© União Europeia/Mercosul

Lula envia acordo Mercosul-UE ao Congresso para análise final

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou recentemente o envio do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) para a análise e aprovação do Congresso Nacional. Este movimento representa um passo crucial na longa e complexa jornada para a entrada em vigor de um tratado que, se ratificado, criará a maior zona de livre comércio do mundo, abrangendo mais de 720 milhões de habitantes. A decisão presidencial, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, sinaliza a prioridade do governo brasileiro em avançar com a internalização do pacto. A expectativa é que o processo legislativo brasileiro, que envolve votações na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, se desenvolva nas próximas semanas. A aprovação interna é vista como um catalisador para pressionar o Parlamento Europeu a progredir na ratificação.

Um tratado de proporções globais: o acordo Mercosul-UE

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, assinado formalmente em 17 de janeiro, em Assunção, Paraguai, após décadas de negociações, visa estabelecer uma vasta área de livre comércio. Sua principal premissa é a eliminação de tarifas alfandegárias sobre a maior parte dos bens e serviços trocados entre os dois blocos. Este pacto é considerado um marco significativo nas relações comerciais internacionais, prometendo remodelar as cadeias de suprimentos e o acesso a mercados para ambos os lados.

Detalhes da liberalização comercial

Os termos aprovados do acordo delineiam um plano ambicioso para a remoção de barreiras comerciais. Pelo lado do Mercosul, a previsão é zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em um período de até 15 anos. Essa gradualidade é projetada para permitir que as indústrias dos países do bloco sul-americano se ajustem à nova concorrência. Em contrapartida, a União Europeia se compromete a eliminar tarifas sobre 95% dos bens provenientes do Mercosul em um prazo ligeiramente menor, de até 12 anos. Essa assimetria reflete as diferentes estruturas econômicas e sensibilidades de cada bloco, buscando um equilíbrio que beneficie ambas as partes, ao mesmo tempo em que protege setores considerados estratégicos ou vulneráveis. A abrangência dos produtos e serviços incluídos no acordo é vasta, englobando desde produtos agrícolas e matérias-primas até bens industriais de alta tecnologia e serviços.

O intrincado caminho da ratificação e os desafios

Apesar da assinatura formal que selou o acordo em nível interblocos, o tratado ainda enfrenta um longo e complexo processo de internalização para que possa, de fato, entrar em vigor. Este processo exige a aprovação individual pelos congressos nacionais de cada um dos países-membros do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai –, bem como pelo Parlamento Europeu. A necessidade de múltiplos endossos legislativos reflete a soberania de cada nação e o escrutínio democrático sobre acordos de tamanha magnitude.

O entrave europeu e a estratégia brasileira

A jornada do acordo na Europa, no entanto, encontrou um obstáculo recente que pode atrasar sua implementação. Há algumas semanas, o encaminhamento do texto para análise do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) gerou preocupação. Essa decisão, que visa esclarecer aspectos legais e constitucionais do tratado no contexto europeu, pode retardar a etapa final de aprovação em até dois anos. A complexidade do processo decisório da UE, que envolve a Comissão Europeia, o Conselho da União Europeia e o Parlamento Europeu, além de eventuais revisões judiciais, demonstra a cautela com que o bloco lida com acordos internacionais.

Diante desse cenário, o governo brasileiro aposta que a rápida aprovação do acordo pelo seu Congresso Nacional servirá como um sinal político forte. A expectativa é que essa movimentação interna no Brasil possa aumentar a pressão sobre o Parlamento Europeu para acelerar sua própria análise e ratificação. A mensagem é clara: o Brasil está pronto e comprometido com o acordo, esperando que a União Europeia responda com igual celeridade e engajamento. Essa estratégia busca demonstrar a seriedade e a determinação do lado sul-americano em concretizar um pacto que tem potencial para impulsionar o desenvolvimento econômico e a integração global.

Implicações e perspectivas futuras

A entrada em vigor do acordo Mercosul-UE transcende a mera remoção de tarifas, prometendo gerar uma série de implicações econômicas, sociais e geopolíticas para ambos os blocos. Para o Brasil e os demais países do Mercosul, o acesso preferencial ao vasto mercado europeu, com seu elevado poder de compra, pode significar um aumento substancial nas exportações, diversificação da pauta exportadora e atração de investimentos estrangeiros diretos. Setores como a agricultura familiar, conforme mencionado por autoridades, estariam entre os beneficiários, com novas oportunidades para seus produtos. A modernização da indústria e a melhoria da competitividade também são expectativas, impulsionadas pela concorrência e pela integração às cadeias globais de valor.

Do lado europeu, o acordo oferece acesso privilegiado a um mercado em crescimento na América do Sul, rico em recursos naturais e com um potencial significativo para o consumo de bens e serviços de alto valor agregado. Além dos benefícios comerciais, o pacto tem uma dimensão estratégica importante, reforçando laços políticos e culturais e promovendo a cooperação em áreas como sustentabilidade, pesquisa e inovação. A consolidação dessa zona de livre comércio também envia um sinal robusto em um cenário global marcado por tendências protecionistas, reafirmando o compromisso com o multilateralismo e o comércio justo. Os próximos meses serão decisivos para determinar se o ímpeto político e a vontade legislativa serão suficientes para superar os obstáculos e finalmente colocar o acordo em pleno funcionamento, inaugurando uma nova era de relações comerciais entre os dois continentes.

FAQ

1. Qual é o principal objetivo do acordo comercial Mercosul-UE?
O principal objetivo é criar a maior zona de livre comércio do mundo, com mais de 720 milhões de habitantes, através da eliminação gradual de tarifas alfandegárias sobre a maior parte dos bens e serviços produzidos entre os dois blocos, fomentando o comércio e os investimentos.

2. Quanto tempo levará para as tarifas serem eliminadas completamente?
O Mercosul se compromete a zerar tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia eliminará tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos. O processo é gradual para permitir a adaptação das economias.

3. Quais são os próximos passos para o acordo entrar em vigor?
Após a assinatura formal, o acordo precisa ser ratificado pelos congressos nacionais de cada país-membro do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e pelo Parlamento Europeu. No caso da UE, há ainda uma análise do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) que pode atrasar o processo.

Acompanhe as notícias e análises sobre o acordo Mercosul-UE para entender como este marco histórico pode impactar o futuro do comércio global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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