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Análise do acordo Mercosul-UE segue no Congresso apesar de entrave na Europa

ALESP

O Congresso Nacional brasileiro demonstra firmeza na intenção de avançar com a análise e votação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, mesmo diante da recente decisão do Parlamento Europeu de submeter os termos do tratado à avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia. A postura foi reiterada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), após encontro com a embaixadora da Delegação da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf. A liderança política brasileira defende que a judicialização na Europa não deve impedir o prosseguimento dos trâmites nos países do Mercosul, buscando uma rápida internalização do acordo que promete criar a maior área de livre comércio global.

Acelerando o trâmite no Brasil

A determinação brasileira em dar andamento ao processo de ratificação do acordo Mercosul-União Europeia é clara. Segundo o senador Nelsinho Trad, o questionamento jurídico na Europa não deve afetar a tramitação interna nos países do Mercosul. O parlamentar ressaltou a urgência em equacionar eventuais contratempos, mas frisou que a divergência europeia não impede o prosseguimento célere por parte dos blocos que já estão envolvidos e não possuem esse entrave. A celeridade na análise e aprovação do texto no Parlamento brasileiro é uma prioridade, com expectativas de que o processo possa ocorrer nas próximas semanas.

Determinação política e econômica

A importância estratégica e econômica do acordo é um dos principais motivadores para a insistência brasileira. O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou a posição do governo federal, defendendo que o Brasil não deve interromper seu processo interno de aprovação. Em reunião com o senador Nelsinho Trad, Alckmin enfatizou que o país continuará encaminhando o pedido ao Congresso Nacional para a internalização do acordo, classificando o impasse europeu como um “percalço que será superado”. A intenção é que a aprovação brasileira possa, inclusive, incentivar a Comissão Europeia a agir com maior rapidez na resolução do impasse. A embaixadora Marian Schuegraf reconheceu a determinação brasileira e expressou a esperança de que o ímpeto do Parlamento brasileiro possa estimular os procedimentos no lado europeu.

O rito de internalização do acordo

O processo de internalização de tratados internacionais no Brasil segue um rito específico, que será aplicado ao acordo Mercosul-União Europeia. Após o envio da matéria pelo Poder Executivo ao Congresso Nacional, a delegação brasileira do Parlamento do Mercosul realizará uma primeira análise. Em seguida, o texto será discutido e votado em ambas as casas legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal, separadamente. Somente após a aprovação em ambas as casas, o acordo poderá ser encaminhado para a ratificação presidencial, etapa final antes de sua promulgação e início da vigência, que pode ser total ou provisória, dependendo do andamento das negociações e aprovações em todas as partes envolvidas.

O desafio europeu e a perspectiva de atraso

A decisão do Parlamento Europeu de encaminhar o acordo para avaliação do Tribunal de Justiça da União Europeia introduz uma camada de complexidade e incerteza no processo. Embora a embaixadora Marian Schuegraf tenha elogiado o avanço das negociações entre os blocos e a determinação brasileira, ela admitiu que a judicialização pode resultar em atrasos na implementação do tratado. A duração desse atraso é incerta, mas a diplomata enfatizou o papel crucial dos parlamentos em uma democracia, indicando que a aprovação brasileira pode servir de catalisador.

Entendimento da decisão do Parlamento Europeu

A decisão do Parlamento Europeu de submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia reflete as preocupações de alguns setores e estados-membros em relação a aspectos como o impacto ambiental, normas trabalhistas, sanitárias e a potencial concorrência para produtores europeus. Essa medida é um mecanismo legal que busca garantir a conformidade do tratado com a legislação da UE antes de sua ratificação final. A análise do Tribunal pode abordar questões sobre a constitucionalidade do acordo com os tratados fundadores da União Europeia, bem como suas implicações em diversas áreas políticas.

Impacto da judicialização na implementação

A judicialização do acordo no âmbito europeu significa que sua implementação pode ser adiada até que o Tribunal de Justiça emita seu parecer. O processo pode levar meses ou até anos, a depender da complexidade das questões levantadas e da agenda do Tribunal. Durante esse período, a aplicação integral ou mesmo provisória do acordo fica em xeque, o que pode frustrar as expectativas de ambos os lados em relação aos benefícios comerciais imediatos. No entanto, a perspectiva brasileira é de que, mesmo com esse atraso potencial no lado europeu, a aprovação interna no Mercosul pode criar um cenário favorável para uma aplicação provisória ou acelerar o processo uma vez que as objeções europeias sejam superadas.

