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Exposição ‘Saudação a Iemanjá’ no Rio: Uma Celebração Artística e Cultural na Biblioteca Parque Estadual

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Até o próximo dia 15 de maio, a vibrante cena cultural do Rio de Janeiro se volta para a Biblioteca Parque Estadual, que hospeda a exposição gratuita 'Saudação a Iemanjá – 3 Tempos'. Organizada pelo inovador movimento artístico independente Tabuleta Itinerante, a mostra oferece ao público uma imersão profunda na figura da Rainha do Mar, destacando a diversidade e a força da produção artística local e reafirmando o compromisso com a democratização do acesso à cultura na capital fluminense.

Diversidade e Significado nas Obras Expostas

Com um acervo de 123 peças, a exposição congrega o talento de mais de cem criadores, abrangendo desde artistas plásticos já consagrados e galeristas até aqueles que dão seus primeiros passos no cenário artístico através do apoio do Tabuleta Itinerante. Cada obra, predominantemente pinturas de 40 por 60 centímetros, mergulha na temática de Iemanjá, a divindade reverenciada como Rainha do Mar, mãe de diversos orixás, e um poderoso símbolo de amor maternal, pureza e patrona dos romances. O público tem a oportunidade singular de adquirir essas peças, cujos valores variam entre R$ 200 e mais de R$ 4 mil, tornando a arte acessível e ao mesmo tempo valorizando o trabalho dos expositores. As diversas leituras e linguagens inspiradas na orixá convidam à reflexão sobre a riqueza das manifestações culturais e espirituais.

Tabuleta Itinerante: Uma Jornada de Inclusão na Arte

O movimento Tabuleta Itinerante, idealizador da mostra, nasceu em 2 de fevereiro de 2024, precisamente no Dia de Iemanjá. A iniciativa, conforme revelou Bianca Branco, artista plástica, curadora e organizadora da exposição, começou modestamente com uma mostra de 15 artistas na Praia do Arpoador. Desde então, o Tabuleta Itinerante floresceu, realizando 15 exposições com variadas temáticas, das quais três foram dedicadas exclusivamente à figura de Iemanjá. Bianca destaca o caráter autônomo do projeto, que avança 'no peito e na raça', sem patrocínios ou cobranças aos artistas, refletindo seu compromisso com a democratização do acesso ao circuito das artes. A evolução das mostras sobre Iemanjá é notável: a segunda edição no Arpoador já contava com 50 artistas, e a terceira, que esteve no Parque Glória Maria, em Santa Teresa, entre 7 de março e 12 de abril, ampliou o número para 100 artistas e mais de 150 peças.

Desafios e Conquistas na Democratização da Arte

A criação do Tabuleta Itinerante brota da percepção de Bianca Branco sobre as dificuldades de inserção no 'meio da arte', frequentemente descrito como uma 'panela' de difícil acesso. Ao se mudar para o Rio em 2008 e estabelecer um ateliê aberto, a artista plástica estreitou laços com muitos talentos desconhecidos, impulsionando o desejo de 'puxar uma galera que não tinha o costume de estar nas galerias'. Embora exija 'muito trabalho' e investimento pessoal, o esforço tem se mostrado recompensador. 'Eu tenho conseguido estar em lugares que, eu vejo, a galera não tem muita facilidade de ter acesso', afirma Bianca, orgulhosa por ver alguns dos artistas do Tabuleta já conquistando espaço em outras exposições. Esse esforço é endossado por Danielle Barros, Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro. Para ela, hospedar a exposição na Biblioteca Parque Estadual reafirma o 'compromisso com a valorização das diferentes manifestações culturais que compõem a identidade do povo fluminense', reconhecendo o papel vital de iniciativas como o Tabuleta Itinerante na construção de uma cultura mais plural e acessível.

A exposição 'Saudação a Iemanjá – 3 Tempos' transcende a simples mostra de arte; ela se configura como um testemunho da paixão pela arte, da força da iniciativa independente e do poder da cultura como ponte para a inclusão e a celebração da diversidade. Ao reunir diferentes vozes e visões em torno de uma figura tão emblemática, o Tabuleta Itinerante e a Biblioteca Parque Estadual oferecem ao Rio de Janeiro uma experiência que é tanto estética quanto profundamente social e espiritual, convidando a cidade a um diálogo contínuo com suas raízes culturais e sua pluralidade. A mostra gratuita pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br