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Caqui em Piedade: tradição japonesa e “colha e pague” marcam Safra promissora

A safra de caqui no interior de São Paulo, especialmente na região de Piedade e Pilar do Sul, desponta com perspectivas altamente favoráveis, sinalizando um volume de colheita superior ao do ano anterior. As condições climáticas benignas desempenharam um papel crucial no desenvolvimento dos frutos, resultando em galhos fartamente carregados. Esta prosperidade agrícola não apenas impulsiona a economia local, mas também reverbera na valorização de uma rica tradição cultural. Propriedades rurais, muitas delas com raízes profundas na imigração japonesa, como a família Sakaguti em Piedade, celebram mais de 70 anos de cultivo. Além da produção, o modelo inovador de “colha e pague” tem transformado a atividade agrícola em um atrativo turístico, gerando novas fontes de renda e fomentando o intercâmbio cultural na região.

A prosperidade da safra e a tradição familiar

A cultura do caqui, intrinsecamente ligada à história da imigração japonesa no Brasil, floresce com vigor renovado no interior paulista. Em Piedade, um dos polos dessa fruticultura, a família Sakaguti exemplifica a resiliência e a paixão pelo cultivo que se estende por mais de sete décadas. Iniciada pelos patriarcas imigrantes, a atividade é hoje conduzida pela terceira geração, que mantém vivas as técnicas e o espírito empreendedor dos antepassados.

Cultivo centenário e expectativas de recorde

No sítio da família Sakaguti, onde mil pés de caqui prosperam, a expectativa para a safra atual é de colher notáveis 50 toneladas da fruta. Este volume representa um aumento significativo de 20% em comparação com o ano anterior, evidenciando o sucesso das práticas de manejo e as condições favoráveis que marcaram o ciclo produtivo. A variedade Fuyu, conhecida por sua doçura e ausência de adstringência, constitui 90% da produção da propriedade, sendo a preferida tanto pelos produtores quanto pelos consumidores. A longevidade de algumas árvores, que chegam a produzir por quase 70 anos, é um testemunho da sabedoria ancestral aplicada ao campo. Uma dessas técnicas milenares, de origem japonesa, envolve a lavagem anual dos troncos dos pés de caqui para a remoção de musgos e parasitas, prática que se acredita prolongar a vida útil e a produtividade das plantas. Este cuidado meticuloso reflete um profundo respeito pela terra e pelas árvores, garantindo a continuidade de uma herança agrícola valiosa.

“Colha e pague”: impulsionando o turismo rural

O modelo “colha e pague” transcendeu o conceito de mera venda de produtos agrícolas, transformando-se em um pilar do agroturismo na propriedade Sakaguti. Longe de ser apenas um método de escoamento da produção, o evento anual se consolidou como uma tradição esperada por milhares de pessoas. A família projeta receber cerca de 10 mil visitantes nesta safra, um público diversificado que inclui turistas de diversas regiões do Brasil e até mesmo do exterior. Esta modalidade oferece uma experiência imersiva e única, permitindo aos visitantes a oportunidade de colher diretamente do pé os caquis frescos, conectando-os com a origem do alimento e a beleza do ambiente rural. Além de ser uma fonte de renda adicional para os produtores, o “colha e pague” fortalece os laços comunitários, promove a cultura local e sensibiliza o público sobre a importância da agricultura familiar e das tradições culturais a ela associadas.

Desafios e estratégias de mercado em Pilar do Sul

Enquanto Piedade celebra o sucesso de seu modelo de turismo rural, o município vizinho de Pilar do Sul também se destaca na produção de caqui, com uma abordagem mais voltada para o mercado interno e enfrentando seus próprios desafios e oportunidades. A região, igualmente rica em tradição agrícola, demonstra a diversidade de estratégias que os produtores adotam para garantir a sustentabilidade de suas atividades.

