© Marcello Casal JrAgência Brasil

Fibromialgia reconhecida como deficiência: nova Lei garante direitos e inclusão

A partir deste mês de janeiro, uma nova legislação entra em vigor no Brasil, reconhecendo a fibromialgia como uma condição passível de enquadramento como deficiência. Este marco representa um avanço significativo para milhões de brasileiros que convivem com a dor crônica e os múltiplos sintomas associados à doença. A medida visa não apenas oferecer amparo legal, mas também ampliar o debate sobre a inclusão, acessibilidade e a garantia de direitos essenciais. Com essa nova perspectiva, espera-se que pacientes com fibromialgia possam acessar benefícios previdenciários, assistenciais, cotas e isenções fiscais, promovendo uma melhor qualidade de vida e maior integração social. A lei reforça a importância de um olhar mais atento e humanizado para condições de saúde que, por muito tempo, foram subestimadas ou invisíveis para o sistema.

O que muda com a nova lei?

A entrada em vigor da lei que reconhece a fibromialgia como condição passível de enquadramento como deficiência representa uma mudança paradigmática na abordagem da saúde pública e dos direitos sociais no Brasil. Anteriormente, a fibromialgia não era formalmente reconhecida para fins de acesso a diversos benefícios e proteções legais, o que gerava um cenário de desamparo para muitos pacientes. Agora, essa lacuna é preenchida, equiparando a condição a outras deficiências já amparadas pela legislação.

Direitos garantidos e processo de avaliação

Com o novo reconhecimento, as pessoas diagnosticadas com fibromialgia poderão ter acesso a uma série de direitos e benefícios já assegurados a indivíduos com outras deficiências. Entre eles, destacam-se os benefícios previdenciários e assistenciais, que podem incluir aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença, dependendo da gravidade e do impacto da condição na capacidade laboral. Além disso, a lei abre caminho para o acesso a cotas em concursos públicos e empresas, bem como a isenções fiscais, como as relativas à compra de veículos adaptados.

Contudo, é crucial entender que o enquadramento como pessoa com deficiência não será automático. A legislação estabelece um processo rigoroso e detalhado para a concessão desses direitos. O paciente deverá, primeiramente, apresentar um laudo médico que confirme o diagnóstico de fibromialgia. Em seguida, será submetido a uma avaliação biopsicossocial. Essa avaliação é realizada por uma equipe multiprofissional, que pode incluir médicos, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, e tem como objetivo analisar a condição de saúde sob uma perspectiva integrada.

Durante a avaliação, serão considerados os aspectos biológicos da doença, como a intensidade da dor e outros sintomas físicos; os aspectos psicológicos, que podem envolver o impacto da dor na saúde mental do paciente, como ansiedade e depressão; e os aspectos sociais, que abrangem as barreiras e desafios enfrentados no dia a dia em decorrência da fibromialgia. Além disso, o paciente precisará comprovar que a doença interfere de forma significativa em atividades cotidianas essenciais, como o trabalho, a locomoção independente, o autocuidado (higiene pessoal, alimentação) e a participação social. É igualmente necessário que o paciente atenda aos critérios contributivos da Previdência Social, quando aplicável aos benefícios previdenciários. Este processo garante que o reconhecimento da deficiência seja feito de forma justa e embasada, priorizando aqueles cuja qualidade de vida é substancialmente afetada.

Compreendendo a fibromialgia

A fibromialgia é uma síndrome crônica complexa, caracterizada principalmente por dor generalizada e uma série de outros sintomas que impactam profundamente a vida dos pacientes. O reconhecimento da condição pela nova lei é um passo vital para desmistificar a doença e garantir o suporte necessário.

Características e impacto na vida diária

Conforme esclarecido pelo presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, José Eduardo Martinez, a fibromialgia possui como característica fundamental a dor generalizada. Pacientes relatam sentir dor em diversas partes do corpo, muitas vezes sem lesões ou inflamações aparentes que a justifiquem. Essa dor, que pode variar em intensidade e localização, é frequentemente acompanhada de outros sintomas debilitantes, como cansaço fácil e fadiga persistente. Um sono não reparador é outra queixa comum, onde, apesar de dormir, o paciente não se sente descansado, o que agrava a fadiga e a dor.

Além dos sintomas físicos, a fibromialgia também pode causar distúrbios cognitivos, como problemas de memória (“fibro fog”), dificuldade de concentração e falta de atenção, que afetam a capacidade de realizar tarefas diárias e profissionais. José Eduardo Martinez ressalta que “a fibromialgia tem um impacto grande na qualidade de vida”. Por ser uma doença crônica, não há cura no sentido tradicional, mas o objetivo do tratamento é atingir a remissão dos sintomas e proporcionar uma boa qualidade de vida. O manejo da doença exige uma abordagem contínua e adaptada às necessidades individuais de cada paciente.

