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Censo escolar: Um quarto dos alunos brasileiros em jornada integral

ANUNCIO COTIA/LATERAL

O Brasil alcançou um marco significativo em sua política educacional em 2025, registrando o maior percentual de estudantes matriculados em jornada integral nos últimos quatro anos. Dados recentes, fruto do Censo Escolar – uma pesquisa abrangente que coleta informações de quase 180 mil instituições de ensino básico em todo o país – revelam que 25,8% dos alunos da rede pública agora dedicam no mínimo sete horas diárias aos estudos. Este crescimento expressivo, superior a dez pontos percentuais desde 2021, quando o índice era de 15,1%, reflete um esforço contínuo para expandir o acesso à educação em tempo integral. A análise aprofundada desses números é crucial para compreender os desafios e os avanços na qualidade da educação brasileira e direcionar futuras políticas.

O avanço da jornada integral na educação básica
O cenário educacional brasileiro em 2025 demonstra um notável progresso na oferta de escola em tempo integral, conforme detalhado pelo Censo Escolar. Este levantamento, que é a principal ferramenta de coleta de dados sobre a educação básica no país, sublinha um aumento expressivo no número de estudantes que permanecem na escola por, no mínimo, sete horas diárias. Especificamente na rede pública de ensino básico, a proporção de alunos em jornada integral saltou de 15,1% em 2021 para 25,8% em 2025. Esse acréscimo de mais de dez pontos percentuais em apenas quatro anos representa um avanço substancial na democratização do acesso a uma educação mais completa e enriquecedora.

A expansão não se limitou ao ensino fundamental e médio. Na educação infantil, o estudo aponta que 41,8% das crianças de 0 a 3 anos estão matriculadas em creches, sendo que aproximadamente 60% delas são atendidas em regime integral. Este dado é particularmente relevante, uma vez que o acesso precoce à educação de qualidade, especialmente em tempo integral, é um fator determinante para o desenvolvimento infantil e para o apoio às famílias trabalhadoras. A presença das crianças em ambiente escolar por mais tempo contribui para a socialização, o aprendizado de novas habilidades e o suporte pedagógico, elementos fundamentais para um crescimento saudável e integral.

Matrículas recordes e o impacto do programa
O crescimento da jornada integral é evidente em todas as etapas da educação básica. No ensino médio, o percentual de matrículas em tempo integral teve um aumento ainda mais acentuado, passando de 16,7% em 2022 para 26,8% no ano anterior, 2024. Esse salto é atribuído, em grande parte, à implementação do Programa Escola em Tempo Integral, lançado em 2023. Com um investimento robusto de R$ 4 bilhões, o programa visa fomentar a criação e ampliação de vagas em escolas de jornada estendida, oferecendo suporte financeiro e técnico aos estados e municípios.

Para a educação infantil, foi anunciada uma nova estratégia para ampliar o acesso às creches, com foco na disponibilidade de vagas em tempo integral. A iniciativa prevê o desenvolvimento de uma ferramenta digital capaz de indicar a creche mais próxima da residência da família, informando sobre a existência de vagas. Além disso, haverá uma comunicação direta com as mães para confirmar a matrícula de seus filhos e com os municípios para incentivar a abertura de novas vagas. A prioridade é garantir o direito das mães que trabalham de ter um local seguro e educativo para deixar seus filhos, especialmente em regime de tempo integral, reconhecendo a importância desse suporte para a inserção e permanência feminina no mercado de trabalho.

Melhorias em outras áreas: da creche à educação profissional
Além do notável avanço na escola em tempo integral, o Censo Escolar de 2025 revela progressos significativos em outras dimensões da educação básica brasileira. A frequência escolar, por exemplo, atingiu patamares muito elevados: no ensino fundamental, a taxa entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos alcançou 99,5% no ano anterior, 2024, de acordo com as estimativas da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Esse índice reflete uma quase universalização do acesso ao ensino fundamental, um dos pilares para a construção de uma sociedade mais equitativa e educada, e um importante indicador de sucesso das políticas de combate à evasão.

Outro ponto de destaque é a educação profissional, que registrou o maior número de matrículas em sua história. Em 2025, 3,1 milhões de estudantes estavam engajados em cursos técnicos, marcando um recorde histórico. A participação dos alunos do ensino médio da rede pública nesta modalidade também cresceu de forma expressiva, passando de 11,5% para 20,1% em apenas quatro anos. Esse aumento demonstra um reconhecimento crescente da importância da qualificação profissional para a inserção no mercado de trabalho e para o desenvolvimento econômico do país, alinhando a formação educacional às demandas da sociedade e do setor produtivo. Essa expansão é vital para preparar os jovens para os desafios do futuro e para reduzir o desemprego juvenil.

