© Tânia Rêgo/Agência Brasil

Governo federal expande Brasil Sorridente com 400 novas unidades móveis

O governo federal projeta uma significativa expansão no acesso à saúde bucal em todo o país. Até março deste ano, 400 novas unidades odontológicas móveis (UOMs) serão entregues, somando-se às 400 já disponibilizadas no ano passado. A iniciativa faz parte do programa Brasil Sorridente, uma política nacional de saúde bucal que visa levar atendimento odontológico a populações com dificuldade de acesso, incluindo comunidades indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e assentadas. A meta é totalizar 800 unidades móveis distribuídas por todas as unidades federativas, ampliando a capilaridade dos serviços e garantindo assistência odontológica essencial. O anúncio foi feito durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo.

A expansão do programa Brasil Sorridente

A meta ambiciosa de totalizar 800 novas unidades odontológicas móveis (UOMs) até março é um marco na política de saúde bucal do Brasil. Edson Hilan Gomes de Lucena, coordenador-geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, detalhou durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, que as primeiras 400 unidades foram entregues em 2023, e as próximas 400 completarão o ciclo de expansão. Essas unidades serão distribuídas estrategicamente para todas as unidades federativas, garantindo que o programa Brasil Sorridente alcance um espectro ainda maior da população.

O foco principal do programa é a inclusão de grupos historicamente marginalizados ou com acesso restrito a serviços de saúde. Isso inclui comunidades indígenas e quilombolas, populações em situação de rua e famílias assentadas. O Brasil Sorridente, como política nacional de saúde bucal, tem a responsabilidade de levar cuidados odontológicos a todos os cidadãos brasileiros, combatendo as disparidades geográficas e socioeconômicas no acesso à saúde.

As unidades oferecem um leque abrangente de procedimentos, desde a atenção primária, que engloba profilaxias e restaurações básicas, até ações especializadas. Entre os serviços de maior complexidade, destacam-se os tratamentos endodônticos (canal) e a oferta de próteses dentárias. Essa variedade garante que os pacientes recebam não apenas cuidados preventivos, mas também soluções para problemas mais graves, impactando diretamente a qualidade de vida e a saúde geral. A abrangência dos serviços é fundamental para a integralidade do cuidado, permitindo que comunidades distantes tenham acesso a um tratamento completo.

O papel das unidades móveis na acessibilidade

A unidade móvel é um componente estratégico e multifuncional do programa Brasil Sorridente. Concebida como um consultório odontológico completo sobre rodas, cada UOM é equipada com raio X, cadeira odontológica moderna e todos os equipamentos necessários para realizar restaurações, extrações e procedimentos preventivos. Sua principal vantagem reside na capacidade de levar uma equipe de saúde bucal qualificada diretamente aos territórios mais distantes e de difícil acesso. Isso inclui vastas áreas rurais, comunidades quilombolas isoladas, assentamentos agrícolas e a população em situação de rua, que muitas vezes não conseguiria deslocar-se até um centro de saúde fixo.

Um exemplo notável da adaptabilidade e impacto dessas unidades foi registrado em setembro do ano passado, na cidade de Mâncio Lima, no Acre. Lá, uma das UOMs recebidas possibilitou o acesso ao tratamento odontológico para populações ribeirinhas. A inovação local foi a construção de uma balsa, onde a unidade móvel foi instalada, permitindo que o atendimento chegasse às comunidades por meio dos rios. Essa iniciativa demonstra a flexibilidade e o potencial transformador das unidades móveis, superando barreiras geográficas e garantindo que o direito à saúde bucal seja exercido, independentemente da localização. O coordenador-geral, Edson Hilan Gomes de Lucena, enfatiza que essas unidades são a chave para romper as barreiras de acesso que, de outra forma, impediriam muitas comunidades de sequer conhecerem um dentista.

Inovação e retomada do investimento

Edson Hilan Gomes de Lucena revelou que o governo federal não apenas expandirá o número de unidades móveis, mas também aprimorará a oferta de tratamentos disponíveis. Há planos para que as UOMs passem a realizar tratamentos de canal e a confeccionar próteses dentárias utilizando um fluxo digital. Esta tecnologia representa um salto qualitativo na odontologia, utilizando equipamentos que escaneiam a boca do paciente para a impressão da prótese, resultando em restaurações mais rápidas, precisas e com maior conforto para o paciente. A agilidade é um fator crucial, pois, em muitos casos, o paciente poderá sair com a prótese no mesmo dia do retorno.

