Uma tragédia abalou a cidade de Botucatu, no interior de São Paulo, com a confirmação da morte de Júlia Gabriela Bravin Trovão, de 29 anos, após ser baleada por seu ex-companheiro. O crime, que também resultou na morte do atual parceiro da farmacêutica, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, expõe a gravidade da violência de gênero e as falhas no sistema de proteção às vítimas. Júlia, que estava internada em estado gravíssimo desde a noite de sábado (21), sucumbiu aos ferimentos na noite desta terça-feira (24), deixando a comunidade em luto e questionamentos sobre a efetividade das medidas protetivas. Este caso emblemático em Botucatu, marcado por um cenário de feminicídio e assassinato, ressalta a urgência em fortalecer mecanismos de segurança para mulheres em situação de risco.
A morte da farmacêutica e o cenário do crime
Três dias de luta e a confirmação do óbito
Júlia Gabriela Bravin Trovão, uma farmacêutica de 29 anos, travou uma batalha pela vida por três dias no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB). Baleada por seu ex-companheiro na noite de sábado (21), ela foi internada em estado gravíssimo, lutando contra os ferimentos provocados pelos disparos. A esperança, contudo, se encerrou na noite de terça-feira (24), quando a equipe médica confirmou seu falecimento. O HCFMB emitiu uma nota expressando solidariedade e condolências à família e amigos da vítima, em um momento de profunda dor e consternação para todos que acompanhavam o caso. A notícia da morte de Júlia ampliou a comoção na cidade, que já estava em choque com a brutalidade do ataque.
O ataque fatal e a perda de Diego Felipe
O cenário da tragédia foi a Avenida Cecília Lourenção, no Residencial Ouro Verde, em Botucatu. Na fatídica noite de sábado (21), Júlia estava em um carro com seu atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos, e duas crianças – sendo uma delas o filho de 8 anos do ex-casal. Foi nesse momento que Diego Sansalone, de 38 anos, ex-companheiro de Júlia, interceptou o veículo e abriu fogo. Diego Felipe foi atingido fatalmente e morreu no local, sem chances de socorro. Júlia, por sua vez, foi gravemente ferida pelos disparos. Após o ataque, Sansalone fugiu levando consigo o filho que tinha com Júlia, adicionando um elemento de sequestro à já terrível cena do crime. A violência e a frieza do ato chocaram testemunhas e vizinhos, que rapidamente acionaram as autoridades.
Cronologia da violência e medidas negadas
A discussão na escola e o boletim de ocorrência
Os fatos que culminaram na dupla tragédia começaram a se desenrolar dias antes, evidenciando uma escalada de violência e ameaças. Na quinta-feira (19), dois dias antes do ataque fatal, Diego Sansalone teria protagonizado uma discussão acalorada com Júlia na porta da escola onde o filho do ex-casal estudava. O atual companheiro de Júlia, Diego Felipe, compareceu ao local na tentativa de apaziguar a situação, mas acabou se envolvendo em uma nova discussão com Sansalone. Esse episódio, carregado de tensão e evidenciando a persistência da perseguição, levou Júlia a tomar uma medida protetiva: ela registrou um boletim de ocorrência e solicitou uma medida protetiva contra o ex-marido, buscando amparo legal para garantir sua segurança e a de seu filho.
Medida protetiva: um pedido sem resposta
A busca por proteção legal por parte de Júlia, contudo, não obteve o resultado esperado. Na sexta-feira (20), apenas um dia antes do ataque que tiraria a vida de seu atual companheiro e, posteriormente, a dela mesma, o pedido de medida protetiva foi negado pelas autoridades competentes. Essa negativa levanta sérias questões sobre a avaliação de risco em casos de violência doméstica e a agilidade do sistema judicial em proteger vidas. O fato de o crime ter ocorrido tão pouco tempo após a rejeição da medida protetiva sublinha a urgência e a imprevisibilidade da violência de gênero, destacando a necessidade de revisão e aprimoramento dos protocolos de concessão de proteção às vítimas. A falta de amparo efetivo transformou um pedido de ajuda em um desenlace fatal, deixando uma marca indelével na comunidade.
