© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Lula defende multilateralismo e livre comércio em encontro na Coreia do Sul

ANUNCIO COTIA/LATERAL

Em uma visita estratégica à Coreia do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância do multilateralismo e do livre comércio global durante um encontro com empresários sul-coreanos. A declaração, proferida no encerramento do evento empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, ressaltou a visão brasileira de um cenário econômico mundial pautado pela cooperação e pela eliminação de barreiras. Lula criticou veementemente posturas protecionistas que, segundo ele, tentam minar o sentido do multilateralismo no primeiro quarto do século XXI, defendendo que quanto mais livre o comércio, maiores serão as oportunidades de crescimento e desenvolvimento econômico para todas as nações do planeta. Esta abordagem reforça o compromisso do Brasil com a integração econômica global.

O chamado ao multilateralismo e livre comércio

Durante seu discurso em Seul, o presidente Lula foi categórico na defesa de uma ordem global baseada na colaboração entre as nações. Ele expressou seu posicionamento claro contra qualquer movimento que ameace a estrutura do multilateralismo, que, em sua visão, é fundamental para o desenvolvimento econômico global.

Rejeição ao protecionismo e contexto global

Lula argumentou que não há justificativa para o retorno do protecionismo, especialmente em um período de tamanha interconexão global. “Não é possível, no primeiro quarto do século XXI, a gente entender que o multilateralismo não tem mais sentido”, afirmou. O presidente ressaltou que a tentativa de desmantelar o multilateralismo e ressuscitar práticas protecionistas só serve para dificultar o crescimento das economias e, em última instância, prejudicar o progresso mundial. Ele defendeu que a abertura comercial é um vetor de prosperidade, onde “quanto mais livre o comércio, melhor será para o mundo”.

A declaração ganha um contexto adicional ao considerar que ela foi feita após um período em que decisões protecionistas, como o aumento temporário de tarifas sobre importações em grandes economias, desafiaram a ordem global. Embora o presidente não tenha mencionado explicitamente fontes, o cenário de discussões sobre barreiras comerciais serviu como pano de fundo para seu apelo por uma maior cooperação. O evento empresarial Brasil-Coreia do Sul, ocorrido logo após o encontro bilateral de Lula com o presidente sul-coreano Lee Jae-myung e a assinatura de acordos, serviu como palco para essa importante mensagem.

Novas fronteiras comerciais e tecnológicas

Além de seu discurso sobre a importância do multilateralismo, o presidente Lula focou em oportunidades concretas de comércio e parceria tecnológica entre Brasil e Coreia do Sul, destacando áreas onde ambos os países podem se beneficiar mutuamente.

Carne bovina brasileira e acesso ao mercado coreano

Um dos pontos mais enfáticos da fala de Lula foi o desejo do Brasil de ter acesso ao mercado sul-coreano para a exportação de carne bovina, uma busca que se estende por 15 anos. Ele apresentou números impressionantes sobre o rebanho brasileiro, que conta com aproximadamente 240 milhões de cabeças de gado, e a capacidade de abate diária, que chega a 150 mil. Com essa escala, Lula garantiu que o Brasil está mais do que preparado para atender a demanda coreana por proteína animal, caso haja abertura.

O presidente brasileiro chegou a brincar com a situação, sugerindo que, se o povo da Coreia comprasse carne dos Estados Unidos, haveria o risco de, indiretamente, estar consumindo carne brasileira, dada a vasta exportação do Brasil para o mercado estadunidense. Essa observação sublinha a posição do Brasil como um gigante global na produção de carne. A prioridade, segundo Lula, é avançar nos procedimentos sanitários necessários para que a carne brasileira chegue diretamente ao prato do consumidor coreano, além de explorar a possibilidade de frigoríficos brasileiros se instalarem em solo sul-coreano, fortalecendo a cadeia de valor.

Parcerias estratégicas em setores intensivos em conhecimento

Lula também delineou uma visão de parceria que transcende a mera exportação de commodities. Ele enfatizou que uma das prioridades do governo brasileiro é colaborar com empresas coreanas em setores de alta tecnologia e intensivos em conhecimento. O presidente destacou a posição da Coreia do Sul como o segundo maior produtor mundial de semicondutores e sua significativa participação no mercado de baterias, áreas cruciais para a economia global atual.

