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Imposto do cigarro sobe para bancar querosene e biodiesel em pacote fiscal

O governo federal anunciou um ajuste significativo na política tributária, elevando o imposto do cigarro para compensar a desoneração de combustíveis essenciais. A medida, que faz parte de um pacote mais amplo, visa mitigar os impactos da escalada dos preços dos combustíveis, fortemente influenciada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ao aumentar a tributação sobre cigarros, a equipe econômica busca equilibrar as contas públicas e, ao mesmo tempo, oferecer um alívio nos custos do querosene de aviação (QAV) e do biodiesel. Esta estratégia demonstra a complexidade da gestão fiscal em tempos de volatilidade global, onde decisões de arrecadação se entrelaçam com a necessidade de proteger setores estratégicos da economia e o poder de compra do consumidor final.

Novas alíquotas e o impacto no consumidor

A elevação da tributação sobre produtos como o cigarro é uma das frentes adotadas para gerar receitas alternativas. Essa decisão se insere em um contexto de busca por mecanismos que possam financiar desonerações em outros setores considerados prioritários, como o transporte aéreo e a produção de biocombustíveis, que enfrentam pressões de custos crescentes. A expectativa é que o ajuste ajude a estabilizar os preços de itens de consumo e serviços essenciais, embora gere impacto direto sobre outros produtos.

A elevação do IPI sobre cigarros

A principal alteração anunciada refere-se à alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre os cigarros, que passará de 2,25% para 3,5%. Consequentemente, o preço mínimo da carteira de cigarros no país, que atualmente é de R$ 6,50, deverá ser reajustado para R$ 7,50. A expectativa da equipe econômica é que essa mudança resulte em uma arrecadação adicional de aproximadamente R$ 1,2 bilhão nos próximos dois meses, contribuindo para o equilíbrio das finanças públicas. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, expressou ceticismo em relação aos resultados de aumentos anteriores do imposto sobre cigarros, apontando que nem a redução do consumo, nem a ampliação da arrecadação se concretizaram como esperado em outras ocasiões.

Querosene e biodiesel: a compensação tributária

A medida de aumento do imposto sobre cigarros tem como objetivo central compensar a perda de arrecadação decorrente da decisão de zerar as alíquotas do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel. Essa desoneração sobre o QAV e o biodiesel é projetada para reduzir em cerca de R$ 0,07 o preço por litro do querosene de aviação, impactando positivamente o setor de transporte aéreo e a cadeia produtiva dos biocombustíveis. O impacto fiscal dessa isenção é estimado em R$ 100 milhões por mês, valor que o aumento do imposto sobre cigarros busca equilibrar. A iniciativa reflete uma tentativa de proteger esses setores estratégicos da volatilidade dos preços internacionais.

Estratégias de compensação e equilíbrio fiscal

A gestão econômica do país busca um delicado equilíbrio entre a necessidade de arrecadação e a manutenção da competitividade e estabilidade de preços em setores-chave. O pacote de medidas anunciado revela uma abordagem multifacetada, que vai além do ajuste no imposto sobre cigarros, buscando outras fontes de receita e revisando projeções fiscais.

Além do cigarro: outras fontes de receita

Para além do aumento no imposto sobre cigarros, o governo conta com diversas outras fontes de receita para equilibrar as contas públicas. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, destacou que a elevação nas receitas provenientes de royalties do petróleo será fundamental para compensar os gastos associados às novas medidas, que totalizam cerca de R$ 10 bilhões. Recentemente, a equipe econômica revisou suas projeções, aumentando em R$ 16,7 bilhões a estimativa de arrecadação com royalties de petróleo para 2026. Essa projeção otimista é impulsionada pela alta de aproximadamente 40% no preço internacional do petróleo desde o início do conflito no Oriente Médio. Durigan complementou que outras fontes incluem a alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, instituída em março, o incremento na arrecadação de tributos vinculados aos lucros das empresas vendedoras de combustível e o aumento das receitas oriundas dos leilões de petróleo da camada pré-sal.

A meta fiscal do governo e os desafios econômicos

O conjunto de ações governamentais tem como meta principal equilibrar as contas públicas, minimizando, ao mesmo tempo, o impacto do aumento dos combustíveis sobre a economia e os consumidores. Para o ano corrente, o governo prevê um pequeno superávit primário de R$ 3,5 bilhões, desconsiderando precatórios e algumas despesas específicas fora do arcabouço fiscal, como as de defesa, saúde e educação. Ao incluir essas despesas, a projeção se transforma em um déficit primário de R$ 59,8 bilhões. O resultado primário, vale lembrar, reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, excluindo os juros da dívida pública. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou a confiança de que o aumento do imposto sobre o cigarro, o imposto de exportação sobre petróleo e o crescimento da arrecadação resultante da maior cotação do barril de petróleo serão suficientes para compensar integralmente as medidas destinadas a conter a alta dos combustíveis. Ele justificou que, embora um crédito extraordinário possa ultrapassar o limite orçamentário em razão de eventos inesperados como a guerra, ele não impede o cumprimento da meta de resultado primário, pois “o que a gente gastar a mais para a proteção da população está necessariamente casado com o aumento de arrecadação”.

O contexto da política econômica

As medidas anunciadas, que incluem o aumento do imposto sobre o cigarro e a desoneração de combustíveis, refletem uma resposta governamental proativa diante de um cenário econômico global desafiador. A alta dos preços do petróleo e a instabilidade geopolítica exigem flexibilidade e criatividade na gestão fiscal. Ao buscar compensações em diferentes frentes de arrecadação, o governo tenta proteger setores estratégicos da economia, como o transporte e a energia, sem comprometer integralmente suas metas de equilíbrio fiscal. Essa abordagem integrada visa garantir a estabilidade econômica e mitigar os efeitos inflacionários para a população, evidenciando a complexidade de conciliar o atendimento a demandas sociais e econômicas emergenciais com a responsabilidade fiscal de longo prazo.

FAQ

Por que o governo decidiu aumentar o imposto sobre cigarros?
O aumento do imposto sobre cigarros faz parte de um pacote de medidas para compensar a perda de arrecadação com a isenção de tributos sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel. O objetivo é equilibrar as contas públicas enquanto se tenta conter os efeitos da alta dos combustíveis.

Qual será o novo preço mínimo da carteira de cigarros e qual o impacto na arrecadação?
Com a elevação da alíquota do IPI de 2,25% para 3,5%, o preço mínimo da carteira de cigarros deve passar de R$ 6,50 para R$ 7,50. A equipe econômica estima arrecadar cerca de R$ 1,2 bilhão adicionais nos próximos dois meses com essa medida.

Além do imposto sobre cigarros, quais outras fontes de receita o governo está utilizando para compensar os gastos?
O governo também conta com o aumento das receitas de royalties do petróleo, impulsionadas pela alta do preço internacional. Adicionalmente, a alíquota de 12% do imposto de exportação sobre o petróleo, o aumento da arrecadação dos tributos ligados aos lucros das empresas de combustíveis e as receitas dos leilões de petróleo da camada pré-sal são consideradas fontes de compensação.

Essa medida compromete a meta fiscal do governo?
Segundo o governo, as medidas de compensação, incluindo o imposto sobre o cigarro e o imposto de exportação sobre petróleo, são projetadas para compensar integralmente os gastos, assegurando o cumprimento da meta de resultado primário. Embora existam despesas extraordinárias, elas estão atreladas a aumentos de arrecadação.

Para uma compreensão aprofundada sobre como essas políticas impactam a economia brasileira e o seu dia a dia, explore mais análises e notícias sobre a gestão fiscal e energética do país.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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