Agência Brasil

Maracatu Axé de Oxóssi: duas décadas de cultura afro-brasileira em Fortaleza

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Fortaleza foi palco de uma significativa celebração cultural que marcou os 20 anos do Maracatu Axé de Oxóssi, agremiação reconhecida como patrimônio imaterial da cidade. Em um evento marcante, realizado recentemente no prestigiado Centro Cultural Dragão do Mar, a comunidade e amantes da cultura afro-brasileira se reuniram para homenagear a trajetória de resistência, fé e identidade que o grupo representa. A apresentação gratuita não apenas comemorou a resiliência e a riqueza do maracatu de baque virado, mas também reforçou o papel vital da agremiação na difusão de uma herança ancestral que pulsa no coração do carnaval de rua cearense e na consciência de seu povo. A iniciativa sublinha o compromisso contínuo com a preservação de manifestações artísticas que transcendem o mero entretenimento, atuando como pilares da memória e da construção social.

O legado de duas décadas e o patrimônio imaterial

O Maracatu Axé de Oxóssi não é apenas um grupo carnavalesco; é uma instituição viva que carrega em sua essência a história, a fé e a luta de um povo. Fundado em abril de 2006, o cortejo ancestral da agremiação rapidamente se tornou um componente indispensável do carnaval de rua de Fortaleza, cativando o público com suas cores, ritmos e narrativas. Sua existência, que agora completa duas décadas, é um testemunho da persistência e da paixão de seus membros em manter acesa a chama da cultura afro-brasileira. A celebração dos 20 anos é, portanto, um marco não só para o grupo, mas para toda a cidade, que se orgulha de ter uma manifestação tão autêntica e representativa em seu cenário cultural.

Raízes ancestrais e o berço do Axé de Oxóssi

As profundas raízes do Maracatu Axé de Oxóssi estão firmemente ancoradas nas religiões de matriz africana, que moldaram grande parte da identidade cultural brasileira. O nome da agremiação, “Axé de Oxóssi”, é uma homenagem direta às suas origens: Oxóssi era o orixá que batizava o terreiro de umbanda que servia de sede para o maracatu, localizado na histórica região do Mercado Velho de São Sebastião, em Fortaleza. Essa ligação não é meramente nominal; ela representa a fusão indissociável entre a espiritualidade e a arte, onde cada toque de tambor e cada movimento de dança reverbera a força e a sabedoria dos ancestrais. No sincretismo religioso, tão presente na cultura brasileira, Oxóssi é o orixá que se corresponde com São Sebastião, reforçando a intersecção de crenças e a riqueza simbólica que permeia o maracatu. A escolha do nome e a localização do terreiro sublinham a importância da comunidade e do local como berço e mantenedor dessa tradição secular.

A força feminina na liderança: Dona Maria de Fátima Marcelino

No coração do Maracatu Axé de Oxóssi pulsa a dedicação incansável de Dona Maria de Fátima Marcelino. Com seus 72 anos de idade, ela é não apenas a presidenta e fundadora da agremiação, mas uma verdadeira lenda viva do maracatu. Sua paixão pela manifestação cultural começou cedo, aos 12 anos, quando pisou pela primeira vez em um cortejo. Desde então, Dona Maria de Fátima tem dedicado sua vida a este ritmo e a essa causa. Sua liderança carismática e sua visão foram fundamentais para o estabelecimento e crescimento do grupo, que hoje orgulhosamente conta com 180 integrantes. Com a ajuda e o apoio irrestrito da comunidade, ela conseguiu transformar o sonho de um maracatu enraizado na cultura local em uma realidade vibrante e reconhecida, provando que a determinação e o amor pela cultura podem mover montanhas e construir legados duradouros.

Celebração e encontro de nações

A comemoração das duas décadas do Maracatu Axé de Oxóssi foi mais do que um simples show; foi um encontro de nações, de saberes e de memórias, um verdadeiro mosaico da cultura maracatuzeira cearense. A apresentação no Centro Cultural Dragão do Mar reuniu não apenas os 180 integrantes do Axé de Oxóssi, mas também convidados especiais de outras agremiações de renome, simbolizando a união e a irmandade entre os grupos. Marcos Gomes, do Maracatu Az de Ouro; Calé Alencar, do Maracatu Nação Fortaleza; e Adriano Kanu, do Bloco Chico Chico da Matilde, subiram ao palco para celebrar juntos, cada um trazendo sua contribuição única para a riqueza do espetáculo. Esse intercâmbio de talentos e tradições realçou a diversidade e a força do maracatu como um movimento cultural coeso e vibrante.

