A morte trágica de um salva-vidas de 24 anos no parque aquático Wet’n Wild, em Itupeva (SP), desencadeou uma série de denúncias alarmantes por parte de colaboradores e ex-colaboradores. O incidente, ocorrido em uma terça-feira (13), levantou sérias questões sobre as condições de trabalho e segurança em parques aquáticos. Relatos apontam para a falta de equipamentos de proteção individual (EPIs), infraestrutura precária e um ambiente de trabalho que desconsidera a dignidade humana. O caso de Guilherme da Guerra Domingos, que teria sido sugado por um ralo na atração Water Bomb, reacendeu o debate sobre a responsabilidade das empresas em garantir a integridade de seus funcionários e visitantes em ambientes de lazer de alto risco.
Acidente fatal e as primeiras denúncias
A tragédia no Water Bomb
O trágico incidente que ceifou a vida de Guilherme da Guerra Domingos, de 24 anos, ocorreu na atração Water Bomb. Segundo relatos de funcionários que preferiram não se identificar, a piscina onde o salva-vidas se afogou estaria em condições perigosas, operando sem a grelha de proteção no ralo e desconsiderando o checklist de segurança que deveria ser preenchido pelos colaboradores. Guilherme mergulhou para recuperar uma aliança de um turista e, inexplicavelmente, foi sugado pelo ralo. A funcionária, em seu depoimento, afirmou que ele não saiu da piscina não por falta de habilidade em nadar, mas porque “alguma coisa o impediu”. Oito funcionários foram mobilizados para tentar resgatá-lo, precisando recorrer a uma ferramenta improvisada para rasgar a roupa do jovem, que, segundo a mesma fonte, era inadequada para a situação. Essa falha crucial na infraestrutura e nos procedimentos de segurança levantou as primeiras acusações de negligência.
Relatos de negligência e precariedade
Condições de trabalho degradantes
As denúncias de funcionários do Wet’n Wild vão muito além do incidente na Water Bomb. Uma colaboradora, em condição de anonimato, descreveu um ambiente de trabalho onde a dignidade e o respeito são ausentes. Segundo ela, não há “momento de lazer”, nem reconhecimento profissional. Os funcionários são, supostamente, apenas esperados para cumprir horários e tarefas, independentemente de seu bem-estar físico ou mental. “A gente trabalha lá sem a menor noção se vai voltar vivo”, declarou a funcionária, expressando um sentimento de desamparo e insegurança constante. A falta de EPIs foi uma queixa recorrente, sugerindo que os colaboradores são expostos a riscos desnecessários em suas funções diárias. Além disso, a mesma funcionária mencionou que “inúmeros funcionários já se acidentaram, ficaram afastados, já caíram, quebraram partes do corpo”, mas o parque supostamente ignorava esses eventos, demonstrando um “descaso” generalizado com a saúde e segurança de sua equipe.
Falhas no atendimento de emergência
A gravidade das condições de trabalho e a falta de preparo para emergências foram evidenciadas também nos momentos críticos após o acidente de Guilherme. Outra funcionária, também sob anonimato, relatou que a equipe de plantão do Wet’n Wild não estava adequadamente preparada para lidar com um atendimento de tamanha complexidade. Surpreendentemente, um médico e uma enfermeira que estavam no parque como visitantes precisaram intervir para prestar socorro a Guilherme. Houve também relatos preocupantes sobre a disponibilidade de equipamentos essenciais: de três cilindros de oxigênio no parque, dois estariam pela metade, e todos os três acabaram sendo utilizados. Essas informações sugerem uma falha grave nos protocolos de emergência e na manutenção de recursos vitais, colocando em risco não apenas os funcionários, mas também os visitantes em caso de acidentes.
Impacto psicológico e perseguição
A cultura organizacional do parque foi igualmente criticada por um ex-funcionário, que também preferiu manter o anonimato. Ele descreveu um ambiente de trabalho opressor, que resultou em problemas de saúde mental e física. “Eu adquiri ansiedade quando trabalhava lá, já tive começo de pneumonia, já fui perseguido”, afirmou, acrescentando que os colaboradores “trabalhavam com a corda no pescoço e com medo de tudo que estava errado cair nas nossas costas”. O ex-funcionário lamentou profundamente a morte de Guilherme, a quem considerava um irmão, e reforçou a crença de que houve “diversas falhas por parte do parque”, tanto na segurança das atrações quanto na aderência aos checklists. Ele enfatizou que as avaliações das atrações antes da abertura são instruídas e documentadas, sugerindo que as irregularidades deveriam ter sido identificadas e corrigidas.
