Um significativo encontro regional com foco em segurança, saúde e autocuidado das mulheres foi realizado nesta segunda-feira (30) em Barueri. O evento, intitulado “Mulheres em Foco”, reuniu uma vasta gama de lideranças públicas, especialistas e ativistas da causa feminina para um debate aprofundado sobre a proteção, a promoção de direitos e o fortalecimento das mulheres na região. A iniciativa destacou a relevância da participação feminina na gestão pública e na formulação de políticas mais eficazes para atender às necessidades específicas. A atuação conjunta entre diferentes esferas de poder e a valorização da expertise feminina foram pontos-chave, visando impulsionar avanços concretos na vida das cidadãs. A discussão abordou desde desafios estruturais na rede de proteção contra a violência até a importância do acesso a serviços de saúde especializados, reafirmando o compromisso com o desenvolvimento regional.
Segurança e enfrentamento às violências
No primeiro painel, dedicado à segurança das mulheres e ao enfrentamento das diversas formas de violência, especialistas trouxeram à tona a complexidade dos desafios ainda existentes na rede de proteção. A delegada titular de Cotia e criminóloga, Dra. Mônica Resende Gamboa, sublinhou os alarmantes índices de feminicídio no país, enfatizando as lacunas no acesso a atendimento especializado, especialmente fora do horário comercial. Ela pontuou que a violência doméstica não se limita ao expediente convencional, o que torna imperativo o fortalecimento e a ampliação do funcionamento das Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e de toda a rede de acolhimento, garantindo que as vítimas tenham suporte a qualquer momento de necessidade.
Desafios e novas formas de violência
Além das agressões físicas e psicológicas tradicionalmente abordadas, o debate se expandiu para as crescentes violências no ambiente digital. Foram discutidos temas como o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas — popularmente conhecido como “pornografia de vingança” — e os casos de perseguição e assédio virtual. As especialistas foram categóricas ao afirmar que tais práticas constituem crimes graves, reforçando a crucial necessidade de as vítimas reunirem todas as provas possíveis e formalizarem denúncias. Este passo é fundamental para a devida responsabilização dos agressores e para a construção de um ambiente digital mais seguro para todos. A relevância da presença feminina em cargos de liderança nas instituições de segurança pública também foi um ponto central. A delegada Dra. Priscila Camargo destacou como a atuação de mulheres em posições de comando pode influenciar positivamente a abordagem e a sensibilidade no tratamento de casos de violência de gênero. Complementando, a delegada Dra. Bruna Caroline Biruel Caracho contextualizou a violência de gênero no Brasil, apontando para raízes históricas e culturais profundas. Ela defendeu veementemente a educação como a ferramenta mais potente para promover uma transformação social duradoura, capaz de desconstruir preconceitos e padrões machistas que alimentam a violência contra a mulher. A conscientização desde a base educacional é vista como a chave para uma sociedade mais igualitária e respeitosa.
Saúde, bem-estar e autonomia feminina
O segundo painel, voltado para a saúde e o autocuidado das mulheres, trouxe discussões igualmente cruciais. A médica ginecologista e obstetra Dra. Amanda Regina Druziani reconheceu os avanços significativos na atenção à saúde feminina, mas fez questão de ressaltar que ainda persistem desafios importantes. Entre eles, destacam-se a dificuldade no acesso a exames preventivos essenciais e a consultas com especialistas, especialmente em regiões mais afastadas ou com recursos limitados. Druziani também chamou a atenção para uma questão delicada: a identificação de situações de violência dentro dos próprios serviços de saúde. Muitas vezes, as vítimas não reconhecem ou não verbalizam a violência que sofrem, tornando essencial o treinamento de profissionais de saúde para identificar sinais e oferecer o acolhimento adequado de forma sigilosa e empática.
Acesso, identificação de violência e redes de apoio
A vice-prefeita de Barueri e secretária de Assistência Social, Dra. Cláudia Marques, reforçou a importância da participação ativa das mulheres na construção diária das políticas públicas. Ela incentivou a presença feminina em todos os espaços de decisão, desde conselhos comunitários até cargos eletivos, argumentando que a perspectiva de gênero é fundamental para a formulação de ações mais inclusivas e eficazes. A secretária da Mulher de Jandira, Dra. Inês Tzvetana, que mediou este painel, direcionou o debate para temas como autonomia, qualidade de vida e o fortalecimento das redes de apoio. A discussão enfatizou que o bem-estar da mulher transcende a ausência de doença, abrangendo sua capacidade de tomar decisões, ter acesso a recursos e contar com um suporte social sólido. Um ponto crucial levantado foi o papel estratégico dos profissionais de saúde e assistência social. Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e prontos-socorros frequentemente se configuram como a primeira porta de entrada para mulheres em situação de violência, mesmo que a queixa inicial seja de outra natureza. Isso exige dos profissionais uma sensibilidade apurada e um preparo específico para identificar sinais de abuso, acolher a mulher de forma humanizada e realizar os encaminhamentos necessários para a rede de proteção, garantindo que o ciclo de violência seja interrompido e a mulher receba o suporte integral de que precisa.
Reflexões e o caminho para o fortalecimento feminino
O encerramento do encontro foi marcado por uma profunda reflexão conduzida pela professora Dra. Márcia Guerra, que abordou o protagonismo feminino ao longo da história. Ela resgatou trajetórias inspiradoras de mulheres que, em diferentes épocas e contextos, romperam barreiras sociais, culturais e políticas, e contribuíram significativamente para avanços sociais em diversas áreas. A professora salientou a importância de preservar a memória dessas figuras históricas, não apenas como uma forma de reconhecimento, mas como um instrumento poderoso de fortalecimento para as lutas atuais. Conhecer o passado e as conquistas femininas serve de alento e inspiração para as novas gerações, reafirmando que a persistência e a união são essenciais para alcançar a igualdade de direitos e oportunidades. A iniciativa consolidou seu papel como um articulador regional fundamental de políticas públicas. Ao promover espaços de diálogo aberto, de integração entre diferentes municípios e de construção coletiva de soluções, o evento reafirmou o compromisso com a garantia de direitos e a melhoria substancial das condições de vida das mulheres em toda a região. A colaboração intermunicipal e a troca de experiências emergem como pilares para a criação de um ecossistema de apoio e desenvolvimento que beneficie todas as cidadãs.
Perguntas frequentes (FAQ)
Qual o principal objetivo do encontro regional sobre mulheres?
O objetivo principal foi promover um debate aprofundado sobre a segurança, saúde e autocuidado das mulheres, reunindo lideranças e especialistas para discutir a proteção, a promoção de direitos e o fortalecimento feminino na região.
Quais formas de violência foram discutidas no painel de segurança?
O painel de segurança abordou o feminicídio e as limitações no acesso a atendimento especializado, além das violências no ambiente digital, como o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas e casos de perseguição virtual.
Como a saúde e o autocuidado feminino foram abordados no evento?
A discussão sobre saúde feminina focou nos avanços e desafios no acesso a exames e atendimentos especializados, na importância da identificação de violência dentro dos serviços de saúde e no papel crucial dos profissionais da área na rede de apoio.
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