© Instituto Butantan/Divulgação

Municípios fluminenses começam a receber vacina contra a dengue

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O estado do Rio de Janeiro iniciou nesta semana um marco significativo na saúde pública: a distribuição da nova vacina contra a dengue para os seus 92 municípios. Esta medida, liderada pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), visa fortalecer o combate à doença em uma região com histórico de vulnerabilidade. As primeiras remessas do imunizante, produzido pelo Instituto Butantan, estão sendo direcionadas estrategicamente para profissionais da Atenção Primária à Saúde do Sistema Único de Saúde (APS/SUS), que atuam na linha de frente do atendimento à população. Esta ação representa um passo fundamental na prevenção e controle da dengue, especialmente em um cenário de preocupação com a circulação de diferentes sorotipos do vírus.

Início da campanha de vacinação no Rio de Janeiro

A campanha de vacinação contra a dengue no estado do Rio de Janeiro teve seu pontapé inicial com a chegada de 33.364 doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. Deste total, a capital fluminense, Rio de Janeiro, recebeu uma parcela significativa de 12.500 doses, indicando o foco em áreas de maior densidade populacional e fluxo. A distribuição para os demais 91 municípios é um esforço logístico coordenado pela Secretaria de Estado de Saúde, garantindo que o acesso ao imunizante seja equitativo em todo o território.

Público-alvo inicial e cronograma

Conforme as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde, o foco inicial da vacinação recai sobre os profissionais que compõem a Atenção Primária à Saúde do SUS. Este grupo inclui não apenas médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, odontólogos e integrantes de equipes multiprofissionais – como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos – mas também agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE). Além dos profissionais de saúde diretos, trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades também serão contemplados. Essa escolha estratégica visa proteger aqueles que têm contato direto com os pacientes e desempenham um papel crucial na vigilância e resposta a surtos.

A vacina do Instituto Butantan, licenciada para uso em indivíduos de 12 a 59 anos, tem uma especificidade importante na estratégia atual. Diante da existência da vacina do laboratório Takeda (Qdenga), já preconizada para a faixa etária de 10 a 14 anos, a recomendação é que o imunizante do Butantan seja administrado em pessoas com idade entre 15 e 59 anos. A estratégia de vacinação será escalonada e gradativa, priorizando inicialmente os profissionais da Atenção Primária. A ampliação para outros públicos, incluindo adolescentes com 15 anos que não foram vacinados com a Qdenga, ocorrerá progressivamente, conforme a disponibilidade de doses pelo fabricante. A vacina é de dose única e confere proteção contra os quatro sorotipos da doença, simplificando o esquema vacinal e otimizando a cobertura.

Cenário epidemiológico e a ameaça do sorotipo 3

O monitoramento constante da dengue é uma prioridade no Rio de Janeiro. Embora os indicadores da doença se mantenham em níveis baixos, a Secretaria de Estado de Saúde mantém o alerta ligado para a importância de ações preventivas, especialmente após o período de Carnaval. As chuvas intensas que antecederam a folia, combinadas com o calor excessivo característico do verão, criam um ambiente propício para a proliferação do mosquito Aedes aegypti, vetor não apenas da dengue, mas também da chikungunya e da zika. Adicionalmente, o grande fluxo de turistas no estado durante este período eleva o risco de introdução de variantes do vírus provenientes de outras localidades onde a circulação pode ser mais intensa.

Prevenção contínua e dados de incidência

No estado do Rio de Janeiro, os sorotipos 1 e 2 da dengue têm sido os mais frequentes. Contudo, uma preocupação crescente é a possibilidade de reintrodução do sorotipo 3. Este sorotipo não circula no estado desde 2007, o que significa que uma parcela significativa da população não possui imunidade contra ele, tornando-a vulnerável a uma nova onda de infecções e casos graves. O fato de o sorotipo 3 já circular em estados vizinhos intensifica a vigilância e a necessidade de medidas preventivas eficazes.

Os dados mais recentes do Centro de Inteligência em Saúde indicam que, no ano corrente, até o dia 20 de fevereiro, o estado registrou 1.198 casos prováveis de dengue, com 56 internações, sem confirmação de óbitos até o momento. Em relação à chikungunya, foram contabilizados 41 casos prováveis e 5 internações. Não há registro de casos confirmados de zika no território fluminense. O monitoramento da dengue, a arbovirose de maior circulação, é realizado através de um indicador composto que avalia atendimentos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), solicitações de leitos e a taxa de positividade dos exames. Essas informações podem ser acessadas em tempo real na plataforma MonitoraRJ.

