A indústria brasileira enfrentou um cenário de estagnação no final de 2025, com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontando a elevada taxa Selic, os juros básicos da economia, como a principal responsável. Conforme dados da Pesquisa Industrial Mensal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados no início de 2026, o setor sofreu com um ciclo de crédito caro e a diminuição do poder de compra dos consumidores. A taxa Selic, mantida em patamares próximos a 15% ao ano, dificultou investimentos e minou o apetite por produtos manufaturados. Este panorama foi agravado por uma demanda interna insuficiente e pelo crescimento das importações, que capturaram uma parcela significativa do mercado nacional, limitando a capacidade de recuperação do empresariado local.
A pressão dos juros e seus efeitos na produção
Crédito caro e o freio nos investimentos
O ciclo de juros elevados imposto pela taxa Selic, que atingiu níveis considerados punitivos, gerou um impacto severo sobre o setor produtivo nacional. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o encarecimento do crédito foi um fator determinante para a desaceleração da atividade industrial no final de 2025. Mário Sérgio Telles, diretor de Economia da CNI, detalhou o prejuízo, afirmando que o patamar da Selic desestimulou investimentos cruciais para a modernização e expansão das fábricas, ao mesmo tempo em que reduziu o consumo de produtos industriais pelos brasileiros. Telles ressaltou, em análise recente, que “o prejuízo causado pelos juros altos é enorme”. Para ilustrar a dimensão do problema, ele comparou o desempenho: em 2024, quando a Selic estava em um nível mais baixo, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que o registrado até novembro de 2025. Essa diferença drástica evidencia como a política monetária restritiva travou o potencial de crescimento do setor, comprometendo sua capacidade de expansão e geração de empregos.
A invasão de importados e o estoque excedente
O enfraquecimento da indústria nacional, impulsionado pelos juros altos e pela demanda interna anêmica, teve desdobramentos visíveis na cadeia produtiva. A queda de 0,2% na produção da indústria de transformação, responsável por converter matérias-primas em bens de consumo, foi um sinal claro dessa desaceleração. Esse cenário levou as empresas a acumularem estoques acima do planejado, um indicativo de vendas abaixo do esperado e da dificuldade em escoar a produção. Paralelamente, a análise da CNI revelou uma pressão externa crescente: as compras de bens de consumo no exterior registraram um salto expressivo de 15,6% no ano passado. Enquanto a produção doméstica perdia ritmo e capacidade de concorrência, os produtos importados preenchiam as lacunas do mercado, dificultando qualquer tentativa de recuperação para os empresários locais ao longo de ambos os semestres de 2025. Esse fluxo de produtos estrangeiros não apenas desafiou a competitividade da indústria brasileira, mas também contribuiu para a deterioração do ambiente de negócios e a perda de espaço no próprio mercado interno.
Confiança em queda e o futuro incerto
O empresariado em modo de espera
O impacto conjunto da taxa Selic elevada, do crédito caro, da demanda fraca e da competição das importações repercutiu severamente no sentimento dos empresários industriais. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado no final de janeiro, revelou o pior desempenho para o mês em uma década. Com o indicador operando abaixo dos 50 pontos – linha que tradicionalmente separa o otimismo do pessimismo – por 13 meses consecutivos, a CNI diagnosticou um quadro de falta de confiança persistente. Essa desconfiança generalizada entre os industriais não é apenas um dado estatístico; ela se traduz diretamente em uma paralisação de investimentos essenciais. Sem a confiança necessária para planejar o futuro, as fábricas brasileiras adiam projetos de modernização, expansão e inovação, comprometendo sua capacidade de gerar empregos e valor agregado. A ausência de perspectivas claras freia a tomada de decisões estratégicas e mantém o setor em um estado de estagnação prolongada, aguardando sinais de melhoria econômica e maior previsibilidade.
Perspectivas para 2026: um alerta da CNI
Diante do cenário adverso de 2025, as perspectivas para o ano seguinte geram preocupação entre os representantes da indústria. A Confederação Nacional da Indústria emitiu um alerta claro: sem uma mudança na política de juros e um estímulo eficaz à demanda interna, o crescimento da indústria em 2026 estará em risco. A entidade expressa receio de que a inércia produtiva e a baixa intenção de contratação de novos funcionários se estendam, comprometendo não apenas a indústria de transformação, que é a espinha dorsal do setor, mas o desempenho global de toda a economia nacional no curto prazo. A pesquisa oficial do IBGE para 2025 confirmou a perda de fôlego do setor, com um crescimento modesto de apenas 0,6% na produção industrial, contrastando fortemente com a expansão de 3,1% registrada em 2024. Esse levantamento detalha que a desaceleração se intensificou no segundo semestre, em sincronia com o aperto monetário. A CNI reforça que reverter essa tendência exige um ambiente econômico mais favorável e previsível, onde os custos de capital sejam razoáveis e a confiança do consumidor seja restaurada, permitindo que a indústria volte a investir e a crescer de forma sustentável, impulsionando a economia como um todo.
Conclusão
A análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) pintam um quadro desafiador para a indústria brasileira em 2025. A persistência de uma taxa Selic elevada foi identificada como o principal fator por trás da estagnação, impactando diretamente o custo do crédito, a capacidade de investimento e o consumo. O aumento das importações e a subsequente acumulação de estoques contribuíram para a desaceleração, enquanto o Índice de Confiança do Empresário Industrial atingiu os níveis mais baixos em uma década. Este cenário sublinha a urgência de uma revisão das políticas monetárias e fiscais para reativar a demanda interna e restaurar a confiança dos empresários. Sem essas mudanças, a recuperação do setor industrial e, consequentemente, da economia nacional, permanece em risco, exigindo atenção prioritária das autoridades econômicas.
Perguntas frequentes
O que é a taxa Selic e como ela impactou a indústria em 2025?
A taxa Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, usada como referência para todas as demais taxas de juros. Em 2025, sua manutenção em patamares elevados (próximos a 15% ao ano) encareceu o crédito para as empresas e reduziu o poder de compra dos consumidores. Isso desestimulou investimentos e a demanda por produtos industriais, resultando em estagnação e queda na produção, conforme apontado pela CNI.
Qual foi a relação entre os juros altos e o aumento das importações?
Os juros altos dificultaram a produção e a competitividade da indústria nacional. Com o crédito mais caro e a demanda interna enfraquecida, os produtos fabricados no Brasil se tornaram menos acessíveis ou atrativos. Ao mesmo tempo, o fluxo de importações cresceu significativamente (15,6%), preenchendo o vácuo deixado pela desaceleração da produção doméstica e capturando uma parte maior do mercado brasileiro, criando um ambiente desfavorável para a recuperação do empresariado local.
Como a confiança dos empresários foi afetada e quais as implicações para o futuro?
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou o pior desempenho em dez anos, mantendo-se abaixo da linha de otimismo por 13 meses consecutivos. Essa falta de confiança reflete a incerteza sobre o futuro econômico e leva os empresários a adiarem investimentos cruciais em modernização e expansão. Para 2026, a CNI alerta que, sem mudanças na política de juros e estímulo à demanda, a inércia produtiva e a baixa intenção de contratação podem persistir, prejudicando a recuperação econômica do país.
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