Abordagens de tratamento e manejo

Apesar dos desafios impostos pela fibromialgia, existem condutas e tratamentos que podem auxiliar significativamente no manejo dos sintomas. O reumatologista José Eduardo Martinez aponta uma das recomendações mais eficazes: o exercício físico. Embora possa parecer um contrassenso para quem sente dor, o exercício físico de leve a moderado, adaptado às capacidades de cada paciente, é o que a literatura aponta como mais eficiente no médio e longo prazo para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida.

Inicialmente, a prática de atividades físicas pode ser penosa, e muitos pacientes necessitam de auxílio médico e orientação especializada para iniciar um programa de exercícios. A supervisão de profissionais de saúde, como fisioterapeutas e educadores físicos, é fundamental para garantir que os exercícios sejam realizados de forma segura e eficaz, evitando o agravamento dos sintomas. Além do exercício, outras abordagens de tratamento incluem medicamentos para controle da dor e do sono, terapia cognitivo-comportamental para lidar com aspectos psicológicos da dor crônica, e técnicas de relaxamento. A combinação dessas estratégias, em um plano de tratamento multidisciplinar, é frequentemente a mais indicada para proporcionar alívio e melhorar o bem-estar dos indivíduos com fibromialgia.

A visibilidade da condição: o exemplo de Lady Gaga

A fibromialgia, por suas características de dor “invisível” e sintomas flutuantes, muitas vezes foi estigmatizada e mal compreendida. No entanto, o depoimento de figuras públicas tem sido crucial para trazer luz à condição e combater preconceitos.

Documentário e o combate ao estigma

Um dos exemplos mais emblemáticos dessa visibilidade é a cantora Lady Gaga. Ao revelar publicamente sua batalha contra a fibromialgia, ela se tornou um símbolo global na luta contra a dor crônica. Em 2017, Lady Gaga lançou um documentário intitulado “Gaga: Five Foot Two”, onde expôs de forma crua e emotiva sua rotina de sofrimento. O filme mostrou crises de dor intensas, as limitações físicas impostas pela doença e o profundo impacto da fibromialgia em sua carreira e vida pessoal.

No mesmo ano do lançamento do documentário, a cantora foi obrigada a cancelar sua participação no festival Rock in Rio devido a uma crise mais forte da doença. Na ocasião, ela compartilhou um texto em suas redes sociais, explicando a situação e descrevendo os desafios da fibromialgia. Seu depoimento franco e corajoso contribuiu imensamente para ampliar a compreensão pública sobre a gravidade da condição e para combater o estigma de que se trata de uma dor “da cabeça” ou de uma invenção. A abertura de Lady Gaga em relação à sua condição ajudou a validar a experiência de milhões de pacientes, incentivando-os a buscar diagnóstico e tratamento, e mostrando ao mundo que a fibromialgia é uma doença real com impactos devastadores.

Perspectivas futuras e o impacto da legislação

A nova lei que enquadra a fibromialgia como deficiência representa um divisor de águas na vida de muitos brasileiros. Além de abrir portas para direitos e benefícios essenciais, a legislação consolida a importância de reconhecer a fibromialgia como uma condição séria, com impactos significativos na vida dos indivíduos. Este avanço legislativo não apenas oferece suporte prático, mas também fortalece a luta contra o estigma e a desinformação, promovendo maior inclusão e dignidade para as pessoas que convivem com esta dor invisível. É um passo crucial para uma sociedade mais empática e consciente das diversas formas de deficiência e das necessidades de seus cidadãos.

Perguntas frequentes

O que é fibromialgia?
É uma síndrome crônica caracterizada por dor generalizada em todo o corpo, acompanhada de fadiga, sono não reparador, e frequentemente distúrbios cognitivos como problemas de memória e concentração.

Quais direitos a nova lei garante às pessoas com fibromialgia?
A lei permite que pessoas com fibromialgia, após avaliação, tenham acesso a benefícios previdenciários e assistenciais, cotas em concursos e empresas, e isenções fiscais, semelhantes aos direitos já garantidos a outras pessoas com deficiência.

Como é feito o enquadramento da fibromialgia como deficiência?
O enquadramento não é automático. O paciente deve apresentar laudo médico e passar por uma avaliação biopsicossocial, realizada por uma equipe multiprofissional, que analisará o impacto da condição nos aspectos biológicos, psicológicos e sociais da vida diária.

Existe cura para a fibromialgia?
A fibromialgia é uma doença crônica, o que significa que não há uma cura definitiva. No entanto, o tratamento busca a remissão dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida do paciente, através de abordagens multidisciplinares que incluem medicamentos, exercícios físicos adaptados e terapias.

Para mais informações sobre a fibromialgia e seus direitos, procure um especialista e mantenha-se informado sobre as atualizações da legislação.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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