A produtora Naomi Jojima e a valorização cultural

Em Pilar do Sul, a produtora rural Naomi Jojima, que também atua como advogada, personifica a nova geração que abraça a vida no campo para preservar o legado familiar e cultural. Sua propriedade se estende por seis hectares, abrigando aproximadamente 3 mil pés de caqui, predominantemente da variedade Fuyu. A decisão de Naomi de dedicar-se à agricultura reflete um desejo profundo de manter viva a tradição da família e, simultaneamente, valorizar a cultura japonesa na região, que foi fundamental para o estabelecimento da fruticultura local. Apesar da boa carga de frutos e das expectativas de uma colheita volumosa, os produtores em Pilar do Sul enfrentam um cenário de preços de venda mais baixos em comparação com o ano anterior. Esta flutuação do mercado é um desafio constante para os agricultores, que precisam encontrar um equilíbrio entre a qualidade da produção e a rentabilidade.

Impacto dos preços e perspectivas futuras para a região

Apesar da pressão sobre os preços, a perspectiva geral para a produção de caqui em Pilar do Sul é de crescimento no volume total da colheita, considerando o conjunto dos produtores da região. Este aumento na produção pode, em parte, compensar os preços menos favoráveis, garantindo a sustentabilidade da atividade para muitos. Especialistas do setor agrícola reforçam a importância da fruticultura na região de São Paulo, destacando a capacidade dos produtores de inovar e adaptar-se. A safra atual serve como um lembrete da fusão entre a tradição dos métodos de cultivo herdados de gerações e a busca por novas formas de geração de renda, como o agroturismo. Essa abordagem multifacetada é crucial para a resiliência do setor, permitindo que as famílias rurais não apenas continuem a cultivar seus produtos, mas também a preservar e celebrar suas histórias e culturas.

O futuro do caqui no cenário agrícola paulista

A safra de caqui no interior de São Paulo em 2024 reafirma a vitalidade e a importância econômica e cultural desta fruticultura para a região. O sucesso da colheita, impulsionado por condições climáticas ideais, é um testemunho da dedicação e do conhecimento transmitido por gerações de produtores. A fusão da tradição japonesa com inovações como o sistema “colha e pague” não apenas otimiza a rentabilidade das propriedades, mas também transforma a atividade agrícola em uma experiência cultural e turística enriquecedora. Enquanto desafios como a flutuação de preços persistem, a capacidade de adaptação e a busca por diversificação de renda, como visto em Piedade e Pilar do Sul, indicam um futuro promissor para o caqui paulista. A fruta, mais do que um produto agrícola, representa uma herança viva, um elo entre o passado e o futuro, e um motor para o desenvolvimento rural sustentável.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Qual a principal variedade de caqui cultivada na região de Piedade e Pilar do Sul?
A variedade Fuyu é a predominante nas propriedades rurais de Piedade e Pilar do Sul, correspondendo a cerca de 90% da produção em algumas propriedades. Esta variedade é apreciada por sua doçura e ausência de adstringência.

Como a tradição japonesa influencia o cultivo de caqui no interior de São Paulo?
A tradição japonesa é um pilar fundamental, tanto na origem das famílias produtoras, que trouxeram suas técnicas de cultivo para o Brasil, quanto em métodos específicos de manejo, como a lavagem anual dos pés de caqui para prolongar a vida útil das plantas. Além disso, muitos produtores buscam ativamente valorizar e preservar essa rica herança cultural.

O que é o sistema “colha e pague” e qual seu impacto na região?
O “colha e pague” é um modelo de agroturismo onde os visitantes podem colher os frutos diretamente do pé e pagar pela quantidade que levam. Seu impacto é significativo, impulsionando o turismo rural, gerando renda adicional para os produtores e promovendo a cultura local e o consumo de alimentos frescos.

Explore a beleza e o sabor da tradição em sua próxima visita ao interior de São Paulo e descubra o legado do caqui!

Fonte: https://g1.globo.com

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