O Porto de Santos prepara-se para uma complexa e custosa operação de salvamento do navio Professor W. Besnard, uma embarcação com relevante valor histórico e científico para o Brasil. Afundado parcialmente no cais do Valongo no início de março, o icônico Professor W. Besnard demandará um investimento superior a R$ 8,6 milhões para sua reflutuação e posterior deslocamento. A Autoridade Portuária de Santos (APS), agindo em caráter emergencial, contratou uma empresa especializada para conduzir o trabalho, que visa remover o navio do estuário e mitigar riscos operacionais e ambientais. A ação é crucial para preservar este patrimônio e permitir que seu projeto de transformação em museu flutuante siga adiante.
A complexa operação de salvamento e seus custos
A Autoridade Portuária de Santos (APS) formalizou um contrato de emergência com a empresa Marfort Serviços Marítimos para a retirada e reflutuação do navio Professor W. Besnard. A operação, avaliada em mais de R$ 8,6 milhões, é uma resposta à situação crítica da embarcação, que afundou no cais do Valongo no último dia 13 de março. A urgência da intervenção foi determinada pela Capitania dos Portos, levando a APS a assumir a responsabilidade pela remoção da embarcação, apesar de sua propriedade privada, com o objetivo de assegurar a segurança operacional e ambiental do porto.
Detalhes do contrato e a logística da reflutuação
O contrato emergencial com a Marfort, com validade de seis meses, abrange uma série de etapas cruciais para o salvamento do navio. Entre os serviços previstos estão a elaboração de um plano de mergulho detalhado, a implementação de rigorosas medidas de segurança operacional e a aplicação de metodologias específicas para o içamento e a reflutuação da estrutura. Além disso, a empresa será responsável pela contenção de qualquer potencial vazamento de poluição, como óleo, para o estuário, e pela docagem da embarcação em um estaleiro para avaliações e reparos iniciais. A expectativa da APS é que a fase de reflutuação seja concluída em até cinco dias após o início da operação, estabilizando o navio e minimizando os riscos na área portuária.
As circunstâncias do naufrágio e o papel da APS
O naufrágio do Professor W. Besnard, que há anos estava inoperante e passava por reformas, foi atribuído a uma série de fatores. Segundo o Instituto do Mar (Imar), ONG responsável pelo projeto de transformação do navio em museu flutuante, o acidente ocorreu após a embarcação ser inundada por um volume incomum de água. O presidente do Imar, Fernando Liberalli, explicou que fortes chuvas registradas no início de março contribuíram significativamente para a inundação, exacerbada pelo fato de as bombas de sucção do navio estarem fora de operação devido ao furto da fiação elétrica. Embora parte da estrutura tenha se apoiado no fundo do estuário, evitando um afundamento total, a situação demandou uma ação imediata.
A cronologia do acidente e as medidas de segurança
A Marinha do Brasil, após análise inicial, concluiu que o navio Professor W. Besnard, mesmo afundado parcialmente e assentado ao leito, não representava risco iminente à navegação, uma vez que permanecia amarrado ao cais. Contudo, a Autoridade Portuária de Santos (APS) adotou uma postura proativa para garantir a segurança da área e prevenir quaisquer incidentes. Foram implementadas medidas como o isolamento da região em terra, restringindo o acesso e evitando a aproximação indevida de pessoas, e a instalação de barreiras de contenção no mar. Estas barreiras são cruciais para prevenir a dispersão de possíveis vazamentos de óleo ou outros poluentes para o estuário, protegendo o ecossistema local e a qualidade da água do porto. A APS também planeja levar o navio para um estaleiro após a reflutuação para uma avaliação mais aprofundada de sua estrutura, com a reforma definitiva ficando a cargo do Imar, que busca ativamente parceiros para viabilizar o ambicioso projeto do museu flutuante.
O legado científico do Professor W. Besnard
O navio Professor W. Besnard não é apenas uma embarcação, mas um marco na história da pesquisa oceanográfica brasileira. Com 49,3 metros de comprimento, foi construído sob encomenda do governo paulista e lançado ao mar em 1966, tornando-se o primeiro navio de pesquisa oceanográfica do país. Ao longo de sua trajetória, o Besnard realizou inúmeras missões de suma importância, navegando pela costa brasileira e estendendo suas expedições até o arquipélago de Cabo Verde, na África.
De embarcação pioneira a futuro museu flutuante
A embarcação se destacou por realizar mais de 260 viagens destinadas à formação de pesquisadores e à coleta de dados científicos. Em suas jornadas, visitou mais de 10 mil pontos de coleta, contribuindo significativamente para o conhecimento dos ecossistemas marinhos. Um dos feitos mais notáveis do Professor W. Besnard foi levar as primeiras equipes de pesquisa brasileiras à Antártica, abrindo caminhos para a participação do Brasil em estudos no continente gelado. Após décadas de serviço intenso, o navio passou por duas reformas na década de 1990. Infelizmente, um grande incêndio em 2008 o deixou inoperante, marcando o fim de sua vida útil como navio de pesquisa. Desde então, surgiu a iniciativa de transformá-lo em um museu flutuante, um projeto do Instituto do Mar (Imar) que visa preservar sua memória e seu legado educacional e científico para as futuras gerações. O acidente recente, portanto, representa um revés para essa nobre causa, mas a operação de reflutuação demonstra o compromisso com sua recuperação.
Perspectivas futuras e o desafio da restauração
A reflutuação do navio Professor W. Besnard representa o primeiro passo para a recuperação de um patrimônio de valor inestimável. Uma vez retirado do estuário e levado ao estaleiro, o navio passará por uma avaliação técnica aprofundada para determinar a extensão dos danos e os custos de sua restauração completa. O Instituto do Mar (Imar) enfrenta agora o desafio de angariar os recursos e parcerias necessários para viabilizar o projeto do museu flutuante. A comunidade científica, educacional e o público em geral aguardam com expectativa a reabilitação do Professor W. Besnard, torcendo para que ele possa, em breve, cumprir seu novo propósito: o de educar e inspirar, mantendo viva a história da oceanografia brasileira e o espírito de exploração.
Perguntas frequentes sobre o navio Professor W. Besnard
Qual o custo da reflutuação do navio Professor W. Besnard?
A operação de retirada e reflutuação do navio Professor W. Besnard está orçada em mais de R$ 8,6 milhões.
Qual a causa do naufrágio parcial do Professor W. Besnard?
O naufrágio ocorreu devido ao acúmulo de água na embarcação após fortes chuvas no início de março, agravado pelo fato de as bombas de sucção estarem inoperantes por furto de fiação.
O que será feito com o navio Professor W. Besnard após a reflutuação?
Após a reflutuação, o navio será levado a um estaleiro para avaliação. A reforma completa será de responsabilidade do Instituto do Mar (Imar), que busca parceiros para transformá-lo em um museu flutuante.
Qual a importância histórica do navio Professor W. Besnard?
O Professor W. Besnard foi o primeiro navio de pesquisa oceanográfica do Brasil, responsável por inúmeras expedições científicas, formação de pesquisadores e por levar as primeiras equipes brasileiras à Antártica.
Para acompanhar os próximos capítulos da história do Professor W. Besnard e apoiar iniciativas de preservação do patrimônio marítimo, fique atento às atualizações e considere engajar-se com projetos que valorizam a memória da navegação e da ciência brasileira.
Fonte: https://g1.globo.com
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