Um projeto piloto para a implementação do fluxo digital em prótese dentária está em andamento no município de Cavalcante, em Goiás, com um lançamento oficial previsto para as próximas semanas. A iniciativa contempla a doação de 500 kits de combo para o fluxo digital, que serão distribuídos para diversos municípios do país, democratizando o acesso a essa tecnologia de ponta.

A reintrodução e o fortalecimento das unidades odontológicas móveis marcam um retorno significativo de uma política pública de sucesso. Essas unidades foram originalmente criadas em 2009, durante o segundo mandato do governo Lula, como parte do aprimoramento do Brasil Sorridente. No entanto, o programa sofreu uma interrupção em 2015, e só foi retomado em agosto do ano passado, recebendo novos investimentos através do Novo PAC Saúde. A volta do programa sinaliza uma renovada prioridade para a saúde bucal na agenda governamental.

Evidências da importância e impacto social

A relevância das unidades odontológicas móveis na ampliação do acesso à saúde bucal não é apenas uma percepção, mas uma realidade comprovada por pesquisas. Antes da interrupção do programa em 2015, um censo abrangente foi coordenado pelo professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ângelo Giuseppe Roncalli Costa Oliveira. Este estudo avaliou a ação em 267 municípios brasileiros que haviam recebido UOMs até o ano de 2017. Os resultados desse levantamento foram conclusivos, demonstrando o papel fundamental das unidades na democratização do acesso a serviços odontológicos.

O censo revelou que em 75% das unidades em funcionamento, houve um relato unânime de gestores e dentistas sobre a efetiva ampliação do acesso à saúde bucal. A fala mais comum entre eles era a de que “uma determinada comunidade jamais ia ver um dentista se não fosse por essas unidades móveis”. Essa afirmação ressalta o caráter insubstituível das UOMs para populações que, devido a barreiras geográficas, econômicas ou sociais, permaneceriam à margem dos cuidados de saúde essenciais. A capacidade de levar o consultório até a população transforma a realidade de milhares de pessoas, prevenindo doenças, aliviando dores e contribuindo para a autoestima e a saúde sistêmica. O coordenador-geral reforça que a “importância é a ampliação do acesso”, uma missão que as unidades móveis cumprem com notável eficácia.

Desafios e o futuro da saúde bucal no Brasil

A expansão e modernização do programa Brasil Sorridente, com a entrega de 800 unidades odontológicas móveis e a introdução da tecnologia de fluxo digital, representam um avanço significativo na busca pela universalização do acesso à saúde bucal no Brasil. O compromisso renovado do governo federal em investir na política nacional de saúde bucal demonstra uma compreensão clara da interconexão entre saúde oral e bem-estar geral. Ao levar consultórios completos a regiões remotas e populações vulneráveis, o programa não apenas trata doenças, mas também promove a prevenção e a educação em saúde, pilares fundamentais para a construção de uma sociedade mais saudável. A inclusão de tecnologias avançadas, como o fluxo digital para próteses, sinaliza uma visão de futuro que almeja a excelência e a eficiência nos tratamentos, mesmo em contextos de difícil acesso. Contudo, a manutenção e a sustentabilidade dessas unidades, bem como a formação e retenção de profissionais em áreas distantes, permanecem como desafios contínuos. O sucesso do Brasil Sorridente dependerá da continuidade dos investimentos e do engajamento de todos os níveis de gestão para garantir que cada cidadão brasileiro tenha o direito a um sorriso saudável.

Perguntas frequentes

O que são as Unidades Odontológicas Móveis (UOMs)?
As UOMs são consultórios odontológicos completos instalados em veículos adaptados, equipados com raio X, cadeira odontológica e instrumentais para diversos procedimentos. Elas levam o atendimento odontológico diretamente a regiões de difícil acesso e a populações vulneráveis.

Quais populações são prioritariamente atendidas pelo programa Brasil Sorridente?
O programa prioriza populações que historicamente têm dificuldade de acesso aos serviços de saúde bucal, como comunidades indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua e assentados.

Qual a principal inovação tecnológica que será implementada nas unidades móveis?
A principal inovação é a introdução do fluxo digital para a confecção de próteses dentárias. Essa tecnologia permite escanear a boca do paciente e imprimir próteses de forma mais rápida e precisa, podendo ser entregues em uma única visita.

Quando o programa Brasil Sorridente foi retomado e qual sua origem?
O programa das unidades móveis foi criado em 2009, durante o segundo mandato do governo Lula, mas foi interrompido em 2015. Ele foi retomado em agosto de 2023, recebendo novos investimentos por meio do Novo PAC Saúde.

Para se manter atualizado sobre as políticas de saúde que transformam o Brasil e entender como elas impactam sua comunidade, continue acompanhando nossas notícias e análises aprofundadas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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