Por outro lado, o Brasil apresenta-se como um parceiro estratégico e confiável, possuindo minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos. Essa combinação oferece um terreno fértil para a cooperação. Lula reiterou que o papel de “meros exportadores de matéria-prima não condiz com o nosso potencial”, buscando parcerias que permitam ao Brasil agregar valor e desenvolver tecnologia de ponta em seu próprio território. Essa visão reflete o desejo de uma transformação econômica, com o Brasil atuando não apenas como fornecedor, mas como um inovador e produtor de tecnologia avançada.

Fortalecimento de blocos e acordos regionais

O presidente Lula finalizou sua participação no encontro empresarial reforçando o compromisso do Brasil com o fortalecimento de blocos econômicos e a busca por novos acordos comerciais em nível global.

Mercosul e a busca por novos horizontes

Ao citar o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, Lula destacou o sucesso e a importância de iniciativas de integração regional para o desenvolvimento econômico. Ele sinalizou que o bloco latino-americano está ativamente buscando fechar acordos comerciais com diversos outros países, indicando uma estratégia de diversificação e expansão das relações comerciais.

Nesse contexto, Lula defendeu abertamente a retomada das negociações para um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul. Essa iniciativa, se concretizada, poderia abrir vastas oportunidades para ambos os lados, facilitando o intercâmbio de bens, serviços e tecnologias. A visão do presidente é de um Mercosul dinâmico e atuante, capaz de estabelecer pontes com as mais diversas economias do mundo, contribuindo para um cenário de maior interdependência e prosperidade compartilhada.

Conclusão

A visita do presidente Lula à Coreia do Sul e suas declarações aos empresários sul-coreanos sublinham uma estratégia diplomática e econômica multifacetada. A defesa incondicional do multilateralismo e do livre comércio posiciona o Brasil como um ator global que busca a cooperação em detrimento do protecionismo. Ao mesmo tempo, o foco em parcerias para agregar valor em setores de alta tecnologia e a ambição de expandir o acesso para produtos como a carne bovina demonstram um pragmatismo econômico. A revitalização das discussões sobre acordos como o Mercosul-Coreia do Sul reforça a busca brasileira por uma integração mais profunda e benéfica no cenário comercial internacional, consolidando a imagem do Brasil como um parceiro confiável e empenhado no desenvolvimento conjunto.

FAQ

Qual foi a principal mensagem de Lula aos empresários sul-coreanos?
A principal mensagem de Lula foi a defesa enfática do multilateralismo e do livre comércio global, criticando o protecionismo e enfatizando que a cooperação econômica é essencial para o desenvolvimento de todos os países.

Que tipo de parcerias o Brasil busca com a Coreia do Sul em alta tecnologia?
O Brasil busca parcerias em setores intensivos em conhecimento, como semicondutores e baterias. O objetivo é agregar valor aos minerais críticos brasileiros, que são insumos para esses setores, e produzir tecnologia de ponta em solo nacional, em vez de ser apenas um exportador de matéria-prima.

Por que o acesso ao mercado coreano para carne bovina é uma prioridade para o Brasil?
O acesso ao mercado coreano para carne bovina é uma prioridade de longa data (15 anos) devido ao vasto rebanho e capacidade de produção do Brasil. Representa uma oportunidade significativa para diversificar as exportações brasileiras e atender à demanda coreana por proteína animal, fortalecendo a balança comercial do país.

Como o Brasil enxerga o papel do Mercosul nas relações comerciais internacionais?
O Brasil vê o Mercosul como um bloco dinâmico e estratégico para a expansão comercial. Com base no sucesso do acordo com a União Europeia, o país defende que o Mercosul continue buscando e concretizando acordos com diversas nações, incluindo a Coreia do Sul, para fortalecer a integração e o comércio global.

Mantenha-se informado sobre os desdobramentos das relações comerciais entre Brasil e Coreia do Sul e suas implicações para o comércio global.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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