Benefícios e a maior zona de livre comércio

Quando entrar em vigor, o acordo entre o Mercosul e a União Europeia está projetado para criar a maior área de livre comércio do mundo, abrangendo uma população de cerca de 780 milhões de pessoas e aproximadamente 25% do PIB global. Este ambicioso tratado, negociado ao longo de mais de duas décadas, visa eliminar a maioria das tarifas sobre produtos industriais e agrícolas, facilitando o comércio de bens e serviços, além de estabelecer regras claras para investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais e desenvolvimento sustentável.

Projeções econômicas para o Brasil

Para o Brasil, as expectativas são de ganhos econômicos significativos. Projeções da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) indicam que o acordo pode gerar um aumento de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras anualmente. Além disso, estima-se um incremento de US$ 87,5 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 15 anos e um aumento de US$ 110 bilhões em investimentos no mesmo período. Setores como o agronegócio, com a redução de tarifas para produtos como suco de laranja, carne bovina e aves, e a indústria, com maior acesso a mercados e a tecnologia, estão entre os mais beneficiados. O acordo também visa aprimorar o ambiente de negócios, promovendo maior segurança jurídica e previsibilidade para investidores.

Um tratado com décadas de história

As negociações para o acordo Mercosul-União Europeia tiveram início em 1999, marcando um dos mais longos processos de negociação comercial da história. Após anos de idas e vindas, impulsionadas por diferentes conjunturas políticas e econômicas em ambos os blocos, um consenso político foi alcançado em 2019. No entanto, a ratificação se mostrou um desafio complexo, esbarrando em objeções relacionadas principalmente a questões ambientais e políticas agrícolas. A perseverança dos negociadores e líderes de ambos os lados reflete o potencial transformador que este acordo representa para a economia global e o fortalecimento das relações birregionais.

Conclusão

A determinação do Congresso Nacional brasileiro em prosseguir com a análise do acordo Mercosul-União Europeia, apesar dos recentes entraves na Europa, sublinha a importância estratégica que o tratado representa para o Brasil e o bloco sul-americano. Líderes políticos e econômicos brasileiros enfatizam a necessidade de uma rápida internalização, visando aproveitar os vastos benefícios econômicos, como o aumento das exportações e a criação da maior zona de livre comércio global. Embora a judicialização na União Europeia possa acarretar atrasos, a postura brasileira visa manter o ímpeto e, possivelmente, acelerar o processo em ambos os lados, demonstrando um compromisso firme com a integração econômica e a ampliação das oportunidades comerciais em um cenário global desafiador.

Perguntas frequentes

O que é o acordo Mercosul-União Europeia?
É um tratado de livre comércio negociado entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) – composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai – e a União Europeia. Seu objetivo principal é eliminar tarifas e barreiras comerciais para bens e serviços, além de estabelecer normas para investimentos, propriedade intelectual e desenvolvimento sustentável, criando a maior área de livre comércio do mundo.

Por que o Parlamento Europeu encaminhou o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia?
A decisão de submeter o acordo ao Tribunal de Justiça da UE reflete preocupações de alguns estados-membros e setores europeus sobre diversos aspectos do tratado, incluindo impactos ambientais, conformidade com normas sanitárias e trabalhistas, e potenciais efeitos sobre a produção agrícola europeia. A medida busca garantir a legalidade e conformidade do acordo com o direito da União Europeia.

Quais são os principais benefícios esperados para o Brasil com este acordo?
Para o Brasil, o acordo promete aumentar as exportações em US$ 7 bilhões anualmente, elevar o PIB em US$ 87,5 bilhões em 15 anos e atrair US$ 110 bilhões em investimentos no mesmo período, segundo a Apex. Setores como agronegócio e indústria são vistos como os maiores beneficiários, com acesso a um mercado consumidor expandido e maior segurança jurídica para investimentos.

A decisão europeia de judicialização paralisa o processo de ratificação no Brasil?
Não, segundo líderes políticos brasileiros. O senador Nelsinho Trad e o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmaram que a judicialização na Europa não impede que o Congresso Nacional brasileiro continue com a análise e votação do acordo. A intenção é prosseguir com a internalização para garantir uma possível aplicação provisória ou acelerar a implementação quando o impasse europeu for resolvido.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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