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Campinas: Polícia fecha bingo clandestino pela quarta vez em prédio histórico

ALESP

Na tarde de quarta-feira, 24 de maio, uma operação da Polícia Militar em Campinas resultou no fechamento de um bingo clandestino localizado em um casarão histórico na Rua Barão de Jaguara, no antigo 7º Cartório. Esta é a quarta vez que as autoridades intervêm neste mesmo endereço para coibir atividades de jogos de azar ilegais, evidenciando a persistência dessas práticas na região. A ação foi deflagrada após uma denúncia anônima e culminou na apreensão de um vasto material utilizado na operação ilegal, incluindo dezenas de máquinas de caça-níquel, equipamentos de informática e valores em espécie. O episódio ressalta o desafio contínuo enfrentado pelas forças de segurança no combate a estabelecimentos que operam à margem da lei, explorando vulnerabilidades e fomentando atividades ilícitas em ambientes urbanos.

A operação policial e as apreensões
A intervenção policial ocorreu por volta das 12h30, desencadeada por uma denúncia anônima que alertava sobre a prática de jogos de azar no local. As equipes da Polícia Militar se dirigiram ao endereço, confirmando a informação e dando início à operação de desmantelamento do estabelecimento. A prontidão na resposta à denúncia foi crucial para a localização do ponto, reforçando a importância da colaboração da comunidade no combate a atividades ilegais.

Detalhes da intervenção e do local
O prédio em questão é um casarão de grande valor histórico para Campinas, situado na Rua Barão de Jaguara, e anteriormente abrigava o 7º Cartório. A escolha de um local tão proeminente e com fachada discreta é uma tática comum entre os operadores de bingos clandestinos, visando a camuflagem e a dificuldade de identificação por parte das autoridades e da população. A localização central e a arquitetura imponente podem, paradoxalmente, conferir uma falsa sensação de legitimidade ou discrição, atraindo frequentadores que buscam discrição e acesso facilitado.

Este incidente marca a quarta ocasião em que a polícia age contra um bingo clandestino operando neste mesmo endereço. Essa reincidência levanta questões sobre a eficácia das ações anteriores e a facilidade com que esses estabelecimentos conseguem retomar suas atividades, muitas vezes com novos equipamentos ou sob diferentes gestões. A falta de informações sobre prisões nesta última operação sugere que, em muitos casos, os responsáveis pela organização conseguem evadir-se antes da chegada da polícia ou que a identificação dos operadores diretos é complexa, focando a ação na desativação da estrutura e apreensão do material. A Polícia Militar segue monitorando a região para evitar novas reincidências e garantir que o local não se torne, mais uma vez, um centro de atividades ilícitas.

O arsenal de jogos de azar
Durante a varredura no imóvel, as equipes policiais realizaram uma vasta apreensão de equipamentos dedicados à exploração de jogos de azar. A dimensão dos itens recolhidos indica uma operação de médio a grande porte, com capacidade para atender a um número considerável de frequentadores simultaneamente, o que denota um investimento significativo por parte dos organizadores.

Máquinas, computadores e o dinheiro confiscado
No total, foram confiscadas 64 máquinas de caça-níquel, aparelhos eletrônicos que simulam jogos de azar e são estritamente proibidos pela legislação brasileira. Além delas, a polícia apreendeu diversos computadores, que são essenciais para o controle das apostas, o registro de jogadores, a gestão financeira da operação e, possivelmente, a vigilância do ambiente para detectar a aproximação de autoridades. Também foram recolhidas 16 impressoras de cartelas, um item fundamental para a prática do bingo tradicional, permitindo a geração de cartões de jogo para os participantes e indicando a pluralidade de jogos oferecidos no local.

Ainda durante a operação, foi encontrado e confiscado um montante em dinheiro de R$ 563,60 em espécie. Embora esse valor possa parecer modesto para uma operação que envolve dezenas de máquinas e frequentes atividades, é importante ressaltar que o dinheiro em caixa no momento da apreensão pode não refletir o volume total de transações diárias ou os lucros da organização. Geralmente, grandes somas são movimentadas de forma mais discreta ou transferidas rapidamente para evitar confisco. A apreensão do dinheiro, junto com os equipamentos, serve como prova material da atividade ilícita e reforça o caráter comercial da exploração do jogo clandestino. Todos os materiais apreendidos serão periciados e, posteriormente, encaminhados para destruição ou destinação legal, conforme a legislação vigente para bens oriundos de crimes de jogos de azar.