A posição do Wet’n Wild e as investigações
Resposta do parque aquático
Diante das graves acusações e da repercussão do caso, o Wet’n Wild emitiu um comunicado. A empresa afirmou que todos os drenos do sistema hidráulico da atração Water Bomb possuíam grades de proteção, contradizendo os relatos dos funcionários. O parque declarou seguir padrões internacionais para suas atrações, enfatizando seu compromisso com a segurança. Além disso, o comunicado informou que a empresa está colaborando com as investigações da Polícia Civil e permanece em contato com a família de Guilherme para oferecer o suporte necessário. A nota ressaltou que as atrações e piscinas seguem normas rígidas para assegurar o bem-estar de colaboradores e visitantes, e que o parque passa por renovações e checagens técnicas periódicas. O Wet’n Wild também enfatizou que, em seus 28 anos de funcionamento na unidade de Itupeva (SP), não havia registro de qualquer outro caso de óbito envolvendo funcionários ou clientes relacionado às atividades do parque.
Desdobramentos e inquérito policial
Após as denúncias, a Polícia Civil intimou um representante do parque para prestar depoimento na semana seguinte ao incidente. O Wet’n Wild permaneceu fechado na quarta e quinta-feira seguintes à tragédia, com previsão de retorno das atividades na sexta-feira. A investigação busca apurar as circunstâncias da morte de Guilherme da Guerra Domingos e verificar a veracidade das alegações de negligência e condições de trabalho precárias. O caso levanta questões fundamentais sobre a fiscalização de parques aquáticos e a responsabilidade das empresas em garantir um ambiente seguro para seus funcionários e o público.
Um chamado por justiça e segurança
O trágico falecimento de Guilherme da Guerra Domingos no Wet’n Wild abriu uma janela para um conjunto de denúncias graves que exigem apuração rigorosa. Os relatos de falta de segurança, condições de trabalho degradantes e falhas em protocolos de emergência pintam um cenário preocupante. Enquanto o parque se defende alegando conformidade com normas e um histórico de segurança, a voz dos funcionários clama por justiça e por um ambiente onde a vida humana seja prioridade. A investigação policial é crucial para esclarecer as responsabilidades e garantir que medidas eficazes sejam tomadas para prevenir futuras tragédias. Este incidente serve como um sombrio lembrete da importância inegável da segurança e da dignidade no trabalho em todos os setores, especialmente naqueles que lidam diretamente com a vida das pessoas.
Perguntas frequentes
O que aconteceu com o salva-vidas no Wet’n Wild?
Guilherme da Guerra Domingos, um salva-vidas de 24 anos, morreu após ser supostamente sugado por um ralo na atração Water Bomb do Wet’n Wild, em Itupeva (SP), enquanto tentava recuperar uma aliança de um turista.
Quais são as principais denúncias dos funcionários?
Funcionários denunciam falta de EPIs, más condições de trabalho, desrespeito à dignidade, pressão para trabalhar doente, ausência de grelha protetora no ralo da atração Water Bomb, falhas no atendimento de emergência e histórico de outros acidentes ignorados pelo parque.
Qual foi a resposta do Wet’n Wild às acusações?
O Wet’n Wild afirmou que todos os drenos da atração possuíam grades de proteção, que o parque segue padrões internacionais de segurança, está colaborando com as investigações e oferecendo suporte à família da vítima. A empresa também mencionou que não houve outros óbitos relacionados a suas atividades em 28 anos de operação.
O parque aquático está funcionando atualmente?
Após o incidente, o parque fechou temporariamente por dois dias. As atividades foram retomadas na sexta-feira seguinte ao acidente, enquanto a investigação policial segue em andamento.
Mantenha-se informado sobre os desdobramentos desta investigação e saiba mais sobre as iniciativas para garantir a segurança no ambiente de trabalho e em parques aquáticos.
Fonte: https://g1.globo.com
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