A Fundação Casa de Jorge Amado, um dos mais importantes centros culturais de Salvador, Bahia, celebra 38 anos de sua inauguração com a abertura de dois novos e significativos espaços expositivos. A partir desta sexta-feira (12), visitantes poderão mergulhar nas trajetórias e legados da ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi e da renomada escritora Zélia Gattai. Esta expansão, situada no coração do Largo do Pelourinho, reforça o compromisso da fundação em preservar e difundir a rica tapeçaria da cultura brasileira, conectando o universo literário de Jorge Amado a outras vozes potentes que moldaram o cenário cultural e social do país. As novas instalações prometem uma experiência imersiva e educativa para todos que buscam entender a profundidade da identidade baiana e brasileira.
Novas alas celebram figuras icônicas da cultura brasileira
Os dois novos espaços são parte integrante de um ambicioso projeto de unificação dos casarões históricos de números 47, 49 e 51, todos localizados no pitoresco Largo do Pelourinho. Essa iniciativa não apenas amplia a área expositiva da Fundação Casa de Jorge Amado, mas também cria um circuito cultural mais abrangente, permitindo que os visitantes explorem de forma mais profunda as conexões entre diferentes expressões artísticas e intelectuais. A decisão de homenagear Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai reflete a visão da fundação em destacar mulheres de grande influência que, cada uma à sua maneira, contribuíram imensamente para o patrimônio cultural do Brasil.
O universo de Mãe Stella de Oxóssi na Casa Exu 47
A “Casa Exu 47” é um espaço permanente que reverencia o orixá Exu, escolhido por Jorge Amado como o guardião espiritual de sua casa e obra. É neste ambiente de profunda simbologia que a trajetória de Mãe Stella de Oxóssi será apresentada. Líder candomblecista de grande expressão na Bahia, Mãe Stella de Oxóssi, falecida em 2018, completaria 100 anos em 2025. A exposição reunirá itens que narram sua vida, desde sua atuação como ialorixá à frente do Ilê Axé Opô Afonjá, até seu papel como uma incansável disseminadora da cultura afro-brasileira.
Sua contribuição vai além dos ritos religiosos, manifestando-se em vasta produção literária que abordou temas cruciais como o candomblé, a intolerância religiosa e o racismo, tornando-a uma voz fundamental na defesa dos direitos e da valorização da herança africana no Brasil. Mãe Stella de Oxóssi foi também uma intelectual reconhecida, ocupando uma cadeira na Academia de Letras da Bahia e recebendo o título de Doutor Honoris Causa de importantes universidades, como a Federal e a Estadual da Bahia, consolidando seu legado como pensadora e líder espiritual. A exposição busca não apenas mostrar sua história, mas também provocar reflexões sobre a riqueza e a resiliência da cultura afro-brasileira.
Zélia Gattai: Guardiã de memórias e legados
O segundo espaço recém-inaugurado é dedicado à memória e ao trabalho de Zélia Gattai, companheira de vida e de luta de Jorge Amado, e figura ativa na criação e manutenção da fundação. Esta sala oferecerá aos visitantes uma visão íntima e detalhada de sua vida e obra. Estarão expostos fotos, manuscritos originais e objetos pessoais da escritora, memorialista e fotógrafa, permitindo um contato direto com seu universo criativo. A mostra destaca sua significativa produção literária, que inclui cerca de 14 obras, entre livros infantis, memórias e um romance. Sua estreia, “Anarquistas, Graças a Deus”, é um dos pontos altos de sua carreira, revelando um talento singular para a narrativa e a recuperação histórica.
Um dos tesouros da exposição é parte do vasto arquivo fotográfico de Zélia Gattai, estimado em 21 mil negativos. Essas imagens capturam cerca de 50 anos da história cultural e política do Brasil, registrando personalidades e eventos que marcaram uma época. Zélia Gattai também deixou sua marca na Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 23 a partir de 2002, a mesma vaga que fora de seu marido, Jorge Amado, solidificando seu próprio lugar no panteão literário nacional. Sua capacidade de observar e eternizar momentos através da escrita e da fotografia a torna uma cronista essencial do século XX brasileiro.
A Fundação Casa de Jorge Amado: Um farol cultural no Pelourinho
A Fundação Casa de Jorge Amado, ao longo de seus 38 anos, tem se consolidado como um dos pilares da vida cultural soteropolitana. Localizada em um dos cartões-postais mais vibrantes do Brasil, o Pelourinho, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO, a fundação não apenas preserva a memória de um dos maiores escritores brasileiros, mas também se projeta como um espaço vivo de difusão e celebração da cultura. A inauguração desses novos espaços reforça seu papel como um centro de referência para o estudo e a admiração da literatura e da cultura afro-brasileira, enriquecendo ainda mais a experiência de quem visita Salvador. A integração dos casarões 47, 49 e 51 simboliza a expansão física e conceitual da fundação, que busca abrigar e conectar diferentes narrativas que compõem a rica identidade nacional.
Para aqueles que desejam explorar essas novas exposições e todo o acervo da Fundação Casa de Jorge Amado, o funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h. Um detalhe importante para os visitantes é que, às quartas-feiras, a entrada para a fundação é gratuita, proporcionando uma excelente oportunidade para o acesso cultural amplo e democrático.
Conclusão
A inauguração dos espaços dedicados a Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai na Fundação Casa de Jorge Amado transcende a simples adição de novas salas expositivas. Representa um ato significativo de reconhecimento e valorização de duas mulheres que, com suas vidas e obras, enriqueceram profundamente o panorama cultural e social do Brasil. A iniciativa da fundação não apenas cumpre seu papel de guardiã da memória de Jorge Amado, mas também se expande para iluminar outros legados essenciais, fortalecendo a narrativa de uma Bahia plural e um Brasil multifacetado. As novas exposições oferecem uma oportunidade ímpar para o público se conectar com histórias de resistência, criatividade e fé, reafirmando o Pelourinho como um epicentro de cultura e história viva.
Perguntas frequentes (FAQ)
Q1: Quais são os novos espaços expositivos inaugurados na Fundação Casa de Jorge Amado?
Os novos espaços são dedicados à ialorixá e escritora Mãe Stella de Oxóssi e à escritora, memorialista e fotógrafa Zélia Gattai.
Q2: Quem foi Mãe Stella de Oxóssi e qual sua importância cultural?
Mãe Stella de Oxóssi foi uma proeminente líder candomblecista, Iyalorixá do Ilê Axé Opô Afonjá e uma influente escritora. Sua importância reside na disseminação da cultura afro-brasileira, na defesa contra a intolerância religiosa e o racismo, e em sua produção literária e intelectual, que a levou a ocupar uma cadeira na Academia de Letras da Bahia e a receber títulos de Doutor Honoris Causa.
Q3: Quem foi Zélia Gattai e o que sua exposição oferece aos visitantes?
Zélia Gattai foi escritora, memorialista e fotógrafa, além de companheira de Jorge Amado. Sua exposição apresenta fotos, manuscritos, objetos pessoais e sua produção literária, incluindo o vasto arquivo fotográfico de 21 mil negativos que documentam 50 anos de história brasileira. Ela também foi membro da Academia Brasileira de Letras.
Q4: Quais são os horários de funcionamento e há gratuidade para visitação?
A Fundação Casa de Jorge Amado funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h. Sim, a entrada é gratuita às quartas-feiras.
Não perca a chance de vivenciar essa expansão cultural. Planeje sua visita à Fundação Casa de Jorge Amado e mergulhe nas inspiradoras histórias de Mãe Stella de Oxóssi e Zélia Gattai no coração do Pelourinho.
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