Em um mergulho profundo nas próprias raízes e experiências de vida, a cantora Anitta lança 'Equilibrivm II', seu oitavo álbum de carreira. A obra é uma confluência sonora de atabaques, agogôs, sanfonas e batidas de funk, transformando fé, ancestralidade e a incessante busca por equilíbrio em inspiração musical. O disco, que reúne sonoridades das religiões afro-brasileiras, da música popular e dos ritmos urbanos, foi o centro de uma edição especial do programa 'Sem Censura', da TV Brasil, onde a artista detalhou sua trajetória espiritual e os desafios enfrentados até a materialização deste trabalho.
As Raízes da Espiritualidade e a Devoção ao Candomblé
A relação de Anitta com a espiritualidade é um pilar de sua vida desde a infância, moldada por diferentes influências familiares. Enquanto sua mãe a levava à igreja católica aos domingos, seu pai, ligado à umbanda e posteriormente pai de santo no candomblé, introduziu-a às religiões afro-brasileiras. Essa dualidade construiu uma base sólida para sua fé, culminando em sua devoção ao candomblé como filha de Logunedé, orixá associado à beleza, riqueza e inteligência. A cantora enfatizou que esta conexão espiritual transcende a música, sendo uma parte intrínseca de sua identidade.
Enfrentando o Preconceito: A Pública Declaração de Fé
Apesar de sua profunda ligação com o candomblé, Anitta revelou que demorou a tornar sua fé pública, temendo o preconceito e o impacto negativo em sua carreira. Em 2018, em meio a cobranças por posicionamentos políticos, ela explicou que passava por um período de reclusão religiosa, um processo conhecido como 'fazer santo', que exige cerca de um mês de dedicação em um terreiro. Diante da voracidade da internet e do silêncio, a artista decidiu quebrar o 'armário' da religião, ciente dos riscos comerciais. Sua decisão marcou um ponto de virada, desafiando estigmas e abrindo caminho para uma maior autenticidade pública.
A Influência de Carmen Miranda e a Reflexão sobre Carreira
Durante a entrevista, Anitta também compartilhou a significativa influência de Carmen Miranda em sua jornada artística e pessoal. Ao ler sobre a 'Pequena Notável', a cantora notou profundas semelhanças de personalidade, atribuindo as poucas diferenças às distintas épocas em que viveram. Um trecho exibido no 'Sem Censura', onde Carmen Miranda tropeça e se recolhe ao camarim, apenas para falecer pouco depois de um infarto, serviu como um alerta. Anitta expressou o desejo de 'mudar esse final', utilizando a história de Carmen como uma metáfora para repensar os limites físicos e emocionais impostos pela rotina exaustiva de uma carreira internacional.
A Busca por Saúde e o Caminho para o Equilíbrio
A reflexão sobre Carmen Miranda converge com a própria experiência de Anitta de intenso desgaste físico e mental. A cantora descreveu um período de sua carreira internacional marcado por viagens constantes e mínimas pausas, vivendo em aviões e sentindo o corpo 'inflamado' e perdendo sua capacidade de recuperação. Essa fase crítica a levou a buscar ajuda profissional há cerca de quatro anos, iniciando um acompanhamento com a terapeuta Max Tovar. Foi durante um retiro com Tovar que Anitta começou a escrever partes das letras e reflexões que compõem 'Equilibrivm II', transformando sua jornada de recuperação em arte e consolidando a temática de seu novo álbum.
Contexto e Repercussão: O Sem Censura e Seus Convidados
A edição especial do 'Sem Censura' que recebeu Anitta foi apresentada por Cissa Guimarães, contando com um painel diversificado de debatedores que enriqueceram a discussão sobre 'Equilibrivm II' e a trajetória da artista. Entre os convidados estavam Nídia Aranha, diretora criativa do álbum; Rodney William, babalorixá e antropólogo, que trouxe a perspectiva religiosa e acadêmica; o jornalista e empresário Hugo Gloss; e a debatedora Luana Xavier. A presença desses especialistas e figuras públicas sublinha a relevância cultural e social do novo trabalho de Anitta, que transcende o universo musical para abordar temas de fé, identidade e bem-estar.
Com 'Equilibrivm II', Anitta não apenas entrega um álbum musicalmente rico, mas também uma narrativa pessoal de coragem e autodescoberta. O trabalho é um testemunho de como a fé, a ancestralidade e a busca por um balanceamento entre a vida pessoal e profissional se entrelaçam para formar a identidade de uma das maiores artistas brasileiras, oferecendo ao público uma obra que é, ao mesmo tempo, um manifesto artístico e um convite à reflexão sobre a própria jornada de equilíbrio.
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