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Jovem é preso em São Paulo por feminicídio da companheira com tiro

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A Polícia Militar de São Paulo efetuou a prisão de Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva, de 18 anos, nesta sexta-feira (20), em São Bernardo do Campo. Ele é o principal suspeito do brutal feminicídio de sua companheira, Geovana Stefany Trajano Silva, de 19 anos. O crime, que chocou a comunidade de Itanhaém, no litoral paulista, ocorreu na residência do casal, onde a vítima foi fatalmente atingida por um tiro de espingarda na nuca. Um dos aspectos mais perturbadores do caso é que a filha de apenas oito meses do casal estava presente no local no momento da tragédia. A detenção representa um avanço significativo na investigação que já havia sido formalmente registrada como feminicídio.

A prisão em São Bernardo do Campo

Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva foi localizado e detido por equipes da Força Tática do 6º Batalhão da Polícia Militar, em uma operação que resultou em sua captura na cidade de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Após a prisão, o jovem foi imediatamente conduzido ao 1º Distrito Policial da cidade, onde prestou depoimento às autoridades. Devido à natureza sensível da investigação e para preservar detalhes que podem ser cruciais para o prosseguimento do caso, as circunstâncias exatas da prisão, incluindo o local específico onde ele estava e a forma como foi encontrado, não foram detalhadamente divulgadas pela polícia. Contudo, sabe-se que a ação foi resultado de um trabalho investigativo que visava localizar o suspeito, que havia fugido da cena do crime em Itanhaém dias antes. O caso, desde o seu registro inicial, já estava sendo tratado como feminicídio na Delegacia Seccional de Itanhaém, evidenciando a gravidade e a especificidade do delito imputado.

A cronologia dos fatos e a cena do crime

O trágico evento que culminou na morte de Geovana Stefany Trajano Silva ocorreu por volta das 19h de quarta-feira (18). A residência do casal, situada no bairro São Fernando, em Itanhaém, foi o cenário para o crime. Policiais militares foram acionados após relatos de um disparo de arma de fogo e, ao chegarem ao local, depararam-se com a vítima caída no quintal da casa, apresentando um ferimento na nuca. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi prontamente chamado para prestar socorro, mas infelizmente pôde apenas constatar o óbito de Geovana.

Durante a perícia realizada na residência, os agentes encontraram e apreenderam uma espingarda artesanal, de calibre 28, que se tornou peça-chave na investigação. O quarto do casal revelou evidências alarmantes: uma grande quantidade de sangue foi encontrada ao lado da cama, sugerindo que o disparo fatal ocorreu ali. Além disso, a filha do casal, uma bebê de apenas oito meses, estava no quarto no momento do crime e foi encontrada por um tio, evidenciando o quão traumático foi o cenário para os familiares e a própria criança.

As versões dos familiares e a fuga do suspeito

O boletim de ocorrência registrou os depoimentos de dois irmãos de Juan, que estiveram no local após o crime. Um deles relatou que estava em um bar nas proximidades quando ouviu o disparo. Ao chegar à casa, encontrou a bebê sobre a cama e Geovana caída no quarto, já sem vida. O outro familiar, que foi alertado por vizinhos sobre a morte da jovem, descreveu ter chegado à residência e encontrado Juan sentado no quintal, com Geovana ensanguentada e desacordada, a cabeça dela repousada em seu colo.

Nesse momento de tensão, Juan teria pedido ajuda e apresentado sua versão dos fatos aos irmãos. Segundo ele, estava na rua quando ouviu o disparo. Ao retornar à casa, teria encontrado Geovana caída no quarto e a teria levado até o quintal, na tentativa desesperada de socorrê-la. Contudo, a veracidade de sua narrativa começou a ser questionada quando, antes mesmo da chegada da ambulância e da polícia, o suspeito empreendeu fuga do local. Sua saída precipitada levantou suspeitas, especialmente diante das evidências encontradas no quarto do casal, que contradiziam sua alegação de ter encontrado a vítima já no chão do cômodo, em vez de ser o local do disparo. A fuga foi um fator determinante para que as autoridades iniciassem imediatamente a busca por Juan.

A gravidade do feminicídio e o impacto social

O caso de Geovana Stefany Trajano Silva ressalta a urgência e a gravidade do feminicídio no Brasil, um crime hediondo definido pela Lei nº 13.104/2015 como o assassinato de uma mulher “por razões da condição de sexo feminino”. Isso significa que o crime não é apenas um homicídio, mas um ato de violência extrema motivado pelo ódio, desprezo ou discriminação contra a mulher, muitas vezes perpetrado por parceiros íntimos ou ex-parceiros. A pena para o feminicídio é agravada, podendo variar de 12 a 30 anos de reclusão, e pode ser ainda maior se for cometido na presença de descendente ou ascendente da vítima, como no caso da filha de oito meses de Geovana e Juan.

A presença da criança de apenas oito meses no local do crime é um detalhe particularmente cruel e devastador. Testemunhar um ato de violência tão brutal, mesmo em tenra idade, pode deixar sequelas psicológicas profundas e duradouras. O trauma potencial para essa criança sublinha a dimensão não apenas individual, mas também social e familiar, da violência de gênero. A prisão de Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva é um passo fundamental para garantir que a justiça seja feita e para enviar uma mensagem clara de que crimes como este não ficarão impunes. A luta contra a violência doméstica e o feminicídio exige não apenas a ação policial e judicial, mas também a conscientização da sociedade e o engajamento de todos na defesa dos direitos e da vida das mulheres.

Desdobramentos da investigação e a busca por justiça

Com a prisão de Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva, a investigação sobre o feminicídio de Geovana Stefany Trajano Silva entra em uma nova fase. O suspeito será submetido a interrogatório e as evidências coletadas, incluindo a arma apreendida e os depoimentos dos familiares, serão cruciais para consolidar o caso. A polícia buscará esclarecer todas as circunstâncias do crime, incluindo a motivação exata, e confrontar a versão do suspeito com os fatos apurados na cena do crime. O processo legal agora seguirá seu curso, com a formalização das acusações e, eventualmente, o julgamento. A família de Geovana, assim como a comunidade, espera que este desdobramento traga alguma medida de justiça para a vítima e ajude a combater a impunidade em casos de violência contra a mulher.

FAQ

O que é feminicídio?
Feminicídio é o assassinato de uma mulher por razões da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Qual a pena para o crime de feminicídio?
A pena para o feminicídio é de reclusão de 12 a 30 anos, sendo aumentada de um terço à metade se o crime for cometido na presença física ou virtual de descendente ou ascendente da vítima, ou se a vítima for menor de 14 anos, maior de 60 anos ou pessoa com deficiência.

Onde o suspeito Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva foi preso?
Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva foi preso em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, por equipes da Força Tática da Polícia Militar.

Como a filha do casal foi encontrada?
A filha do casal, uma bebê de oito meses, foi encontrada no quarto da residência onde o crime ocorreu, pelo tio, um dos irmãos do suspeito.

Se você ou alguém que conhece é vítima de violência doméstica, procure ajuda. Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou denuncie.

Fonte: https://g1.globo.com

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