A Fundação Casa de Rui Barbosa (FCRB), no Rio de Janeiro, formaliza hoje a incorporação de acervos de escritores indígenas ao seu patrimônio. A cerimônia de oficialização acontece durante a 1ª Festa Literária da Fundação Casa de Rui Barbosa (FliRui), e conta com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
A iniciativa reforça a política de preservação da fundação e demonstra o reconhecimento do papel dos autores indígenas na literatura brasileira contemporânea. Os materiais serão integrados ao Arquivo-Museu de Literatura Brasileira, setor da instituição responsável pela preservação da produção literária nacional.
“A Casa de Rui Barbosa faz hoje o que sempre esperamos das instituições públicas: coragem para abrir espaço, rever narrativas e acolher a diversidade que molda o Brasil”, afirmou a ministra Margareth Menezes. “Ao incorporar os acervos de três grandes autores indígenas, a fundação sinaliza que a memória literária do país precisa refletir todas as vozes que a constroem. Este é um passo firme, necessário e profundamente simbólico”.
Entre os doadores está Daniel Munduruku, escritor, educador e ativista do povo Munduruku, autor de mais de 70 livros. Ele está doando itens como sua primeira máquina de escrever, fotografias, cartas, desenhos e exemplares originais de primeiras edições de seus livros.
A escritora, poetisa e fotógrafa Márcia Kambeba, do povo Omágua/Kambeba, também contribui com álbuns fotográficos produzidos em aldeias, desenhos autorais baseados em grafismos tradicionais, poemas inéditos e objetos como maracá, cuia e bordados feitos por ela. “Esses ambientes históricos tornam-se mais completos quando acolhem vozes ancestrais que escrevem a partir de seus saberes, memórias, vivências e cosmologias”, disse Márcia Kambeba. “Ao receber autores indígenas, suas narrativas, grafismos e modos de ver o mundo, ampliam-se horizontes, desconstroem-se estereótipos e fortalecem-se outras formas de compreender a relação entre humano e não humano, território e bem-viver”.
Eliane Potiguara, primeira escritora indígena do Brasil e fundadora do Grumin, também fará uma doação significativa. Ela entrega cartas recebidas e enviadas ao longo de sua trajetória, manuscritos, materiais de pesquisa, registros de atuação política e comunitária, pôsteres, diplomas e documentos que testemunham décadas de participação no movimento indígena.
Segundo o presidente da FCRB, Alexandre Santini, a chegada desses acervos representa um gesto profundo de reconhecimento e uma mudança institucional. “Ao acolher as culturas indígenas como protagonistas do pensamento, da memória e da criação literária, abrimos caminho para uma compreensão mais ampla do país e do povo brasileiro”, assegurou Santini.
A programação da FliRui inclui atividades dedicadas às culturas originárias, como rodas de histórias, narrativas tradicionais e mediações para o público infantil, além de mesas sobre línguas indígenas, processos criativos e modos de narrar o mundo. O evento será encerrado com uma conferência de Ailton Krenak sobre imaginação, arte e cinema.
Com o tema “Literatura e Democracia”, a Fundação Casa de Rui Barbosa celebra a diversidade literária no ano em que o Rio de Janeiro é reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como Capital Mundial do Livro, buscando fortalecer a cidade como território de leitura, memória e criação.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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