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Mulheres de São Paulo exigem fim da violência e da escala 6×1

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Apesar da forte chuva que caiu na tarde do último domingo (8) em São Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista para um ato contundente que marcou o Dia Internacional da Mulher. A mobilização na capital paulista, que incluiu uma caminhada da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, teve como pautas centrais o fim da violência contra as mulheres e a defesa da redução da jornada de trabalho com o fim da escala 6×1. Munidas de sombrinhas e inúmeras faixas, as manifestantes entoaram cânticos de união e mudança, reverberando as demandas por direitos e proteção. O evento na maior cidade do país ecoou atos simultâneos em diversas cidades brasileiras, evidenciando uma mobilização nacional em prol da vida e da dignidade feminina. A resiliência das participantes, mesmo sob condições climáticas adversas, sublinhou a urgência e a seriedade das reivindicações apresentadas.

Combate efetivo à violência de gênero

A principal reivindicação das mulheres que se reuniram em São Paulo foi o combate efetivo ao feminicídio e à violência contra a mulher em suas diversas formas. A demanda não se limitou a pactos ou notas de apoio, mas clamou por medidas concretas, orçamento público direcionado e ações efetivas por parte dos poderes Executivo, Judiciário e Legislativo. A ausência de avanços significativos nessas esferas foi apontada como uma lacuna preocupante.

Manifestações simbólicas e alertas cruéis

Durante o ato na Avenida Paulista, as manifestantes promoveram diversas intervenções independentes de grande impacto visual e simbólico. Em uma delas, sapatos femininos foram cuidadosamente posicionados pela avenida, cada par representando uma vida perdida para o feminicídio no país. Essa instalação serviu como um lembrete pungente da escalada da violência letal contra as mulheres. Outra intervenção marcante envolveu bonecas, instaladas em frente ao Fórum Pedro Lessa, simbolizando as crianças que também sofrem as consequências da misoginia. Essa ação fez alusão, inclusive, a casos polêmicos no judiciário, como o que envolveu um desembargador que absolveu um homem acusado de estuprar uma menor de idade.

Legislação e combate à misoginia digital

As coordenadoras do Levante Mulheres Vivas, um dos grupos organizadores, destacaram a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que visa tipificar a misoginia, definida como a conduta de ódio contra as mulheres, como crime. A necessidade dessa legislação foi reforçada pela observação de que, enquanto discursos feministas são frequentemente boicotados por grandes plataformas de tecnologia (big techs), movimentos de promoção da misoginia, como o “red pill”, são impulsionados e ganham visibilidade. A criminalização da misoginia é vista como um passo fundamental para começar a reverter essa lógica prejudicial e proteger as mulheres no ambiente digital e offline.

Dados alarmantes do estado de São Paulo reforçam a urgência dessas demandas. No último ano, foram registradas 270 mortes de mulheres no estado de São Paulo, um aumento de 96,4% em comparação com 2021, marcando um recorde desde o início da série histórica em 2018. Esses números sublinham a persistência e o agravamento do problema do feminicídio, exigindo uma resposta coordenada e enérgica da sociedade e do Estado.

Direitos trabalhistas e autonomia feminina

Além do clamor pelo fim da violência, o ato abraçou outras pautas essenciais para a autonomia e qualidade de vida das mulheres. O fim da escala de trabalho 6×1 foi uma das reivindicações centrais, vista como uma medida crucial para aliviar a dupla jornada enfrentada por muitas trabalhadoras.

O fim da escala 6×1: uma questão de saúde e justiça

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo defendeu a importância da redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 como temas prioritários para as mulheres. Para a organização, a mulher trabalhadora, que frequentemente assume a maior parte das responsabilidades de cuidado e sustento familiar, vive uma “escala 7 por 0”. A eliminação da escala 6×1 não representaria apenas um período de descanso físico e mental, mas também uma oportunidade para autocuidado e para que a mulher possa decidir como quer usufruir de seu tempo e estar no mundo, promovendo sua autonomia e bem-estar.

Outras pautas e a força dos movimentos sociais

O protesto também se manifestou contra a violência política e o extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas, reafirmando a importância da soberania e autodeterminação dos povos. A mobilização, intitulada “Em Defesa da Vida das Mulheres”, contou com a participação de diversos movimentos sociais e sindicais de grande representatividade no Brasil. Entre eles, destacaram-se a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), a Marcha Mundial das Mulheres, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), evidenciando a amplitude e a interconexão das pautas defendidas pelas mulheres.

Conclusão

O Dia Internacional da Mulher foi marcado em São Paulo por uma forte e resiliente manifestação, que, apesar das adversidades climáticas, reuniu milhares de mulheres para exigir o fim da violência de gênero e o avanço em direitos trabalhistas. A multidão, composta por diversos movimentos sociais e sindicais, clamou por políticas públicas efetivas e orçamento direcionado para combater o feminicídio e promover a autonomia feminina. As intervenções simbólicas e os dados alarmantes de feminicídio no estado reforçaram a urgência de uma mudança estrutural. O protesto na Avenida Paulista não foi apenas um ato de memória e celebração, mas um poderoso lembrete da luta contínua por uma sociedade mais justa e igualitária, onde as mulheres possam viver livres de medo e com plena garantia de seus direitos.

Perguntas Frequentes

Qual foi o principal objetivo do ato na Avenida Paulista?
O principal objetivo foi exigir o fim da violência contra as mulheres, incluindo o feminicídio, e defender a aprovação de políticas públicas e orçamentos que garantam a proteção e a autonomia feminina.

Além do fim da violência, quais outras pautas foram defendidas pelas manifestantes?
As manifestantes também protestaram pelo fim da escala de trabalho 6×1, pelo fim da violência política, contra o extremismo que tenta controlar corpos e vozes femininas, e em defesa da soberania e autodeterminação dos povos.

Por que o fim da escala 6×1 é considerado importante para as mulheres?
O fim da escala 6×1 é crucial porque muitas mulheres são responsáveis pela dupla jornada de trabalho e cuidados familiares. A redução da jornada oferece tempo para descanso, autocuidado e maior autonomia para as mulheres decidirem como querem estar no mundo, promovendo seu bem-estar e qualidade de vida.

Quais dados alarmantes sobre feminicídio foram mencionados durante o ato?
Foi destacado que, no último ano, o estado de São Paulo registrou 270 mortes de mulheres, um aumento de 96,4% em comparação com 2021, marcando o número mais alto de feminicídios desde o início da série histórica em 2018.

Para se manter informado sobre as pautas feministas e as ações em defesa dos direitos das mulheres, acompanhe nossas atualizações e participe ativamente da construção de uma sociedade mais justa.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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