos colegas

A detenção de Sérgio Antônio Lopes ocorreu de forma discreta e planejada. Ele foi abordado pelas autoridades no interior de uma aeronave da Latam, no Aeroporto de Congonhas, instantes antes de iniciar um voo programado para o Rio de Janeiro. A decisão de efetuar a prisão no aeroporto foi estratégica, dada a dificuldade de localizá-lo em sua residência em Guararema devido à sua rotina de trabalho como piloto. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o suspeito foi posteriormente encaminhado para a audiência de custódia, onde as medidas legais seriam tomadas.

A face oculta do suspeito

A revelação da prisão de Lopes por envolvimento em uma rede de abuso sexual infantil reverberou com intensidade no meio profissional do piloto. Um ex-colega, que preferiu não se identificar, descreveu a notícia como um “choque” e uma sensação de “nojo e repugnância”. Segundo ele, a convivência profissional de longa data com Sérgio revelava uma imagem completamente oposta à dos crimes investigados. O piloto era percebido como uma pessoa calma, tranquila e que tratava a todos com educação, características que, lamentavelmente, muitas vezes desviam a atenção para a capacidade de cometer atos tão graves. “A gente sempre imagina que uma pessoa como essa esteja longe. Você olha e não percebe que a pessoa é capaz de cometer um crime hediondo e da pior forma, com crianças”, comentou o ex-colega, que ainda salientou a importância de estar sempre alerta e vigilante em relação à proteção das crianças, reforçando que o perigo pode estar em qualquer lugar e a denúncia é essencial.

Detalhes da investigação e a rede de exploração

A investigação da Polícia Civil, que durou aproximadamente três meses, revelou um esquema sofisticado de exploração sexual infantil. As autoridades descobriram que Sérgio Antônio Lopes utilizava documentos de identidade falsos para levar crianças e adolescentes a motéis, onde os abusos eram cometidos. O modus operandi incluía o recebimento de imagens das vítimas, enviadas por mães, avós ou outros responsáveis legais via WhatsApp, em troca de dinheiro.

O modus operandi da exploração

A delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), forneceu detalhes cruciais sobre a investigação. Segundo ela, o piloto inicialmente se aproximava da figura parental ou responsável pela criança ou adolescente, deixando claro seu interesse na vítima e apresentando propostas financeiras. Os pagamentos, realizados via Pix, variavam entre R$ 30, R$ 50 ou R$ 100 por imagem recebida. Em alguns casos, o piloto ia além, oferecendo assistência material, como a compra de medicamentos, o pagamento de aluguel ou até mesmo a aquisição de bens como uma televisão.

Além de Lopes, a investigação resultou na prisão temporária da avó de três das vítimas e na detenção em flagrante da mãe de outra criança, acusada de armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil. A delegada Aleixo relatou que a esposa do piloto, uma psicóloga, ficou horrorizada ao tomar conhecimento dos crimes, sendo o casal recém-chegado de uma viagem de lua de mel. Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas os investigadores alertam que esse número pode ser muito maior, com indícios no celular apreendido que apontam para vítimas em outros estados. Há também fortes suspeitas de que Lopes não apenas consumia o material, mas também o distribuía para outras pessoas, o que aponta para uma rede ainda mais ampla de exploração.

Operação “Apertem os Cintos” e responsabilidades

A operação policial que culminou na prisão do piloto foi batizada de “Apertem os Cintos”, em referência à sua profissão. A ação investiga crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente. Durante a operação, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro indivíduos investigados, tanto na capital paulista quanto na cidade de Guararema, na Região Metropolitana, onde o piloto reside.

As provas colhidas até o momento sugerem que os crimes integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções entre os envolvidos e uma atuação coordenada. A Latam Airlines Brasil, empresa para a qual o piloto trabalhava, emitiu uma nota informando a abertura de uma apuração interna e se colocando à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia reforçou seu repúdio veemente a qualquer ação criminosa e reiterou que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta. O voo que seria operado pelo piloto preso, o LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont), operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto com outro profissional. O caso serve como um duro lembrete da responsabilidade coletiva de zelar e proteger crianças e adolescentes, como estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), garantindo que a família, a comunidade, a sociedade e o poder público atuem em conjunto para assegurar seus direitos fundamentais e protegê-los de toda forma de violência e exploração.

Perguntas frequentes

Quem é o piloto envolvido no caso de Guararema?
Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, um piloto comercial da Latam Airlines Brasil, foi preso temporariamente sob a suspeita de chefiar uma rede de abuso sexual infantil.

Como o piloto foi preso e quais as acusações?
Ele foi detido dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, momentos antes de um voo. As acusações incluem estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança e adolescente.

Quantas vítimas foram identificadas até o momento na investigação?
Até o momento, a Polícia Civil identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas há indícios de que o número total pode ser maior, com vítimas em outros estados do Brasil.

Qual o papel de outros envolvidos na rede de exploração?
Além do piloto, a avó de três vítimas foi presa temporariamente, e a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil, indicando uma estrutura organizada.

Para a proteção integral de nossas crianças e adolescentes, esteja atento, denuncie e seja parte ativa na luta contra a exploração. A segurança deles é responsabilidade de todos.

Fonte: https://g1.globo.com

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