© Rodrigo Méxas/Fiocruz

Fiocruz inicia estudo de injeção semestral contra HIV em sete cidades

ALESP

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está se preparando para uma fase crucial na luta contra o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) no Brasil. A instituição confirmou o início de um estudo que avaliará a viabilidade e os impactos da incorporação de uma nova injeção semestral contra HIV ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa representa um avanço significativo, prometendo simplificar a profilaxia pré-exposição (PrEP) e potencialmente ampliar o acesso à prevenção eficaz. O fármaco em questão, o lenacapavir, fabricado pela Gilead Sciences, já obteve aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso como PrEP, destacando-se por sua alta eficácia e o regime de aplicação a cada seis meses, um diferencial que pode revolucionar a adesão ao tratamento preventivo.

Uma nova era na prevenção do HIV

A prevenção do HIV tem testemunhado avanços notáveis nas últimas décadas, com a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) oral sendo um marco fundamental. Contudo, a necessidade de tomar pílulas diariamente pode ser um desafio para a adesão contínua de alguns indivíduos. Nesse cenário, o surgimento de opções de longa duração, como a injeção semestral contra HIV, representa uma virada de paradigma, simplificando drasticamente o regime de prevenção e, consequentemente, aumentando a probabilidade de adesão e eficácia na vida real.

O impacto da profilaxia pré-exposição (PrEP)
A PrEP tem sido uma ferramenta poderosa na redução de novas infecções por HIV globalmente. Ela envolve o uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas soronegativas para prevenir a infecção caso sejam expostas ao vírus. Historicamente, a PrEP tem sido administrada oralmente, exigindo disciplina e rotina diária. Apesar de sua eficácia comprovada, as barreiras associadas à tomada diária de medicamentos incluem estigma, esquecimento e dificuldades de acesso. A introdução de uma injeção de longa duração visa superar esses obstáculos, oferecendo uma alternativa mais discreta e conveniente que pode atrair um público mais amplo e melhorar os resultados de saúde pública.

Lenacapavir: eficácia e conveniência
O lenacapavir, um inibidor da capside do HIV-1, destaca-se pela sua potente atividade antiviral e pelo regime de dosagem semestral. A aprovação do fármaco pela Anvisa para a prevenção do HIV-1 como PrEP ocorreu na segunda-feira, 12 de fevereiro, após a demonstração de sua alta eficácia em estudos clínicos. A administração subcutânea a cada seis meses não só eleva a conveniência para os usuários, mas também minimiza a carga de adesão, um fator crítico para o sucesso das estratégias de prevenção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária indicou o medicamento para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilogramas, que estejam sob risco de contrair o vírus. É mandatório que, antes do início do tratamento, seja realizado um teste para HIV-1 com resultado negativo, garantindo a adequada aplicação da PrEP.

O estudo ImPrEP LEN Brasil: metodologia e abrangência

O estudo ImPrEP LEN Brasil, liderado pela Fiocruz, é um passo fundamental para avaliar a implementação da injeção semestral contra HIV no contexto do Sistema Único de Saúde brasileiro. Este estudo não apenas testará a eficácia e segurança do lenacapavir em uma população específica, mas também coletará dados cruciais para a avaliação econômica e operacional de sua incorporação no SUS, garantindo que a decisão seja embasada em evidências robustas e adaptada à realidade nacional.

População-alvo e cidades participantes
O estudo ImPrEP LEN Brasil tem como foco demográfico homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos. Essa seleção reflete a necessidade de direcionar esforços de prevenção a populações que historicamente enfrentam maior vulnerabilidade ao HIV. O medicamento será disponibilizado em sete cidades estratégicas, abrangendo diferentes regiões do Brasil: São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Florianópolis (SC), Manaus (AM), Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ). A escolha dessas localidades permite a avaliação do fármaco em diversos contextos sociais e geográficos, proporcionando uma visão abrangente para a futura política de saúde.

O caminho para a incorporação no SUS
A Fiocruz confirmou que as doses do lenacapavir já foram fornecidas pela Gilead Sciences para o estudo. No entanto, o início efetivo das aplicações depende da chegada ao Brasil de agulhas específicas, essenciais para a administração correta da injeção subcutânea. Este detalhe logístico ressalta a complexidade de iniciar estudos clínicos em larga escala, que dependem não apenas do medicamento, mas de todo o seu aparato de aplicação. Uma vez concluído o estudo e comprovada a viabilidade da incorporação, o processo envolverá análises de custo-efetividade e a formulação de diretrizes clínicas, com o objetivo final de tornar a injeção semestral contra HIV acessível a todos que dela necessitem através do SUS, consolidando o Brasil como líder em políticas públicas de saúde e prevenção ao HIV.

Perspectivas futuras e desafios

A incorporação de uma injeção semestral contra HIV no SUS representa um horizonte promissor para a saúde pública brasileira, alinhando o país às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aos avanços globais na prevenção do HIV. A Fiocruz desempenha um papel central nesse processo, conduzindo estudos que subsidiarão decisões estratégicas de saúde e fortalecerão o combate à epidemia. Superar os desafios logísticos e garantir a ampla aceitação e adesão ao novo método serão cruciais para maximizar o impacto dessa inovação na vida de milhares de brasileiros. A expectativa é que este avanço reduza significativamente as novas infecções, contribuindo para uma sociedade mais saudável e equitativa.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. O que é o lenacapavir e como ele funciona?
O lenacapavir é um medicamento antirretroviral que atua como um inibidor da capside do HIV-1. Ele impede que o vírus se replique e se espalhe no corpo, sendo administrado como uma injeção subcutânea a cada seis meses para a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), prevenindo a infecção por HIV em pessoas soronegativas.

2. Quem pode participar do estudo ImPrEP LEN Brasil?
O estudo ImPrEP LEN Brasil é direcionado a homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos, em sete cidades brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas e Nova Iguaçu. Os participantes devem ter teste negativo para HIV-1 antes de iniciar o tratamento.

3. Quando a injeção semestral de PrEP estará disponível no SUS?
A disponibilidade da injeção semestral no SUS dependerá dos resultados do estudo ImPrEP LEN Brasil e da subsequente avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). O estudo é uma etapa crucial para subsidiar essa decisão, e, após a sua conclusão e análise, haverá um processo para a incorporação formal, o que pode levar tempo.

Mantenha-se informado sobre os avanços na prevenção do HIV e procure orientação médica para conhecer as opções mais adequadas à sua saúde.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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