A fuga, a prisão e o destino da criança
A perseguição e a confissão do suspeito
Após balear Júlia e matar Diego Felipe, Diego Sansalone empreendeu fuga, levando consigo o filho de 8 anos que tinha com a ex-companheira. A Polícia Militar foi imediatamente acionada e iniciou uma intensa perseguição e busca pelo suspeito. As equipes trabalharam incessantemente, mobilizando recursos para localizar o agressor e, principalmente, garantir a segurança da criança. A captura de Sansalone ocorreu no fim da tarde de domingo (22), em uma estrada rural que liga Botucatu a Pardinho, municípios do interior paulista. Segundo informações da polícia, o suspeito não ofereceu resistência à prisão e, ao ser interrogado, confessou a autoria dos crimes, detalhando os eventos que levaram à trágica perda de duas vidas.
O resgate do filho e a custódia familiar
A prioridade durante as horas seguintes ao crime era garantir a segurança do filho de Júlia e Diego Sansalone. O menino, de 8 anos, passou a noite de sábado com o pai após o ataque. Com a prisão de Diego Sansalone no domingo (22), a criança foi resgatada e levada à Polícia Civil. Foi o avô paterno, pai do suspeito, quem entregou o neto às autoridades, garantindo que o menino fosse retirado da situação de risco e recebesse o devido acolhimento. A criança foi submetida a acompanhamento psicológico e social, dada a gravidade do trauma de ter presenciado ou sido parte do contexto do crime que vitimou a mãe e o padrasto. Posteriormente, a guarda foi estabelecida dentro do círculo familiar, buscando oferecer o máximo de estabilidade e segurança emocional para o menino diante da irreparável perda.
Consequências e reflexões sobre a violência
A morte de Júlia Gabriela Bravin Trovão e de Diego Felipe Corrêa da Silva em Botucatu representa um doloroso lembrete da persistência e da brutalidade da violência de gênero e interpessoal. Este caso ilustra as camadas complexas de uma relação abusiva, culminando na negação de uma medida protetiva que poderia ter alterado o desfecho. A tragédia em Botucatu não é um incidente isolado, mas ecoa a realidade de muitas mulheres que vivem sob ameaça, desafiando a sociedade e as instituições a reavaliar a eficácia dos mecanismos de proteção. É imperativo fortalecer a rede de apoio, agilizar e qualificar as respostas do sistema de justiça e, acima de tudo, promover uma cultura de respeito e valorização da vida, para que nenhuma outra história termine de forma tão trágica. A memória de Júlia e Diego Felipe deve impulsionar a busca por um futuro onde a segurança e a dignidade sejam garantias inabaláveis para todos.
FAQ
Quem eram as vítimas deste crime em Botucatu?
As vítimas do crime foram Júlia Gabriela Bravin Trovão, uma farmacêutica de 29 anos, e seu atual companheiro, Diego Felipe Corrêa da Silva, de 34 anos. Júlia foi baleada e morreu após três dias internada, enquanto Diego Felipe foi assassinado no local do ataque.
Qual foi o papel da medida protetiva neste caso?
Júlia Gabriela havia registrado um boletim de ocorrência e solicitado uma medida protetiva contra seu ex-companheiro, Diego Sansalone, após uma discussão com ele na porta da escola do filho. Contudo, o pedido foi negado na sexta-feira (20), um dia antes do ataque fatal ocorrido no sábado (21).
O que aconteceu com o suspeito e a criança envolvida?
O suspeito, Diego Sansalone, ex-companheiro de Júlia e pai da criança, fugiu com o filho de 8 anos após o crime. Ele foi preso no fim da tarde de domingo (22) em uma estrada rural entre Botucatu e Pardinho, sem resistência, e confessou os crimes. A criança foi entregue à Polícia Civil pelo avô paterno e está sob custódia familiar, recebendo acompanhamento.
Em casos de violência doméstica, é fundamental buscar ajuda e denunciar. Ligue para o 180 ou procure uma delegacia especializada. Sua voz pode salvar vidas.
Fonte: https://g1.globo.com
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