A persistência do jogo ilegal e o desafio contínuo
O fechamento do bingo clandestino pela quarta vez no mesmo endereço em Campinas é um claro indicativo da complexidade em erradicar completamente a prática de jogos de azar ilegais. A reincidência demonstra que as organizações criminosas por trás desses empreendimentos possuem estratégias para reabrir ou reorganizar suas operações, muitas vezes explorando a alta demanda por esse tipo de entretenimento e a percepção de baixo risco por parte dos participantes. Além dos riscos legais para os envolvidos, esses estabelecimentos operam sem qualquer regulamentação, supervisão de segurança ou garantia de fair play, o que os torna ambientes propícios para lavagem de dinheiro, evasão fiscal e, em alguns casos, exploração de pessoas e fomento a outras atividades criminosas.

As autoridades brasileiras, incluindo a Polícia Militar e o Ministério Público, enfrentam um desafio contínuo para desmantelar essas redes e garantir que as atividades ilícitas não voltem a prosperar. A coordenação entre diferentes órgãos, o investimento em inteligência policial e a manutenção da vigilância são cruciais para combater a persistência do jogo ilegal. A participação da comunidade, através de denúncias anônimas e informações, é um pilar fundamental para o sucesso dessas operações, permitindo que a polícia atue de forma precisa e eficaz. O episódio em Campinas serve como um lembrete da necessidade de uma abordagem multifacetada e incessante contra todas as formas de criminalidade organizada.

Perguntas frequentes sobre jogos de azar clandestinos

O que são bingos clandestinos?
Bingos clandestinos são estabelecimentos que operam jogos de azar, como bingo e máquinas de caça-níquel, sem a devida autorização legal dos órgãos competentes. No Brasil, a exploração de jogos de azar é proibida pela Lei das Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/1941), com exceções específicas para loterias federais e estaduais, corridas de cavalos e, mais recentemente, apostas esportivas online sob regulamentação. Operar um bingo clandestino constitui uma contravenção penal grave, sujeita a sanções legais para os envolvidos.

Por que esses estabelecimentos são frequentemente encontrados em prédios históricos ou casarões?
A escolha de prédios históricos ou casarões para sediar bingos clandestinos não é aleatória. Esses locais geralmente oferecem características que os tornam atraentes para atividades ilícitas: sua localização central pode facilitar o acesso de frequentadores de diversas partes da cidade; a arquitetura robusta e, por vezes, complexa, pode dificultar a entrada das autoridades em uma batida policial; e a fachada antiga e discreta pode ajudar a camuflar a natureza da atividade interna, confundindo-se com outros estabelecimentos comerciais ou residenciais. Além disso, a grandiosidade de alguns desses imóveis pode conferir uma percepção de segurança e exclusividade aos frequentadores, apesar da ilegalidade.

Quais são as consequências legais para quem opera ou participa de um bingo clandestino?
Para quem opera um bingo clandestino, a principal consequência legal é responder pela contravenção penal de exploração de jogos de azar, prevista no Art. 50 do Decreto-Lei nº 3.688/1941, que prevê pena de prisão simples de três meses a um ano e multa. Além disso, dependendo da complexidade e da organização da atividade, podem surgir acusações adicionais relacionadas a crimes como lavagem de dinheiro, evasão fiscal, formação de organização criminosa ou associação para o tráfico. Para os participantes, embora a legislação foque mais nos operadores, frequentar tais locais pode implicar em responder pela contravenção de “participar de jogo de azar”, embora isso seja menos comum e geralmente resulte em uma advertência ou multa em casos isolados. O foco maior da polícia é desmantelar a operação e punir os organizadores e proprietários.

Se você possui informações sobre atividades de jogos de azar ilegais ou suspeita de algum estabelecimento, denuncie às autoridades locais. Sua colaboração é fundamental para a segurança da comunidade e para o combate à criminalidade.

Fonte: https://g1.globo.com

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