Atualmente, todos os 92 municípios do estado encontram-se em situação de rotina. Contudo, devido à alta capacidade de reprodução do mosquito Aedes aegypti, a principal recomendação para a população é dedicar dez minutos por semana à realização de uma “faxina” preventiva em suas residências. Esta varredura deve incluir a verificação da vedação da caixa d’água, a limpeza de calhas, a colocação de areia em pratos de plantas e o descarte adequado da água de bandejas de geladeira. É crucial lembrar que o verão, com sua alternância de chuvas e calor, oferece condições ideais para o ciclo de reprodução do mosquito, cujos ovos eclodem rapidamente sob a incidência de sol e altas temperaturas.

Estratégias adicionais e infraestrutura de combate

Além da vacinação com o imunizante do Butantan, outras ações significativas têm sido implementadas para fortalecer o combate às arboviroses. Em 2023, o Ministério da Saúde iniciou o fornecimento da vacina Qdenga, de fabricação japonesa, que já teve mais de 758 mil doses aplicadas em todo o estado do Rio de Janeiro. Do público-alvo prioritário de 10 a 14 anos, mais de 360 mil crianças e adolescentes receberam a primeira dose, e 244 mil completaram o esquema vacinal com a segunda dose.

Fortalecimento da rede de saúde e monitoramento

A Secretaria de Estado de Saúde também tem investido na qualificação da rede de saúde por meio de videoaulas e treinamentos contínuos. O Rio de Janeiro foi pioneiro na criação de uma ferramenta digital inovadora que uniformiza o manejo dos casos de dengue nas unidades de saúde, facilitando o diagnóstico e tratamento. Essa aplicação foi, inclusive, disponibilizada para outros estados brasileiros, demonstrando seu valor e eficácia.

Para garantir a agilidade na detecção de doenças, o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ) foi equipado com capacidade para realizar até 40 mil exames por mês. Este avanço permite a identificação rápida não só da dengue, mas também da zika, chikungunya e da febre do Oropouche, uma arbovirose recentemente introduzida que não é transmitida pelo Aedes aegypti, mas sim pelo mosquito Ceratopogonidae, conhecido popularmente como Maruim. Essas iniciativas reforçam a capacidade do estado em monitorar, prevenir e combater as arboviroses, protegendo a saúde de seus cidadãos.

Perguntas frequentes sobre a vacinação contra a dengue

1. Quem pode receber a vacina contra a dengue neste momento no Rio de Janeiro?
Nesta fase inicial da campanha, a vacina contra a dengue do Instituto Butantan é destinada aos profissionais da Atenção Primária à Saúde do SUS, incluindo médicos, enfermeiros, técnicos, agentes comunitários de saúde, e equipes multiprofissionais, bem como trabalhadores administrativos e de apoio que atuam nas unidades. A faixa etária prioritária para esta vacina, no contexto atual, é de 15 a 59 anos.

2. Qual a diferença entre as vacinas do Butantan e Takeda (Qdenga)?
Ambas são vacinas contra a dengue, mas possuem especificidades. A vacina do Instituto Butantan é licenciada para 12 a 59 anos, sendo recomendada para 15 a 59 anos na estratégia atual do Rio de Janeiro. Já a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, foi preconizada para a população de 10 a 14 anos pelo Ministério da Saúde e já está em uso desde 2023, com doses aplicadas em todo o estado.

3. O que devo fazer para ajudar a prevenir a dengue, mesmo com a vacinação em andamento?
A vacinação é uma ferramenta fundamental, mas as ações de prevenção continuam sendo cruciais. A principal recomendação é dedicar dez minutos por semana para eliminar possíveis focos do mosquito Aedes aegypti em sua residência. Isso inclui verificar a vedação da caixa d’água, limpar calhas, colocar areia em pratos de plantas, descartar água de bandejas de geladeira e eliminar qualquer recipiente que possa acumular água parada.

Para mais informações sobre a vacinação e medidas preventivas, consulte as autoridades de saúde locais e o portal MonitoraRJ.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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