O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi detido na última terça-feira, 3 de dezembro, em Itatiaia, na região Sul do Rio de Janeiro, em uma ação da Polícia Federal. A prisão de Antunes marca um avanço crucial na segunda fase da Operação Barco de Papel, uma investigação de grande envergadura que mira supostos crimes contra o sistema financeiro, especificamente na gestão de recursos do Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro. As irregularidades sob apuração envolvem vultosos investimentos da entidade em letras financeiras emitidas pelo Banco Master, instituição recentemente liquidada pelo Banco Central. A gravidade dos fatos investigados, que incluem suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção passiva, ressalta a importância desta operação para a integridade das finanças estaduais e a segurança dos benefícios previdenciários de milhares de servidores fluminenses.
O avanço da Operação Barco de Papel e a prisão de Antunes
A Operação Barco de Papel, em sua segunda fase, intensifica as investigações sobre um esquema complexo de fraudes e desvios que teriam comprometido a gestão do Rioprevidência, o fundo de pensão dos servidores estaduais. A detenção de Deivis Marcon Antunes representa um marco significativo, visto seu papel de liderança na instituição durante o período sob análise. Antunes não é um nome novo nas investigações. Em 23 de novembro, sua residência já havia sido alvo de um mandado de busca e apreensão, uma indicação clara de que seu nome estava no radar das autoridades há algum tempo. Sua prisão, portanto, é resultado de um aprofundamento das evidências coletadas, que apontaram para a necessidade de sua custódia temporária.
Detalhes da detenção e outras ordens judiciais
A prisão de Deivis Marcon Antunes ocorreu de forma estratégica, conduzida por agentes da Polícia Federal na cidade de Itatiaia. Após a detenção, o ex-presidente do Rioprevidência foi encaminhado à Delegacia de Polícia Federal em Volta Redonda para os procedimentos iniciais, de onde seguiu para a Superintendência da PF no Rio de Janeiro, onde permanecerá à disposição da Justiça. Além da ordem de prisão cumprida contra Antunes, a 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro expediu outros dois mandados de prisão temporária. Contudo, esses mandados não foram efetivados, uma vez que os dois indivíduos visados encontram-se foragidos. A busca por essas pessoas é prioridade para as forças de segurança, que trabalham para localizá-las e garantir que respondam pelas acusações. A decisão judicial de decretar as prisões baseou-se em sólidos indícios de obstrução de investigações e tentativa de ocultação de provas, elementos que reforçam a gravidade das acusações e a necessidade das medidas cautelares.
Investigação sobre investimentos e o papel do Banco Master
O cerne da Operação Barco de Papel reside na apuração de supostas irregularidades na aquisição de letras financeiras (LFs) emitidas pelo Banco Master por parte do Rioprevidência. As letras financeiras são títulos de dívida emitidos por instituições financeiras para captar recursos, geralmente com prazo mínimo de dois anos e sem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para investidores institucionais. O problema crucial neste caso é que o Banco Master foi recentemente liquidado pelo Banco Central, levantando sérias questões sobre a prudência e a legalidade dos investimentos realizados pelo fundo de pensão estadual. A investigação aponta que, entre novembro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência teria aportado uma quantia impressionante de aproximadamente R$ 970 milhões na instituição financeira agora liquidada.
Milhões em risco e alertas ignorados
Os vultosos investimentos em um banco que viria a ser liquidado pelo Banco Central geraram um enorme prejuízo potencial aos cofres públicos e, consequentemente, aos futuros beneficiários da previdência estadual. Dirigentes do Rioprevidência e do Banco Master são investigados por uma série de crimes contra o sistema financeiro nacional, incluindo gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção passiva. Essas acusações sublinham a gravidade do esquema, que parece ter envolvido a manipulação de recursos públicos para benefício de poucos. Além disso, vale ressaltar que o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCER) havia emitido alertas e manifestado preocupações sobre os riscos associados aos investimentos do Rioprevidência no Banco Master, indicações que aparentemente foram ignoradas pela gestão da época. Tais alertas, somados às evidências de obstrução e ocultação de provas, reforçam a tese de que havia ciência dos riscos e uma tentativa deliberada de encobrir as ações ilícitas. Os mandados foram cumpridos em diversas localidades, abrangendo endereços vinculados aos investigados tanto no Rio de Janeiro quanto em Santa Catarina, demonstrando a amplitude das ramificações do suposto esquema.
Desdobramentos e o futuro da gestão previdenciária
A prisão do ex-presidente do Rioprevidência representa um passo importante na luta contra a corrupção e a má gestão de recursos públicos. A Operação Barco de Papel sinaliza o compromisso das autoridades em desvendar e punir crimes que afetam diretamente a segurança financeira de milhares de servidores aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro. A continuidade das investigações promete revelar detalhes adicionais sobre o esquema, incluindo a identificação e responsabilização de todos os envolvidos. O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, agiu prontamente em 23 de novembro, quando exonerou Deivis Marcon Antunes do cargo de diretor-presidente do Rioprevidência. Essa decisão ocorreu após Antunes anunciar sua renúncia, um movimento que precedeu a intensificação das ações policiais e as ordens de prisão. O Estado do Rio de Janeiro busca, assim, restabelecer a integridade e a transparência na gestão de seus fundos previdenciários, essenciais para a garantia dos direitos dos trabalhadores.
FAQ
O que é a Operação Barco de Papel?
É uma investigação da Polícia Federal que apura crimes contra o sistema financeiro nacional, focando em irregularidades na gestão de recursos do Rioprevidência, o fundo de pensão do estado do Rio de Janeiro.
Quem é Deivis Marcon Antunes?
Deivis Marcon Antunes é o ex-presidente do Rioprevidência, detido na segunda fase da Operação Barco de Papel por suspeita de envolvimento em gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção passiva.
Quais as principais irregularidades investigadas?
As investigações se concentram na aquisição de aproximadamente R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master pelo Rioprevidência, entre novembro de 2023 e julho de 2024, apesar de alertas de risco e da posterior liquidação do banco.
Qual o papel do Banco Master neste caso?
O Banco Master é a instituição financeira que emitiu as letras financeiras nas quais o Rioprevidência investiu vultosos recursos. Sua recente liquidação pelo Banco Central levanta sérias dúvidas sobre a pertinência e legalidade dos investimentos realizados pelo fundo de pensão.
Para mais informações sobre as investigações em curso e o impacto na previdência estadual, continue acompanhando as notícias.
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