A importância do reconhecimento cultural

Desde 2015, o Maracatu Axé de Oxóssi detém o importante reconhecimento de patrimônio cultural imaterial de Fortaleza. Essa distinção não é apenas um título, mas uma validação da profunda relevância do grupo para a cidade e para o país. Ela sublinha o papel do maracatu não apenas como uma forma de expressão artística, mas como um poderoso símbolo de resistência cultural e de identidade afro-brasileira. Ao longo de suas duas décadas, o Axé de Oxóssi tem sido um farol na difusão da história, das tradições e dos valores dos povos de ascendência africana no Brasil, combatendo o esquecimento e a invisibilidade. O reconhecimento como patrimônio imaterial garante que essa rica herança seja protegida, valorizada e transmitida às futuras gerações, perpetuando o legado de luta, arte e fé.

Um palco de convergência e resistência

O Centro Cultural Dragão do Mar, local do evento, tornou-se um palco de convergência e resistência, onde a ancestralidade encontrou a contemporaneidade. A atmosfera foi de profunda reverência e celebração, com a força dos tambores e a energia dos dançarinos ecoando a história de um povo que, através da arte, reafirma sua existência e sua cultura. A escolha do Dragão do Mar, um dos mais importantes complexos culturais do Nordeste, para sediar tal evento, ressalta a importância que as instituições culturais conferem à preservação e valorização das manifestações populares. A entrada gratuita para o público assegurou que todos tivessem acesso a essa experiência única, democratizando a cultura e permitindo que mais pessoas pudessem testemunhar a vitalidade e a beleza do Maracatu Axé de Oxóssi.

Uma festa para a história e o futuro

A celebração dos 20 anos do Maracatu Axé de Oxóssi em Fortaleza foi um momento de profunda reflexão sobre a riqueza da cultura afro-brasileira e a importância de suas manifestações. Mais do que uma simples festa, foi um ato de afirmação cultural, um grito de resistência e uma promessa de continuidade. A agremiação, sob a liderança inspiradora de Dona Maria de Fátima Marcelino, provou mais uma vez sua capacidade de unir, emocionar e educar através da arte. Ao reunir diferentes nações de maracatu e abrir suas portas para a comunidade, o evento solidificou o Axé de Oxóssi como um pilar fundamental da identidade fortalezense, garantindo que o legado dos ancestrais continue a ecoar e a inspirar as gerações vindouras. A história de cada batuque, de cada dançarino e de cada membro da comunidade se entrelaça, formando um tecido cultural resiliente e eternamente vibrante.

FAQ

O que é o Maracatu Axé de Oxóssi?
É uma agremiação cultural de maracatu de baque virado de Fortaleza, Ceará, fundada em abril de 2006. Reconhecida como patrimônio cultural imaterial da cidade, a agremiação celebra a cultura afro-brasileira, a resistência e a identidade, com raízes nas religiões de matriz africana e ligada ao orixá Oxóssi.

Quem é Dona Maria de Fátima Marcelino?
Dona Maria de Fátima Marcelino é a fundadora e presidenta do Maracatu Axé de Oxóssi. Com 72 anos, ela brinca maracatu desde os 12 e é uma figura central na preservação e difusão dessa manifestação cultural em Fortaleza.

Quando e onde ocorreu a celebração de 20 anos do Maracatu Axé de Oxóssi?
A celebração dos 20 anos ocorreu recentemente em uma quinta-feira, às 19h, no Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, com entrada gratuita. O evento contou com a participação de outras agremiações e personalidades do maracatu.

Qual a importância do Maracatu Axé de Oxóssi para Fortaleza?
O Maracatu Axé de Oxóssi é de suma importância para Fortaleza por ser reconhecido como patrimônio cultural imaterial. Ele difunde o maracatu como símbolo de resistência e identidade afro-brasileira, mantendo vivas as tradições ancestrais e fortalecendo a cultura local através de suas apresentações no carnaval de rua e eventos culturais.

Quer saber mais sobre a riqueza da cultura afro-brasileira e apoiar iniciativas como o Maracatu Axé de Oxóssi? Procure os canais oficiais da agremiação e dos centros culturais da sua cidade para participar e contribuir com a preservação de nosso patrimônio!

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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