Agentesde IA
© Orlando K Junior/Divulgação

Amazônia: Desmatamento Recua ao Menor Nível em Oito Anos em Meio à Tensão Tarifária com os EUA

Um novo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado nesta sexta-feira (24), revela uma significativa queda no desmatamento na Amazônia Legal durante o primeiro semestre deste ano, atingindo o menor índice dos últimos oito anos. Este dado surge em um momento de acirrada discussão internacional, com o governo dos Estados Unidos utilizando o desmatamento ilegal como justificativa para a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

Em contrapartida às acusações americanas, o governo brasileiro defende que os índices de desmatamento vêm apresentando uma tendência de queda constante desde 2023, classificando as alegações como 'indevidas'. A análise do Imazon adiciona uma camada de complexidade ao debate, apresentando um cenário de redução geral, mas também apontando focos persistentes de pressão e ameaças legislativas à floresta.

Redução Histórica Confronta Argumentos para Tarifas

Os dados mais recentes do Imazon indicam que a Amazônia brasileira registrou o desmatamento de 1.145 quilômetros quadrados de floresta entre janeiro e junho de 2026. Este volume representa uma diminuição de 10% em comparação com o mesmo período do ano anterior, marcando o primeiro semestre com a menor área desmatada em quase uma década. A queda é ainda mais expressiva quando comparada ao pico registrado em 2022, alcançando uma redução de 76%, reforçando o argumento brasileiro de uma mudança de trajetória nos índices.

A Efetividade e os Desafios das Áreas Protegidas

Um aspecto notável do estudo é o papel das áreas protegidas na contenção da derrubada ilegal. O relatório do Imazon aponta que 588 dessas áreas na Amazônia, o que corresponde a mais de 80% do total, passaram o primeiro semestre de 2026 sem qualquer registro de desmatamento. Este número inclui 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação, demonstrando a relevância dessas demarcações para a preservação ambiental.

Apesar do cenário majoritariamente positivo, as áreas protegidas não estão imunes à degradação. No mesmo período, 97,37 quilômetros quadrados de floresta foram derrubados dentro desses territórios, correspondendo a 8% do desmatamento total da Amazônia. Desse montante, 9,38 quilômetros quadrados ocorreram em terras indígenas, enquanto 87,99 quilômetros quadrados foram registrados em unidades de conservação.

Focos Críticos e Ameaças Legislativas

O estudo também lança luz sobre os pontos mais críticos da devastação. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, localizada no Pará, se destacou negativamente, respondendo por cerca de metade do desmatamento total registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia no semestre, com 47,85 km² desmatados. Outra preocupação do Imazon é a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará, que foi a quinta unidade de conservação mais desmatada, perdendo 3,45 km² de floresta, área equivalente a quase 350 campos de futebol.

A situação da Flona do Jamanxim é agravada pela recente aprovação, no Senado Federal, de um projeto de lei que propõe a redução de sua área. Brenda Brito, coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, alertou que tal medida beneficia um grupo específico de invasores que ocuparam ilegalmente a unidade de conservação após sua criação em 2006. Ela enfatizou a importância vital das unidades de conservação para a contenção do desmatamento e o combate à crise climática, defendendo um veto presidencial ao projeto.

Panorama Regional: Desempenho Variável entre os Estados

Ao analisar o cenário estadual no período de agosto de 2025 a junho de 2026, o Imazon identificou tendências distintas na Amazônia Legal. Apenas dois dos nove estados que a compõem registraram aumento no desmatamento: Roraima, com uma alta de 25%, e Maranhão, que apresentou um crescimento de 20%. Os demais sete estados demonstraram reduções significativas, variando de 67% no Tocantins a 27% no Mato Grosso.

Em termos de volume absoluto, o Pará liderou o ranking de estados com maior área desmatada no período, totalizando 684 km². Em seguida, figuraram o Mato Grosso, com 509 km² de floresta derrubada, e o Amazonas, que registrou a perda de 378 km².

Conclusão: Desafios Persistentes em um Cenário Complexo

O relatório do Imazon apresenta um quadro complexo da Amazônia, onde a inegável redução geral do desmatamento nos primeiros meses de 2026 coexiste com pressões localizadas e ameaças legislativas que podem comprometer os avanços. Este cenário de dados positivos, mas com fragilidades, intensifica o debate em torno das políticas ambientais brasileiras e sua percepção no cenário internacional, especialmente frente a medidas como as tarifas propostas pelos Estados Unidos. A monitorização contínua e a defesa rigorosa das áreas protegidas permanecem cruciais para a sustentabilidade da maior floresta tropical do planeta.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br