Redução da distorção idade-série e educação especial
A distorção idade/série, que ocorre quando o aluno está matriculado em um ano escolar incompatível com sua idade, apresentou uma redução significativa. No ensino fundamental, o percentual de alunos nessa condição caiu de 15,6% em 2021 para 11,3% em 2025. No ensino médio, a queda foi ainda mais acentuada, passando de 27,9% para 17,6% no mesmo período. Essa melhoria é crucial, pois a distorção idade/série está associada a maiores riscos de abandono escolar e dificuldades de aprendizado, e sua diminuição indica uma maior adequação do percurso educacional dos estudantes. A correção desse problema é um passo fundamental para a garantia do direito à aprendizagem.

A educação especial também registrou resultados positivos. Em 2025, foram contabilizadas 2,5 milhões de matrículas, representando um aumento expressivo de 82% em relação a 2021. Além disso, o atendimento educacional especializado (AEE) alcançou 49,7% dos estudantes com necessidades especiais, o maior índice já registrado. Esses números refletem um esforço contínuo para garantir a inclusão e o suporte adequado a esses alunos, promovendo um ambiente de aprendizado mais acessível e equitativo. O investimento em formação de profissionais e recursos didáticos adaptados tem sido essencial para essa evolução.

Políticas públicas e a importância dos dados
Os dados detalhados do Censo Escolar não são apenas um retrato da situação atual da educação brasileira; eles são uma ferramenta estratégica fundamental para a formulação e o aprimoramento das políticas públicas. Ao fornecer um panorama preciso sobre matrículas, modalidades de ensino, fluxo escolar e características dos estudantes e das escolas, o Censo permite que gestores identifiquem desafios e oportunidades, direcionando investimentos e ações de forma mais eficaz e baseada em evidências. É por meio dessa base de informações que se pode construir um planejamento educacional mais assertivo e responsivo às necessidades da população.

A melhoria na coleta de dados, como a redução da ausência de informações sobre raça e cor de 25,5% em 2023 para 13,6% em 2025, é um avanço importante. Dados demográficos precisos são essenciais para a criação de políticas afirmativas e para a análise da equidade no acesso e permanência na educação, garantindo que nenhum grupo seja marginalizado ou invisibilizado. A compreensão das disparidades raciais e étnicas no sistema educacional é crucial para a promoção da justiça social e para a construção de uma sociedade mais igualitária. Em suma, o Censo Escolar de 2025 consolida-se como um recurso indispensável não apenas para a avaliação do presente, mas, sobretudo, para a construção de um futuro educacional mais promissor e inclusivo para o Brasil.

Perguntas frequentes
1. O que é o Censo Escolar e quem o realiza?
O Censo Escolar é o principal levantamento de estatísticas educacionais do Brasil na área da educação básica. Ele coleta dados anualmente sobre escolas, alunos, professores e turmas de todas as etapas e modalidades da educação básica. É realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação.

2. Qual o principal destaque dos dados de 2025 sobre a jornada integral?
O principal destaque é que, em 2025, o Brasil atingiu o maior percentual de estudantes em tempo integral dos últimos quatro anos. Conforme os dados, 25,8% dos alunos da rede pública de educação básica estudam em jornada de, no mínimo, sete horas diárias, representando um crescimento de mais de dez pontos percentuais desde 2021.

3. Como o Programa Escola em Tempo Integral contribuiu para esses resultados?
O Programa Escola em Tempo Integral, criado em 2023 com um investimento de R$ 4 bilhões, é apontado como um dos principais responsáveis pelo salto no percentual de matrículas em tempo integral, especialmente no ensino médio. Ele oferece suporte e recursos para estados e municípios expandirem a oferta de vagas em escolas com jornada estendida.

4. Houve avanços em outras áreas além da jornada integral?
Sim, o Censo Escolar de 2025 também registrou avanços significativos em outras áreas, como a quase universalização da frequência escolar no ensino fundamental (99,5%), a redução da distorção idade/série tanto no ensino fundamental quanto no médio, o recorde de matrículas na educação profissional (3,1 milhões de estudantes) e um aumento expressivo no atendimento à educação especial.

Acompanhe as próximas notícias e análises sobre o impacto dessas transformações no futuro da educação brasileira em nosso portal.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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